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Colunista

Os novos bilionários da Faria Lima serão os ‘donos’ de FIDCs

Combinação de fatores forma o cenário ideal para que os FIDCs sejam os protagonistas no sistema financeiro

Por Fabrizio Gueratto

22/05/2025 | 14:45 Atualização: 22/05/2025 | 14:45

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O investidor precisa colocar a geopolítica na conta, porque ela impacta diretamente as estratégias, os ativos e os retornos das aplicações do mercado financeiro. (Foto: Adobe Stock)
O investidor precisa colocar a geopolítica na conta, porque ela impacta diretamente as estratégias, os ativos e os retornos das aplicações do mercado financeiro. (Foto: Adobe Stock)

Nos próximos 5 anos, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) caminham para se tornar o negócio mais rentável da Faria Lima, pelo menos do ponto de vista de velocidade de crescimento e rentabilidade. E isso não sou só eu que estou dizendo. A combinação de fatores como a demanda reprimida por crédito, presença de poucos players no mercado, alta rentabilidade para gestoras e investidores, além de menores custos e burocracia em comparação com outros produtos financeiros, formam o cenário ideal para que os FIDCs se consolidem como protagonistas no nosso sistema financeiro. Claro que crédito tem o seu grau de risco e é neste momento que os homens são separados dos meninos. O mercado sabe as gestoras que são sérias e as que tomam risco além do que deveria.

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Um ponto fundamental para entender o que está acontecendo é a tão falada desbancarização, um tema que vem sendo discutido há anos, mas que, na prática, nunca havia se concretizado no Brasil. O crédito permaneceu, historicamente, concentrado nas mãos dos 5 maiores bancos, que controlavam quase todas as operações e ditavam as condições do mercado.

Porém, essa realidade está mudando. O crédito enfim está “descendo” para diversas gestoras e, principalmente, migrando para o mercado de FIDCs. Não, não estou falando apenas da Faria Lima. As empresas do sul do Brasil, centro-oeste e Nordeste, por exemplo, têm crescimento superior a 100% ao ano no volume de ativos sob gestão. Segundo dados da Ouro Preto Investimentos, o crescimento dos FIDCs será tão expressivo que o patrimônio do setor deve alcançar a impressionante marca de R$ 1 trilhão já em 2025 – e há projeções ainda mais otimistas para 2030.

Gestoras de FIDCs conhecem a fundo seus clientes

Essa ascensão não ocorre por acaso. O aumento da taxa Selic nos últimos anos tornou os FIDCs extremamente competitivos em relação às taxas praticadas pelos bancos, com uma diferença fundamental: a proximidade com o cliente. Enquanto os grandes bancos operam com estruturas distantes e processos engessados, as gestoras de FIDCs conhecem a fundo os seus clientes, suas carteiras e necessidades, ou seja, estão mais próximas, são mais ágeis e mais eficientes. Mas a questão chave aqui é que os FIDCs possuem por natureza uma estrutura que elimina intermediários e reduz drasticamente a burocracia e operam com maior flexibilidade e menores custos.

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Para as empresas, especialmente as pequenas e médias, que historicamente enfrentam enormes barreiras para acessar crédito, os FIDCs representam uma solução mais rápida, personalizada e acessível. Além disso, existe hoje uma demanda reprimida gigantesca de empresas que não conseguem ou não querem mais depender exclusivamente dos bancos. Isso cria um mercado com espaço praticamente ilimitado para expansão. Há também poucos players especializados e com capacidade operacional para estruturar, analisar e operar carteiras de FIDCs com qualidade e segurança, o que confere ainda mais valor a quem já está posicionado nesse segmento.

Outro ponto a se analisar é que a renda fixa sempre foi o melhor investimento no Brasil. Quando comparamos a rentabilidade da renda fixa tradicional como títulos públicos com a renda variável ao longo dos últimos 20 anos, a renda fixa sempre saiu vencedora. Isso ocorre por características específicas da economia brasileira: taxas de juros historicamente altas, volatilidade política e cambial, além de uma cultura de aversão ao risco. Agora, pensemos: se a renda fixa sempre superou a bolsa de valores e os fundos imobiliários, imagine o que acontece quando falamos de FIDCs?

Rentabilidade maior: nova renda fixa?

A maior parte dos FIDCs trabalha com crédito privado que, por sua própria natureza, precisa oferecer uma rentabilidade maior do que o Tesouro Direto ou os CDBs tradicionais, justamente para compensar o risco de crédito. Portanto, o FIDC se posiciona como a nova renda fixa do Brasil, oferecendo retornos superiores aos da renda fixa tradicional, com risco controlado e estrutura regulada. Em outras palavras,  o FIDC é uma renda fixa turbinada, então ele será, inevitavelmente, o produto mais rentável da Faria Lima nos próximos anos.

Engana-se quem pensa que esse movimento é uma tendência passageira – é uma transformação estrutural. O Brasil finalmente está vivendo o processo de desbancarização. As gestoras especializadas em FIDCs vão se tornar algumas das empresas mais rentáveis do setor financeiro brasileiro, justamente por operarem em um nicho altamente lucrativo, com poucos concorrentes, alta demanda e enorme eficiência. Por tudo isso, não tenho dúvida: o FIDC será o negócio mais rentável da Faria Lima pelos próximos cinco anos. E quem entender isso agora terá uma vantagem estratégica incomparável.

Aqui na Gueratto Press, quando falávamos com os jornalistas sobre FIDCs, 90% não sabiam nem o que era. Hoje, apesar de estarmos longe do ideal, conseguimos colocar na pauta dos principais veículos de comunicação o tema e o maior beneficiado é o investidor, que hoje pode ter acesso com pouco dinheiro a um produto que era focado no player qualificado até pouco tempo atrás. A onda está apenas no começo ainda. Acredite, os próximos bilionários da Faria Lima serão os “donos” dos FIDCs.

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