No período de outubro a dezembro, a Ambev registrou lucro líquido de R$ 4,5 bilhões no quarto trimestre de 2025, queda de 9,9% em relação a igual período do ano anterior. No acumulado de 2025, porém, a companhia fechou o ano com lucro de R$ 15,9 bilhões, alta de 7,7% ante 2024. A receita líquida somou R$ 24,8 bilhões entre outubro e dezembro, recuo de 8,2% na comparação anual.
Na avaliação do Citi, os números vieram, em grande parte, em linha com as expectativas do mercado. Segundo a analista Renata Cabral, a perspectiva de margem para 2026 sofre pressão principalmente do câmbio e da política de hedge. O Citi observa que, para o segmento de cerveja no Brasil, o custo por hectolitro (excluindo depreciação, amortização e marketplace) deve crescer de 4,5% a 7,5%, cálculo que parte de uma taxa média de hedge de R$ 5,50 por dólar.
Caso o real se estabilize mais próximo de R$ 5,00 a R$ 5,20, o risco de custo tende a cair para o limite inferior dessa faixa, ainda que com defasagem, dada a estrutura de proteção cambial da companhia. “No geral, o piso parece protegido e a próxima alta das ações ainda depende de volumes. Mantemos a recomendação neutra para a ação”, disse o banco
O Itaú BBA, por sua vez, destacou que os resultados superaram ligeiramente as suas expectativas, com destaque para a região da América do Sul que, na avaliação do banco, compensou os números fracos na América Central e Caribe, comprometidos pelas condições climáticas desfavoráveis. “Essa dinâmica não é surpresa para a divisão e vemos o movimento como um obstáculo pontual, pouco provável de persistir no longo prazo”, disse o BBA.
Já a Ativa Investimentos destacou que o fraco momento da indústria no último trimestre do ano, somado à pressão macroeconômica, seguiu impactando o desempenho da companhia. Apesar disso, a corretora pontua que os números vieram dentro do consenso do mercado. Em relatório, o analista Lucas Dias destaca que os volumes retraíram em praticamente todas as regiões, sob uma dinâmica de custos e despesas volátil (câmbio e commodities, além da inflação em CAC).
“Esse resultado seguiu o que esperávamos, não trouxe uma perspectiva otimista para 2026”, afirma. Como ponto positivo, Dias ressalta que a companhia registrou ganho de rentabilidade no Canadá e em NAB Brasil. “Esperamos uma reação mais conformada do mercado hoje, já esperando números fracos”, diz.
A Ativa mantém recomendação neutra para as ações da Ambev, com preço-alvo de R$ 15, o que implica potencial de desvalorização de 4,2% ante o fechamento do papel no último pregão.
Com informações do Broadcast