Às 13h40 (de Brasília), o petróleo retomava leve alta, após iniciar o dia em queda. O WTI para maio subia 0,17%, a US$ 111,72, enquanto o Brent para junho cedia 0,17%, a US$ 108,84. O movimento marca uma virada ao longo da manhã, com os contratos deixando para trás o ajuste inicial e voltando a incorporar o prêmio de risco geopolítico, em meio à incerteza sobre a efetividade de uma eventual trégua.
Na B3, o setor de petróleo opera em direções mistas às 13h40, com a Petrobras (PETR3; PETR4) um pouco mais otimista. As ações ordinárias avançavam 0,64%, a R$ 53,44, enquanto as preferenciais subiam 0,93%, a R$ 48,60. A estatal permanece no radar após negar defasagem relevante nos preços dos combustíveis e reiterar sua estratégia comercial. Além disso, a companhia está entre as habilitadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a primeira fase do programa de subvenção ao diesel do governo federal.
Entre as demais petroleiras, o movimento é heterogêneo. A Brava Energia (BRAV3) decolava 5,13%, a R$ 21,52, enquanto a PetroReconcavo (RECV3) avançava 2,12%, a R$ 13,99. A Prio (PRIO3), por sua vez, recuava 0,72%, a R$ 67,28, em um pregão de ajuste após as altas recentes.
Proposta de cessar-fogo entra no radar
O gatilho para a correção veio da informação de que Irã e Estados Unidos receberam, no domingo à noite, uma proposta que prevê um cessar-fogo de 45 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz. A iniciativa teria sido articulada por Egito, Paquistão e Turquia, segundo fontes ouvidas pela Associated Press.
A sinalização trouxe um primeiro alívio ao mercado, especialmente por envolver a retomada do fluxo em Ormuz, corredor por onde passa cerca de 20% do petróleo global. Ainda assim, a adesão das partes segue incerta, o que mantém o prêmio de risco parcialmente incorporado aos preços.
Apesar da tentativa de mediação, o tom das declarações continua elevado. No fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã, afirmando que pode atacar toda a infraestrutura elétrica do país caso o estreito não seja reaberto até terça-feira, às 21h (de Brasília).
Do lado iraniano, autoridades e a Guarda Revolucionária indicaram que eventuais ataques serão respondidos com retaliações mais intensas, reforçando a percepção de que o conflito permanece longe de uma solução definitiva.
O mercado também aguarda a coletiva de Trump prevista para esta tarde, ao lado das Forças Armadas, que pode redefinir expectativas no curto prazo.
Oferta e rotas alternativas ganham relevância
Mesmo com a possibilidade de trégua, os desdobramentos recentes aceleram mudanças estruturais na logística global de energia. Países asiáticos já se movimentam para reduzir a dependência do Golfo.
A Coreia do Sul, por exemplo, planeja enviar ao menos cinco navios ao porto de Yanbu, na Arábia Saudita, nas próximas semanas, buscando estabelecer rotas alternativas via Mar Vermelho. O governo também negocia suprimentos adicionais com países como Omã e Argélia, em um movimento que ilustra a reorganização das cadeias de abastecimento.
Ao mesmo tempo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) anunciou aumento de produção para maio. A medida tende a ampliar a oferta, mas com efeito limitado caso persistam restrições no Estreito de Ormuz.
Escalada global adiciona novo vetor de risco
Em paralelo ao Oriente Médio, o conflito no Leste Europeu volta a pressionar o mercado de energia. Um ataque com drones russos atingiu a cidade portuária de Odesa, na Ucrânia, deixando mortos e feridos, enquanto forças ucranianas miraram infraestrutura estratégica de petróleo na Rússia, incluindo um importante porto de exportação no Mar Negro.
A intensificação dos ataques em regiões-chave para o escoamento do “ouro negro” reforça o risco de interrupções adicionais na oferta global, ampliando a sensibilidade dos preços a eventos geopolíticos simultâneos.
Com informações da Broadcast