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Colunista

Ethereum e os contratos inteligentes: o que você precisa saber

Potencial para revolucionar transações e acordos financeiros capturou a atenção de diversos players do mercado

Criptomoedas (Imagem: Adobe Stock)
Criptomoedas (Imagem: Adobe Stock)

Enquanto as notícias sobre criptomoedas destacam os recordes históricos do preço do Bitcoin, um ativo alternativo, outrora favorito do mercado financeiro tradicional, tem recebido menos atanção. Seu nome é Ether (ETH), a segunda criptomoeda com maior valor de mercado, que já valorizou mais de 60% só este ano.

Importante destacar que Ether (ETH) e Ethereum, embora relacionados, referem-se a conceitos distintos: Ethereum é a plataforma de blockchain, enquanto Ether é a criptomoeda nativa da plataforma. Ethereum é a infraestrutura, Ether é o combustível.

“Eu chorei até dormir e naquele dia percebi os horrores que os serviços centralizados podem trazer”. Foi assim que o jovem Vitalik Buterin descreveu sua epifania, que chegou de uma forma bastante mundana: a Blizzard, criadora do jogo “World of Warcraft”, mudou arbitrariamente as características do personagem que Vitalik usava.

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Sim, o mundo centralizado pode ser realmente cruel. Talvez, por isso, ele tenha se interessado tanto e mergulhado fundo no Bitcoin, que lhe foi apresentado por seu pai.

Aos 17 anos, Vitalik, já então um programador genial, deparou-se com limitações no Bitcoin e, determinado a expandir as capacidades do sistema de criptomoedas, criou a rede Ethereum com apenas 19 anos. Sua inovação? Os contratos inteligentes que possibilitam aplicações sem fim e abrem portas para um mundo sem precedentes.

Contratos inteligentes transformaram radicalmente o cenário dos negócios digitais, graças à sua programabilidade e execução automática. Uma de suas aplicações mais inovadoras é a capacidade de condicionar o desbloqueio de fundos a eventos específicos ou condições acordadas.

Por exemplo: imagine um contrato inteligente projetado para a liberação de pagamentos apenas após a conclusão bem-sucedida de um serviço ou entrega de um produto. Este contrato poderia verificar automaticamente a satisfação das condições – como a confirmação de recebimento por parte do comprador por meio de um sistema de feedback digital – antes de transferir os fundos da parte contratante para o prestador de serviços ou vendedor.

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Esse processo assegura que os pagamentos sejam efetuados estritamente de acordo com os termos acordados, sem a necessidade de intermediários.

Esse potencial para revolucionar transações e acordos financeiros capturou a atenção de diversos players do mercado, especialmente aqueles do setor financeiro. A promessa de operações seguras, transparentes e imutáveis, sem a necessidade de intermediários, ofereceu não apenas uma nova eficiência operacional, mas também a abertura para a inovação em produtos e serviços financeiros.

Nos primeiros anos, a ideia de adotar a tecnologia blockchain sem o Bitcoin ou outras criptomoedas era sedutoramente viável – “blockchain sim, cripto não” – porém revelava um entendimento limitado sobre a interdependência entre os ativos e a tecnologia. A separação subestimava como o Bitcoin e as altcoins demonstraram o potencial prático da blockchain, um insight que se provou essencial conforme o ecossistema cripto evoluiu.

A criação de aplicações descentralizadas (dApps), produtos financeiros descentralizados (DeFi) e uma infinidade de outros usos que estão transformando radicalmente o ecossistema financeiro global só foram possíveis porque os criptoativos têm valor.

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Portanto, os contratos inteligentes se estabeleceram não apenas como uma característica inovadora do Ethereum, mas também como o catalisador para uma onda de inovação que atraiu a atenção de todo o mercado financeiro, marcando o início de uma era de transformações profundas no setor.

A introdução da blockchain do Ethereum desbloqueou o universo dos tokens como hoje conhecemos, abrangendo uma vasta gama que vai desde as stablecoins – experimento mais bem-sucedido de tokenização do próprio dólar americano – até recebíveis, créditos de carbono, direitos relacionados ao futebol e também os controversos NFTs, todos fundamentados em tecnologias trazidas pelo Ethereum.

Sendo assim, essa inovação pavimentou o caminho não só para uma diversidade de criptomoedas presentes atualmente no mercado, mas catalisou uma série de outras inovações no universo descentralizado.

As Ethereum Virtual Machines (EVMs) revolucionaram o conceito de descentralização, posicionando a rede Ethereum distinta e mais abrangente que a do Bitcoin, o precursor da blockchain. Enquanto a cripto mais famosa do mundo foca na transferência de valor digital de forma descentralizada, Ethereum expande essa noção permitindo a tokenização e transação de quase qualquer coisa, sem necessidade de intermediários, abrindo portas para uma nova era de aplicações descentralizadas.

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Esse potencial não apenas capturou o interesse de participantes privados no cenário financeiro global, mas também atraiu a atenção de entidades governamentais. Um exemplo notável é o conceito de Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs), com o Drex do Banco Central do Brasil emergindo como um dos pioneiros mais significativos, um desenvolvimento que só se tornou viável através dessa revolucionária tecnologia.

Agora imagine-se à frente desta onda de inovação. Se você é um profissional do mercado financeiro ou do mercado de capitais, espero que nada disso seja novidade para você e esse universo todo já seja parte do seu cotidiano, ao menos como um plano concreto. Enquanto investidor, a oportunidade está na mesa. A aprovação dos ETFs do ETH abrirá novos caminhos para investidores institucionais, podendo repetir o sucesso dos ETFs de Bitcoin que acompanhamos nesse primeiro trimestre de 2024.

Diante deste cenário promissor e do potencial disruptivo do Ether e da rede Ethereum, a decisão é clara: comprar ETH agora é mais do que um investimento; é uma aposta no futuro das finanças descentralizadas. Uma carteira conservadora dentro do mundo cripto é algo como 60% de Bitcoin e 40% de Ether. Não perca a oportunidade de ter ao menos esses ativos em seu portfólio.

É algo raro, mas que o mundo cripto proporciona: ver o futuro se desdobrar diante de nossos olhos e poder se beneficiar financeiramente desse movimento.

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Com a evolução constante da plataforma, marcada por atualizações significativas e a crescente adoção de DeFi e NFTs, o Ether se posiciona como um investimento potencialmente valioso e diversificado. Para investidores atentos às oportunidades que o vasto ecossistema cripto oferece, explorar o Ethereum pode não apenas ampliar horizontes financeiros mas também participar ativamente do futuro da economia digital. Diante disso, considerar o ETH em seu portfólio é mais do que uma decisão financeira; é um passo em direção ao novo paradigma da web descentralizada.

As opiniões dos colunistas não representam necessariamente a posição do E-Investidor

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