“O cartão de crédito costuma ser a primeira alternativa quando o orçamento aperta. Diante da queda de renda ou de um gasto inesperado, as contas deixam de fechar e a dívida pode rapidamente sair do controle”, afirma Vivian Nobre, diretora-executiva da ARC4.
Porém, débitos decorrentes de renegociações anteriores, empréstimos pessoais e o uso do cheque especial também aparecem como motivos por trás das dívidas.
Nesse momento, Nobre avalia que uma renegociação bem estruturada faz a diferença: ao adequar o valor da dívida à real capacidade de pagamento do consumidor, a renegociação possibilita um retorno mais saudável ao mercado de crédito.
O levantamento mostrou que um mesmo CPF costuma concentrar mais de uma dívida em aberto, com valor médio que supera R$ 3,8 mil por pessoa. Um recorte adicional da pesquisa apontou que o endividamento tende a se repetir ao longo do tempo. Entre os entrevistados, 73% renegociaram dívidas duas ou mais vezes nos últimos cinco anos e, mesmo assim, 59% ainda mantêm algum débito em aberto.
Para a análise dos contratos, valor médio, sobreposição de dívidas e tipo de dívida, foi utilizada uma base de 4 milhões de CPFs. Já para a análise qualitativa, a ARC4 ouviu 200 clientes. O estudo foi realizado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
O que influencia a renegociação de dívidas?
Para 55% dos respondentes, o tamanho do desconto é o fator decisivo na hora de aceitar uma proposta. Já 47% afirmam buscar acordos em feirões de renegociação, realizados por plataformas especializadas que facilitam a negociação direta entre consumidores e empresas credoras.
Os efeitos da renegociação vão além do impacto no orçamento. Após fechar acordos, cerca de 43% dos entrevistados dizem passar a planejar melhor as contas, enquanto 29% relatam melhora na qualidade do sono e redução da ansiedade. Ainda assim, para 60%, a principal prioridade após a renegociação é quitar outras dívidas pendentes.
Esse processo de reorganização financeira também parece deixar aprendizados. O levantamento mostrou que aproximadamente 80% dos respondentes se consideram mais preparados para lidar com o uso do crédito após a experiência da inadimplência.