Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manteve as taxas de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. O movimento era amplamente esperado pelo mercado. A decisão não foi unânime. Dois dirigentes com direito a voto, os diretores Stephen Miran e Christopher Waller, divergiram da decisão.
Miran, que também ocupa a presidência do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca e já criticou diversas vezes o nível elevado das taxas, votou por uma redução de 25 pontos-base. Waller, um dos cotados a substituir Jerome Powell na presidência do Fed, também votou pela redução nos juros no mesmo montante.
Em coletiva de imprensa após a decisão, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que houve “apoio expressivo” no Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) para a manutenção dos juros americanos, após a sequência de três cortes. Ele disse que até os dirigentes que não concordaram com a decisão demonstram apoio.
“Houve um amplo apoio no Comitê para manter a posição de hoje, incluindo entre os que não votam”, disse Powell. “Claro, algumas pessoas queriam cortar e discordaram, mas o Comitê estava bastante a favor de manter a posição”, acrescentou.
No Brasil, os investidores brasileiros esperam que o BC sinalize o início da flexibilização da política monetária a partir de março. Na terça-feira (27), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,20% em janeiro, abaixo da projeção de 0,23% dos analistas. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 0,20% e, nos últimos 12 meses, de 4,50%, abaixo dos 4,41% observados nos 12 meses imediatamente anteriores.
Segundo Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, os números mostram que o quadro inflacionário brasileiro segue em processo de desinflação. “Esse movimento é sustentado pela valorização recente do câmbio, pela maior estabilidade das commodities, pela queda recente dos preços dos alimentos e pela desaceleração dos custos de produção, tanto no segmento agrícola quanto no industrial”, afirma.
“Esse conjunto de fatores, aliado à moderação da atividade econômica, tende a contribuir para que o IPCA de 2026 encerre abaixo do limite superior da meta (4,5%). Em nosso cenário, projetamos que a inflação feche o ano em 4,0%”, diz Sung.