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Fernanda Camargo é sócia-fundadora da Wright Capital

Investimento com propósito

Fernanda Camargo é sócia-fundadora da Wright Capital Wealth Management e tem mais de 25 anos de experiência no mercado financeiro, 15 dos quais em Gestão de Patrimônio, com passagens por Vinci Partners, Gávea Arsenal Gestão de Patrimônio, Standard Bank, Deutsche Bank e Merrill Lynch. Ela é uma das fundadoras do Instituto LiveWright, OSCIP dedicada a gestão do esporte olímpico no Brasil e faz parte do Conselho da ONG Atletas pelo Brasil.

O insustentável custo de investir desconhecendo fatores ambientais

Crescimento do capitalismo de 'stakeholders' leva à revisão da governança corporativa de companhias

queimada São João do Matupi
Queimada em uma área do sul do Amazonas, registrada em agosto de 2019: questão ambiental é preocupação crescente entre investidores estrangeiros. (Gabriela Biló/ Estadão)
  • Segundo estudos do Global Sustainable Investment Alliance, o volume de investimentos sustentáveis no mundo já atingiu US$ 31 trilhões
  • Em geral, empresas com bom desempenho ESG (siglas que correspondem a environmental, social and governance) são mais resilientes, seus funcionários são mais engajados, olham para todos os stakeholders, e gerem melhor seus riscos ambientais e sociais
  • O risco desse tipo de investimento é menor do que o de estratégias tradicionais. Portanto: se faz bem, o risco é menor, e não há prejuízo em termos de retorno, por que não?

Em resposta a oferta de compra de seu território pelo então presidente dos Estados Unidos em 1854, o Cacique Seattle respondeu com o seguinte discurso:

“Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa ideia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. […] Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence a terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas, como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recaíra sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.”

Este discurso tem 166 anos, mas não podia ser mais atual. Estamos “emprestando” recursos naturais das gerações futuras. Deveríamos ter consciência de que somos apenas zeladores. Como podemos, então, prosseguir com um modelo de capitalismo que não leva em consideração os impactos das atividades empresariais no nosso planeta e nas pessoas? O que vale mais?

Você já parou para refletir como o seu comportamento ao investir pode influenciar tais valores? Por que alocamos nossos capitais financeiros e intelectuais com total desprezo a tais questionamentos? Por que consumimos olhando apenas para o preço? Felizmente, a nova geração de Millennials está se fazendo essas perguntas. Segundo estudos do Global Sustainable Investment Alliance, o volume de investimentos sustentáveis no mundo já atingiu US$ 31 trilhões.

Insustentáveis externalidades negativas geradas por décadas de supremacia do acionista (“shareholder”) vêm induzindo o crescimento do capitalismo de “stakeholders”, levando à revisão da governança corporativa de companhias dos mais diversos segmentos e do próprio mercado de capitais.

Negócios podem e devem ser uma força positiva – os mercados têm que ser parte da solução. É possível e prudente investir por um mundo melhor sem abrir mão de retornos financeiros. Existem algumas formas de fazer isso. O foco apenas em resultados financeiros pode gerar vantagens de curto prazo, mas há um grande e insustentável custo no médio a longo prazo.

ESG – siglas que correspondem a environmental, social and governance – é uma estratégia de investimento que reconhece explicitamente a relevância de fatores ambientais, sociais e de governança corporativa na análise, tomada de decisão e performance de investimentos.

Em 2006, quando o Principles for Responsible Investment (PRI) foi criado, investidores institucionais relutavam em incorporar os critérios ESG argumentando que seu dever fiduciário era limitado a maximização de valor para os seus beneficiários independente do impacto socioambiental gerado. Depois da crise de 2008, governos e mercados implementaram regulações e auto-regulações para proteger o dono dos recursos em relação a fatores ESG, como Códigos de Stewardship para gestores ou a Corporate Disclousure Rule (isto é, regra de transparência nas decisões corporativas).

Em setembro de 2015 o PRI, UNEP/Fi, UNEP Inquiry e UN Global Compact lançaram o relatório “Dever Fiduciário do Século 21”. Este relatório conclui que “é uma quebra do dever fiduciário não levar em consideração todos os drivers de valor de longo prazo, incluindo ESG” (tradução livre).

Apesar do grande número de gestores que até hoje se comprometeu com a iniciativa do PRI e outras nesse sentido, ainda não está claro qual o grau de implementação efetivamente adotado, já que a maioria desses gestores não revela de forma transparente e clara como critérios ESG afetam suas decisões de investimento.

Empresas de qualquer setor podem ser avaliadas sob a ótica ESG, do financeiro ao óleo e gás. É importante identificar o que é material para cada empresa e setor. Critérios ESG impactam toda a cadeia de produção, o lucro, a gestão de risco, custo do capital, acesso a capital, a marca, entre outros fatores.

Como o Fabio Alperowitch, gestor da FAMA Investimentos, sempre diz “ESG é processo, não é produto”. Não adianta ter um produto sustentável, se ele foi produzido a partir de uma cadeia produtiva insustentável. Alguns setores, por mais controversos que sejam, não vão deixar de existir, mas é importante que se comprometam na melhoria de seus processos.

Um bom exemplo é a ArcelorMittal, maior companhia siderúrgica da Europa, que anunciou recentemente que a “descarbonização” de suas operações lhe custará até € 65 bilhões até 2050. A empresa tem valor de mercado de € 10 bilhões.

Acredito que ESG deva fazer parte da cultura de uma empresa. Em geral, empresas com bom desempenho ESG são mais resilientes, seus funcionários são mais engajados, olham para todos os stakeholders, e gerem melhor seus riscos ambientais e sociais. São empresas que “walk the talk” (fazem o que falam), cuidando de seus colaboradores, clientes, fornecedores e a comunidade na qual estão inseridas.

Durante a triste pandemia que estamos vivendo, mesmo com o perfil de crédito deteriorando ou tendo que mudar previsões de lucros, empresas com perfil mais sustentável mantiveram a comunicação com seus stakeholders buscando servi-los e não autopromoção.

Quanto a performance, por enquanto, a única coisa que é possível afirmar é que os retornos de estratégias que usam critérios ESG não são piores que os das estratégias tradicionais, inclusive já foram publicados estudos que indicam que o investimento sustentável gera retornos financeiros superiores no médio a longo prazo.

De qualquer modo, é possível afirmar que o risco desse tipo de investimento é menor do que o de estratégias tradicionais. Portanto: se faz bem, o risco é menor, e não há prejuízo em termos de retorno, por que não?

Em relação a produtos financeiros no mercado de capitais, como fundos de investimento, há poucos que usam critérios ESG nos seus processos de investimento. Mas o movimento está crescendo rapidamente. É importante ficar atento ao “Greenwashing”, isto é, instituições que dizem usar critérios ESG em seu processo de investimento, mas na prática é só marketing.

No Brasil, isso tudo está apenas começando. Poucas empresas medem e reportam como pretendem reduzir suas emissões de carbono, como são as condições de trabalho na sua cadeia produtiva, qual a política de proteção de dados, política de diversidade, entre outras informações relacionadas a fatores ESG. Ao entenderem que a divulgação desses fatores poderá ajudá-las a acessar capitais ou até mesmo a reduzir o custo de seu capital, acredito que mais empresas irão se engajar com o tema.

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