Veja algumas estratégias para reduzir despesas mensais ou anuais – digitais e outras.
Qual é a melhor forma de revisar minhas contas?
Muitas vezes, o aumento de uma conta específica serve de alerta, como aconteceu com a minha internet. Mas você não precisa esperar que algo chame sua atenção para fazer um balanço.
A forma de revisar suas despesas depende do seu nível de conforto com ferramentas digitais de controle financeiro. Alguns aplicativos conseguem identificar cobranças recorrentes de assinaturas e até cancelá-las para você. Porém, esse serviço geralmente exige a contratação da versão premium, paga.
Gabbi Cerezo, planejadora financeira certificada em Los Angeles, diz que prefere imprimir os extratos bancários e de cartão de crédito e destacar as despesas para análise. “Uso uma cor para os itens com os quais me sinto confortável e outra para os que me deixam em dúvida”, afirma. Se a fatura virar um “mar de rosa”, ou qualquer que seja a cor escolhida para marcar os gastos questionáveis, é ali que vale considerar mudanças. Cerezo conta que está aprendendo espanhol e ainda avalia se mantém ou não a assinatura do aplicativo de idiomas Duolingo.
Se revisar extratos parecer desagradável demais, outros consultores sugerem usar o próprio celular para verificar rapidamente as assinaturas ativas. No iPhone, basta acessar Ajustes, tocar no seu nome no topo da tela e depois em “Assinaturas”. Em aparelhos Android, abra a Google Play Store, toque no ícone de perfil no canto superior direito, selecione “Pagamentos e assinaturas” e depois “Assinaturas”.
Não é necessário fazer isso todo mês, diz Hayley Dickson, também planejadora financeira certificada em Los Angeles; uma ou duas vezes por ano pode ser suficiente.
Depois de ter uma visão geral, é hora de agir. Na minha revisão, encontrei a assinatura de um aplicativo de edição de fotos que meus filhos já não usavam mais e uma assinatura duplicada do Apple Music, paga em dois IDs diferentes da Apple.
Como reduzir o custo da internet?
Vale tentar negociar um desconto, principalmente se você já é cliente há algum tempo. Entrei em contato com a operadora de cabo que fornece minha internet pelo chat online. Escrevi uma mensagem curta dizendo que havia visto preços mais baixos na concorrência e gostaria de saber se havia possibilidade de desconto.
A conversa levou quase uma hora, incluindo o tempo de espera para ser transferida do chatbot para um atendente (ao menos acredito que fosse humano). Também tive de ouvir a oferta do serviço de telefonia móvel da empresa, muitas operadoras de TV a cabo passaram a atuar também no mercado de celular.
A paciência compensou. Consegui reduzir a conta da internet em cerca de R$ 73,08 por mês, para aproximadamente R$ 459,36, durante dois anos, uma economia total de R$ 1.753,92. Embora empresas mais novas na minha região oferecessem preços menores, trabalho em casa e preciso de Wi-Fi estável. Preferi manter o fornecedor já conhecido.
Jeff Rossen, apresentador do canal Rossen Reports no YouTube, recomenda informar à operadora que você está considerando cancelar o serviço e perguntar sobre “descontos não divulgados”. Para quem se sente desconfortável, ele sugere o seguinte roteiro:
“Olá. Sou cliente há algum tempo e gosto do serviço, mas minha conta tem aumentado. Estou vendo planos semelhantes de outros provedores por um preço menor. Antes de cancelar e mudar de empresa, gostaria de saber o que vocês podem fazer para reduzir minha mensalidade.”
Outra forma de economizar é rever a velocidade contratada. Muitas empresas promovem planos de 1 gigabit (1 Gb) ou mais, mas a maioria das famílias (que usam internet para streaming, videochamadas e alguns jogos) pode funcionar bem com velocidades menores e mais baratas. “Estamos contratando mais velocidade do que realmente precisamos”, afirma Rossen. Ele sugere testar um plano inferior por um ou dois meses e, se não ficar satisfeito, voltar ao anterior.
Também é possível economizar comprando seu próprio modem, o aparelho que conecta sua casa ao provedor de internet. Segundo o Wirecutter, site de recomendações de produtos do The New York Times, a economia pode chegar a R$ 104,40 por mês em comparação ao aluguel do equipamento.
Como reduzir a conta de celular?
Negociar com as grandes operadoras pode ser difícil, afirma Courtney Lindwall, repórter de tecnologia da Consumer Reports. Para pagar menos, pode ser necessário mudar de empresa. Operadoras menores costumam oferecer preços mais baixos e boas avaliações de satisfação dos clientes.
O lado negativo é que essas empresas geralmente não têm lojas físicas, caso você prefira atendimento presencial. Além disso, como utilizam redes alugadas das grandes operadoras, podem ter a velocidade reduzida em momentos de tráfego intenso, priorizando os clientes das operadoras principais.
A troca pode dar algum trabalho, mas conquistar novos clientes é um incentivo para que as concorrentes facilitem o processo. “É mais simples do que você imagina”, diz Lindwall.
Como administrar as assinaturas de streaming?
Jim Willcox, especialista em streaming da Consumer Reports, sugere que, em vez de manter assinaturas avulsas, pode ser vantajoso optar por combos (bundles), como pacotes que reúnem Disney+, Hulu e HBO Max. Algumas operadoras de celular oferecem descontos nesses pacotes para seus clientes.
Outra alternativa é fazer “maratonas” (binge-watch) de uma série e cancelar a assinatura em seguida. Porém, algumas plataformas estão lançando episódios semanalmente, o que obriga o assinante a manter o serviço por mais tempo antes de cancelar.
Willcox também recomenda usar um único cartão de crédito para todas as assinaturas, facilitando a visualização e o controle dos gastos.
*Texto traduzido do The New York Times, escrito por Ann Carrns; Para a tradução, foi considerado o dólar a R$ 5,22.