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Colunista

Por que a Selic a 14,75% é um remédio com muitos efeitos colaterais

Quando o Copom anunciou nova alta da taxa Selic, muitos investidores de renda fixa comemoram. Mas há um custo elevado para a sociedade

Por Eduardo Mira

09/05/2025 | 13:56 Atualização: 09/05/2025 | 14:56

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Mercado financeiro (Foto: Adobe Stock)
Mercado financeiro (Foto: Adobe Stock)

Quando o Copom anuncia nova alta da Selic, como agora — elevando a taxa para 14,75% ao ano — muitos investidores de renda fixa comemoram. Tesouro Direto, CDBs e fundos atrelados ao CDI passam a render mais. É aquela sensação boa de ver o dinheiro “trabalhando por você”.

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Mas será que essa é uma vitória para todos? Ou estamos diante de um daqueles casos em que o benefício individual esconde um custo coletivo relevante?

O lado oculto dos juros altos

À primeira vista, juros elevados parecem uma ótima notícia para quem investe. Mas, por trás desse cenário, existe um custo invisível — e pesado — que afeta toda a sociedade.

  • O Brasil possui uma das maiores dívidas públicas entre os países emergentes, que ultrapassa os R$ 7 trilhões, conforme dados do Banco Central.
  • Cada ponto percentual a mais na Selic representa cerca de R$ 55 bilhões extras por ano em pagamentos de juros dessa dívida.

Esse valor adicional não surge do nada: o valor necessário para acomodar o novo custo da dívida é retirado do orçamento público, que financia áreas essenciais como hospitais, escolas, universidades, programas sociais, infraestrutura e segurança. Assim, quando os juros sobem, fica cada vez mais difícil investir nestas áreas fundamentais.

Como a Selic alta impacta a economia?

Quando o Banco Central eleva a Selic, o crédito fica mais caro, o consumo diminui, os investimentos recuam — e a atividade econômica desacelera.

O resultado? Menos crescimento, menos empregos e menor arrecadação de impostos. Esse movimento cria um verdadeiro círculo vicioso:

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No fim das contas, a política monetária perde eficiência. O país entra num labirinto de baixo crescimento, alto custo social e vulnerabilidade fiscal.

“Mas minha renda fixa está rendendo bem…”

Sim, isso é fato, e embora o investidor de renda fixa comemore rendimentos mais altos, essa vitória é relativa. Se o país cresce menos, a base produtiva enfraquece, o desemprego aumenta e os riscos de instabilidade fiscal e social se elevam.

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Com o tempo, isso se traduz em volatilidade nos mercados, perda de valor dos ativos e redução real do poder de compra.

Portanto, enquanto os extratos individuais mostram ganhos, o custo coletivo pode ser alto, recaindo sobre toda a sociedade.

Selic alta: um mal necessário?

É importante dizer que a alta da taxa de juros não deve ser demonizada. Ela é uma ferramenta legítima para o controle da inflação. Entretanto, como qualquer ferramenta de política econômica, deve ser utilizada com cautela e critérios rigorosos, especialmente em um país que enfrenta desafios estruturais complexos.

Precisamos de uma discussão madura quanto ao período aceitável para manter juros elevados, analisar os impactos no futuro fiscal e no crescimento da economia, considerando as consequências para os setores que mais dependem do investimento estatal.

Estratégias para o cenário atual

Recomendo que você mantenha o rigor no gerenciamento de seu plano de investimentos, não negligencie a diversificação e lembre-se que informação continua sendo sua melhor aliada. Siga acompanhando de perto os indicadores econômicos, as decisões do Copom e as tendências do cenário global.

Busque fontes confiáveis, referências acadêmicas e de instituições financeiras reconhecidas para embasar as decisões, lembrando ainda que somente analistas CNPI são credenciados para recomendações de investimento, portanto, mais do que nunca, cuidado com “dicas da internet”.

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Aproveito para te convidar a assistir a live que fiz na quarta-feira (7), no meu canal do YouTube analisando como ficam os investimentos com a nova alta da Selic. E lembre-se: o “dinheiro trabalhando por você” nunca é de graça: em algum lugar da economia, alguém está pagando a conta e normalmente ela recai sobre todos nós, enquanto sociedade – portanto, saber proteger seus investimentos é fundamental.

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