“Assim como vimos na Europa algumas semanas atrás, o sentimento em relação às ações brasileiras permanece positivo“, afirmam os analistas Fernando Ferreira, Felipe Veiga, Raphael Figueredo e Lucas Rosa, em relatório.
No caso da América Latina, o interesse adicional decorre da recente alta dos metais, das eleições presidenciais na região e do valor ainda atrativo dos ativos.
Para o Brasil, o ciclo de afrouxamento monetário também se mostra fator central por trás do aumento do interesse de estrangeiros. Os analistas da XP ainda observam crescimento relevante no apetite de investidores Macro Globais (atentos às tendências macroeconômicas de cada país) e de renda fixa por exposição à Bolsa brasileira.
Análise da Bolsa sob 3 aspectos
Os profissionais alertam, no entanto, que, após a forte performance recente do principal fundo de índice brasileiro no exterior – o ETF EWZ, com alta de mais de 20% em 2026 – , foram identificados nas conversas sinais crescentes de desconforto com os níveis de preço, especialmente entre as large caps (grandes companhias), que concentraram a maior parte da alta.
A XP realizou a análise do valuation (valor de mercado) da Bolsa brasileira sob três ângulos:
- 1) Histórico: o múltiplo preço/lucro (P/L) voltou para sua média histórica;
- 2) Prêmio de risco: no relativo às taxas reais, a Bolsa parece cara, já que os juros reais dos títulos NTN-B (Tesouro IPCA+) ainda não cederam. Contudo, essa métrica não tem sido uma boa preditora de retornos futuros no Brasil;
- 3) Relativo a emergentes: esse é o principal indicador acompanhado pelos investidores globais.
Eles calculam que, negociada com múltiplo de 13 vezes o P/L, a Bolsa de Valores ainda exibe desconto de aproximadamente 12% em relação a de mercados emergentes e de 36% frente ao MSCI World (índice de ações internacionais que acompanha papéis de 23 países). “Adicionalmente, nosso indicador proprietário de sentimento retornou para níveis de ‘Otimismo Extremo'”, afirmam.
Oportunidade em empresas de qualidade
Os analistas da XP pontuam ainda que o principal debate nas reuniões com investidores estrangeiros foi a ampla divergência de desempenho entre as grandes ações do Ibovespa – que se beneficiaram intensamente dos fluxos passivos – e o restante da Bolsa brasileira. “Investidores ativos de emergentes enxergam uma oportunidade para aumentar posições em empresas de qualidade que não acompanharam o rali recente – um trade de convergência”, observam.