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Colunista

Pix, IA e Drex: as tendências no setor financeiro brasileiro em 2025

Toda essa transformação deve impactar diretamente os consumidores e empresas de pagamento, câmbio e crédito

Por João Manuel Campanelli Freitas, vice-presidente executivo do Travelex Bank*

07/01/2025 | 13:44 Atualização: 07/01/2025 | 13:44

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O que esperar da digitalização bancária em 2025? Imagem: Adobe Stock
O que esperar da digitalização bancária em 2025? Imagem: Adobe Stock

A digitalização do sistema bancário no Brasil, intensificada pelo avanço do Pix, Open Finance e do Drex e acompanhada pelo aumento do uso da IA no dia a dia, está redesenhando o comportamento da população em relação às instituições financeiras. Em 2025, o esperado é que essa transformação continue a acontecer impactando diretamente os consumidores e empresas nos setores de pagamento, câmbio e crédito.

Leia mais:
  • Como o Pix está transformando o pagamento de previdência social no Brasil
  • Como as fintechs estão revolucionando a inclusão financeira no Brasil
  • Como a volta de Trump ao poder impacta o Brasil e os investidores
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Áreas como turismo, exportação e importação tendem a se beneficiar da integração entre ferramentas digitais, novos meios de pagamento e operações cambiais, possibilitando transações mais rápidas, seguras e acessíveis.

Com esse pano de fundo, é hora de olhar para o que vem pela frente em 2025. Efetivamente, o que essas inovações representam para o próximo ano?

Pix se consolida como um ecossistema cada vez mais robusto

O Pix é um recurso que foi muito bem aceito pelos brasileiros, prova disso é o fato de 39% das transações financeiras em 2023 terem sido realizadas por pix. No ano passado, a estimativa era de que 76,4% da população utilizava esse recurso.

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Para 2025, a grande expectativa do Pix é a possível expansão de funcionalidades chegando inclusive para transações internacionais, o que pode transformar radicalmente a dinâmica do mercado de câmbio. Exportadores e importadores brasileiros poderão realizar pagamentos com maior agilidade, menor custo e menos intermediários, reduzindo a dependência de métodos tradicionais e simplificando o comércio exterior. Outras funcionalidades estão em curso e devem impactar o mercado de varejo, facilitando o dia a dia do consumidor.

Em pleno funcionamento, o Pix tem favorecido as grandes empresas, mas também impactando positivamente os pequenos negócios que atuam no e-commerce nacional ou internacional, eliminando barreiras e taxas elevadas.

O mercado aguarda com ansiedade o chamado Pix internacional que irá aumentar a competitividade de produtos brasileiros em mercados globais, fortalecendo a balança comercial do país.

Open Finance ganha musculatura

Outra frente do Banco Central do Brasil, que junto com o Pix vem ocupando espaço é o Open Finance, que estão integrando as plataformas bancárias facilitando o dia a dia do consumidor final.

A evolução no ano de 2024 trouxe grandes ganhos e competitividade ao mercado, fazendo com que a “iniciação de pagamentos” fosse um sucesso produzindo facilidades ao dia a dia do consumidor final que ainda está se adaptando à nova realidade.

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A continuidade deste processo ainda que silenciosa irá propiciar no futuro uma grande diferença no dia a dia dos consumidores.

Inclusão e inovação com o Drex

Em 2025, o Drex deve consolidar seu papel como motor de inclusão financeira no Brasil. Pequenos negócios, que frequentemente enfrentam barreiras para acessar crédito, podem se beneficiar de custos mais baixos e processos mais ágeis proporcionados pela digitalização dos serviços econômicos. Para pessoas desbancarizadas, o Drex abre novas possibilidades de acesso a serviços bancários, reduzindo as desigualdades econômicas.

Além disso, a funcionalidade de contratos inteligentes, ou seja, autoexecutáveis, sem intermediários e fechados por meio da tecnologia “blockchain“, promete desburocratizar operações em mercados como o imobiliário, facilitando transações complexas, como financiamentos e locações, de forma mais segura e eficiente. No setor rural, essa tecnologia pode agilizar o acesso a crédito, garantindo mais previsibilidade em um segmento vital para a economia brasileira. Outro mercado que será altamente impactado será o de financiamento direto ao consumidor (CDC) que facilitará a contratação, transformando em segundos o que levava horas em alguns casos.

Além do uso do blockchain na questão de contratos inteligentes, a criação do real digital como moeda brasileira promete não apenas modernizar transações, mas também aproximar o mercado de câmbio de pequenos negócios e pessoas físicas. A criação e implementação da ferramenta surgiu no contexto da nova lei cambial, que passou a valer no início de 2023 e garantiu maior liberdade ao mercado cambial nacional. Por meio do Drex, o real será uma moeda aceita em todos os países e não apenas em casos específicos, como a China e a Argentina, que já fazem transações envolvendo as moedas locais. Isso evitará a necessidade de se usar o dólar, euro ou qualquer outra moeda como referência, e tornará essas operações mais acessíveis ao eliminar a dupla conversão, a necessidade de intermediários e taxas elevadas.

A estrutura digital do Drex oferece uma alternativa mais eficiente para operações internacionais, beneficiando especialmente pequenas empresas que, antes, enfrentavam altos custos e burocracia para realizar transações com o exterior. Além disso, o Drex poderá atenuar a volatilidade cambial ao simplificar operações de hedge (proteção cambial) para companhias de diferentes portes, reduzindo riscos em um cenário global ainda marcado por incertezas econômicas.

A Inteligência Artificial como recurso indispensável

É impossível falar sobre inovação no sistema bancário e não contemplar o avanço da Inteligência Artificial (IA). O uso da IA não é novidade no setor, que já vem há alguns anos utilizando esse recurso para entender o comportamento do consumidor, criar produtos e melhorar o atendimento ao cliente. De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o investimento dos bancos brasileiros em tecnologia deve atingir o patamar dos R$ 47,4 bilhões em 2024 — e tudo indica que em 2025 esse movimento será ainda mais forte.

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Com os avanços tecnológicos do Pix, Open Finance e do Drex, esse instrumento tem a capacidade de ser um grande aliado para a otimização de processos e melhorias de aspectos fundamentais para a fidelização de clientes, como o desenvolvimento de ferramentas mais práticas e acessíveis, assertividade na oferta de produtos e sugestões de investimentos para cada tipo de consumidor, além de ser peça-chave na detecção de fraudes e lavagem de dinheiro, garantindo um ambiente de transações mais seguro.

Assim como toda ferramenta inovadora, existem desafios que serão acentuados em 2025. No caso do uso da IA no setor bancário, há uma preocupação em desenvolver a capacitação de pessoas para utilizarem esse recurso de maneira apropriada e com a governança de dados, que é um ponto que precisa de muita atenção.

Em 2025, a tendência é que o Brasil reforce sua posição como referência global em inovação financeira. A combinação de inclusão, eficiência e digitalização cria um ambiente favorável para negócios e consumidores, ao mesmo tempo em que oferece novos desafios regulatórios e de segurança para o setor bancário.

 

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*João Manuel estudou Ciências Econômicas na PUC Campinas, e estudou Gestão Empresarial na Fundação Dom Cabral. Cursou Gestão Financeira e Administração na FGV e é especialista em Liderança Avançada pela Haggai Instute, Estados Unidos. João já foi superintendente executivo de operações no Banco Sofisa, diretor adjunto do Banco Santander, superintendente executivo do Banco Safra e, atualmente, é Vice-Presidente Executivo do Travelex Bank.

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