Larry Fink, CEO da BlackRock, está preocupado com a fragmentação do antigo modelo de capitalismo global e o risco de que o crescimento promovido pela inteligência artificial (IA) escale ainda mais a concentração de riqueza no mundo.
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Larry Fink, CEO da BlackRock, está preocupado com a fragmentação do antigo modelo de capitalismo global e o risco de que o crescimento promovido pela inteligência artificial (IA) escale ainda mais a concentração de riqueza no mundo.
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Em sua tradicional carta anual, divulgada nesta segunda-feira (23), o executivo à frente da maior gestora de ativos do mundo reconheceu que grande parte da pauta do mercado está sendo filtrada por uma visão de curto prazo. Não para menos: guerras com repercussões globais, empresas bilionárias, uma reestruturação fundamental do comércio internacional e o advento da tecnologia mais significativa desde, pelo menos, o computador.
Mas essa “dopamina”, nas palavras de Fink, pode afastar investidores do foco no longo prazo – o que realmente importa, no fim do dia.
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O CEO destaca que as grandes economias estão investindo pesado para se tornarem autossuficientes em energia, defesa e tecnologia. Mas que boa parte da riqueza gerada por esses avanços flui para quem tem ativos de investimento, não para quem produz renda por meio do trabalho. E a IA ameaça que este padrão se repita em escala ainda maior.
São os ativos de investimento a longo prazo que podem realizar um “milagre cívico”, nas palavras de Fink. Se mais pessoas investem, esses recursos ajudam a financiar o desenvolvimento do país em que vivem. Os benefícios desse crescimento econômico, por sua vez, voltam para a população.
“Grande parte da ansiedade econômica atual vem da sensação profunda de que o capitalismo funciona, mas não para um número suficiente de pessoas”, diz na carta.
O argumento é que famílias que investiram de forma ampla e consistente, seja durante guerras, inflação, crises financeiras e até mesmo uma pandemia global, tiveram a oportunidade de ver seu patrimônio crescer junto com as economias de seus países. “Essa história é o motivo pelo qual continuo otimista a longo prazo”, afirma Fink.
O caminho passa por ampliar o acesso ao mercado de investimentos de forma global. O que não é uma tarefa trivial em um mundo em que muitas pessoas dependem do salário e não têm dinheiro para investir. Para o CEO da BlackRock, o ponto de partida dessa revolução é ajudar as pessoas a construir uma segurança financeira básica. Via tecnologia e educação financeira.
“Metade da população mundial carrega uma carteira digital no celular. Imagine se essa mesma carteira digital também permitisse investir em uma ampla variedade de empresas a longo prazo — tão facilmente quanto enviar um pagamento”, questiona. “A tokenização poderia ajudar a acelerar esse futuro, modernizando a infraestrutura do sistema financeiro — tornando os investimentos mais fáceis de emitir, negociar e acessar.”
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A partir de exemplos internacionais, de países que já estão conseguindo expandir a participação da população no mercado de capitais, Larry sugere algumas soluções:
A BlackRock acaba de atingir um recorde de US$ 14 trilhões em ativos sob gestão, graças a um 2025 com o maior nível de entradas líquidas na história da gestora. Clientes trouxeram quase US$ 700 bilhões em novos ativos, acelerando o ritmo de crescimento da empresa, que aumentou em 60% o AuM em 5 anos.
O crescimento ocorreu enquanto a companhia executava as maiores integrações em mais de 15 anos, com as aquisições da HPS, Preqin e ElmTree concluídas em 2025, após a aquisição da GIP em 2024. “Agora somos uma empresa de grande porte nos mercados públicos e privados e em diversas tecnologias. Isso está fortalecendo significativamente nosso posicionamento junto aos clientes em todo o mundo”, diz o CEO na carta anual.
A BlackRock quer dobrar sua receita até 2030, com foco maior em mercados privados e tecnologia.
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