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Colunista

Termômetro dos investimentos revela uma preocupante tendência na Bolsa

Fator crucial para a situação vem do nível elevado da Selic, que influencia diretamente o custo do crédito. Entenda

Por Einar Rivero

29/05/2024 | 7:47 Atualização: 29/05/2024 | 7:47

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Chão de fábrica. (Imagem: unai em Adobe Stock)
Chão de fábrica. (Imagem: unai em Adobe Stock)

O indicador Capex/Depreciação é uma métrica essencial para avaliar o vigor dos investimentos das empresas não-financeiras listadas na Bolsa brasileira, a B3. Ele representa a proporção entre investimentos (Capex) e a desvalorização (ou depreciação) dos bens de capital (imóveis e maquinário, por exemplo) que determinada organização já possui, o que nos dá uma visão clara de sua disposição para reinvestir em ativos produtivos.

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A análise desse indicador ao longo dos últimos quatro anos revela uma preocupante tendência de queda nos investimentos, com uma volta a patamares observados em meados de 2021, quando o mercado ainda sofria com o efeito negativo da pandemia.

A mediana do Capex/Depreciação das empresas não-financeiras alcançou seu pico mais recente em março de 2022, com 162,17%. O ambiente econômico era relativamente favorável naquele período, impulsionado pela confiança dos empresários no processo de recuperação pós-pandemia. Desde então, observamos um declínio constante na mediana do Capex/Depreciação, marcando 112,88% em março de 2024.

Imagem mostra gráfico da mediana do indicador Capex/Depreciação.
(Crédito: Einar Rivero/Elos Ayta Consultoria)

A importância do Capex/Depreciação

O Capex/Depreciação indica expansão e modernização dos ativos das empresas. Níveis de investimento maiores que os de depreciação significam que os empresários estão ampliando sua capacidade produtiva, apostando em novas tecnologias e renovando equipamentos. Trata-se de um comportamento típico de quando há confiança na economia e expectativa de crescimento.

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Um Capex/Depreciação em queda, por outro lado, sugere que o mercado está cauteloso. Em contextos de incerteza econômica, com alta da inflação, das taxas de juros e da volatilidade do mercado, as empresas tendem a ser mais conservadoras, priorizando a proteção do caixa e a redução de riscos.

Por que a mediana é relevante?

A escolha da mediana como medida estatística é particularmente relevante quando se analisa um conjunto grande e diversificado de empresas, caso das não-financeiras listadas na B3. A mediana está menos suscetível a distorções causadas por valores extremos, proporcionando uma visão mais precisa e representativa do comportamento central da amostra. Em outras palavras, ela nos oferece um retrato fiel das tendências de investimento da maioria das empresas, sem ser influenciada por algumas poucas empresas com investimentos excepcionalmente altos ou baixos.

Explicações para a queda recente do Capex/Depreciação

A atual trajetória descendente do Capex/Depreciação pode ser atribuída a diversos fatores, a começar pelo ambiente macroeconômico desafiador, marcado por políticas monetárias restritivas e por incertezas políticas que afetam diretamente o apetite por investimentos.

Um fator crucial que contribui para essa queda é o nível elevado da Selic, que influencia diretamente o custo do crédito. Quando a taxa básica de juros é alta, o custo de financiamento para as empresas aumenta, desencorajando os investimentos. Nesse contexto, os gestores tendem a cortar ou adiar gastos significativos em Capex, focando em otimizar operações e preservar dinheiro em caixa.

Isso explica em grande parte a retração nos planos de expansão das empresas, o que pode ter consequências significativas para o crescimento econômico a longo prazo. Pouco investimento em capital resulta em menor capacidade de inovação e competitividade.

Perspectivas Futuras

Para reverter essa tendência, o País precisa de um ambiente econômico mais estável e previsível, no qual as empresas sintam confiança para voltar a investir. Políticas econômicas indutoras, juntamente com a recuperação da confiança empresarial, serão fundamentais para impulsionar essa necessária recuperação do Capex/Depreciação. A redução da taxa Selic é uma ferramenta poderosa para atingirmos esse objetivo, diminuindo o custo de financiamento e incentivando investimentos.

O declínio do Capex/Depreciação na B3 reflete, em suma, um momento de cautela e incerteza entre as empresas não-financeiras e reverter essa tendência é fundamental para que o País tenha crescimento sustentável no longo prazo. Empresas e investidores precisam estar atentos a esses movimentos, pois eles fornecem pistas valiosas sobre o clima econômico geral.

Pontos fora da curva

Toda regra tem suas exceções. Em meio a um cenário econômico de incerteza e de elevação das taxas de juros, há setores da economia brasileira que demonstram resiliência notável, mantendo níveis de investimento acima da depreciação de seus ativos.

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Esses 14 setores conseguiram manter a mediana do indicador Capex/Depreciação acima de 100% em março de 2024, isto é, eles continuam apostando na expansão e modernização de seus ativos produtivos. Falamos aqui de áreas cruciais, como energia elétrica, comércio e distribuição, água e saneamento, siderurgia e metalurgia ou material de transporte.

Como quase sempre é o caso, os dados financeiros permitem conclusões diversas – e não necessariamente excludentes. No caso do índice Capex/Depreciação, há claros motivos para preocupação e o Brasil precisa reverter a atual tendência negativa para garantir uma economia mais moderna e produtiva no futuro. No entanto, mesmo em meio às dificuldades, há setores que mantém níveis satisfatórios de investimento, sinais de otimismo e confiança que os investidores não podem ignorar.

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