Banco do Brasil amplia crédito sustentável enquanto investidores avaliam impacto na rentabilidade e nos riscos da carteira. (Foto: Adobe Stock)
O Banco do Brasil (BBAS3) ultrapassou os 80% da meta de alcançar R$ 500 bilhões em crédito sustentável até 2030 ao destinar R$ 172,1 bilhões para agricultura, R$ 22,3 bilhões para energia e R$ 3 bilhões para bioeconomia, somado a empréstimos para outros segmentos, totalizando R$ 415 bilhões até o momento. A expansão dessa carteira ocorre em meio à pressão que uma crise de casos de recuperações judiciais no agronegócio faz sobre os próximos resultados da estatal.
No quarto trimestre de 2025 (4T25), o BB reportou inadimplênciade 6,09% no agronegócio, alta de 125 pontos-base no período, além de uma rentabilidade mais baixa do banco em comparação aos grandes concorrentes: o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) foi de 12,4%, contra 20,8% um ano antes – veja todos os detalhes aqui.
Na prática, a carteira sustentável se traduz em apoio direto a produtores rurais que adotam técnicas menos agressivas ao meio ambiente, municípios que investem em infraestrutura eficiente e cooperativas que geram renda a partir da floresta em pé. Um exemplo vem da destinação de R$ 2 bilhões à bioeconomia na Amazônia Legal, por meio de parcerias com o Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Clima e Sociedade (ICS) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Em entrevista exclusiva para o E-Investidor, o vice-presidente de Negócios de Governo e Sustentabilidade Empresarial no Banco do Brasil, José Ricardo Sasseron, explica não apenas propósitos, mas os diferenciais dos planos do banco.
José Ricardo Sasseron, Vice-Presidente de Negócios de Governo e Sustentabilidade Empresarial no Banco do Brasil (BBAS3), comenta sobre a carteira de bioeconomia e sustentabilidade.
E-Investidor – Como a bioeconomia se conecta à estratégia de geração de valor do banco?
José Ricardo Sasseron – Nós criamos nossa frente de bioeconomia em Belém (PA), com a instalação do primeiro hub, e começamos a expandir para outros lugares, explorando toda a cadeia de valor. Isso inclui a interação com empresas, fornecedores, população ribeirinha, pequenos agricultores, populações tradicionais, extrativistas e pescadores.
O nosso objetivo é financiar essas pessoas com linhas de crédito já existentes no banco e apoiar toda a cadeia de valor, inclusive em parceria com grandes companhias. Já financiamos operações de exportação de empresas presentes na Amazônia e trabalhamos com agentes de crédito dentro das comunidades.
Esses agentes atuam inclusive na formalização, incentivando a criação de associações e a estruturação de cooperativas. Essa frente gera valor para o banco ao mesmo tempo em que ajuda a preservar a floresta, que é o maior ativo da Amazônia, e fortalece a nossa agenda de sustentabilidade.
Existe a expectativa de que esse segmento se torne uma nova frente relevante de crédito ou de negócios para o BB nos próximos anos?
A carteira de crédito total do banco está em torno de R$ 1,3 trilhão e fechamos 2025 com R$ 415 bilhões em crédito sustentável, o que representa aproximadamente um terço do total. A carteira de bioeconomia hoje gira em torno de R$ 3 bilhões, com impacto direto em cerca de 100 mil pessoas. A nossa meta é chegar a R$ 500 bilhões na carteira sustentável até 2030 e a R$ 5 bilhões em bioeconomia, com impacto direto para 1 milhão de pessoas.
Essa carteira tende a se tornar cada vez mais relevante. Estamos trazendo novos clientes para dentro do banco desde o início da atividade econômica deles, com a expectativa de construir uma relação de longo prazo.
Como a carteira sustentável do BB aparece no balanço?
O Banco do Brasil foi o primeiro a divulgar guidance (projeções) de finanças sustentáveis. Esse número de R$ 415 bilhões está dentro da carteira. A carteira de crédito geral cresce menos do que a carteira sustentável. Começamos a divulgar isso em 2024. Fazemos questão de mostrar a transição do banco para uma economia mais centrada e que respeite mais a natureza.
O BB pretende ampliar parcerias com investidores institucionais e organismos internacionais?
Fazemos captações internacionais com instituições como Banco Mundial, BID e bancos de desenvolvimento. Desde 2023, captamos cerca de R$ 45 milhões, sendo uma parte relevante destinada à bioeconomia.
Também atuamos com iniciativas como o Ecoinvest, combinando capital público com captação internacional para oferecer condições mais atrativas ao tomador final. Bioeconomia, preservação ambiental e recuperação de áreas degradadas estão presentes em todas essas captações.
Qual seu recado para o investidor?
O banco trabalha para o futuro. O investidor deve olhar o Banco do Brasil como uma instituição perene, com mais de 217 anos, e que continuará existindo. Há locais em que chegamos com parceiros e pessoas que nunca tiveram conta bancária passam a ter. Estamos falando de inclusão e de construção de longo prazo.