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Colunista

OPINIÃO. Governo Lula não tem mais como reverter a desaprovação

O governo enfrenta desafios econômicos sem apresentar soluções concretas, e os juros altíssimos estrangulam o crescimento e afastam investidores

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil.

A desaprovação do governo Lula segue em crescimento acelerado e para mim já alcançou um patamar que parece irreversível. Desde janeiro, a rejeição subiu 7 pontos, alcançando preocupantes 56%. No Nordeste, historicamente um dos maiores redutos petistas, o índice de desaprovação saltou 9 pontos, chegando a 46%. Esses números evidenciam um desgaste profundo da gestão atual, e essa é uma realidade que o governo não consegue mais esconder ou contornar.

O governo enfrenta uma série de desafios econômicos sem apresentar soluções concretas. Os juros altíssimos estrangulam o crescimento, encarecem o crédito, dificultam investimentos e afastam investidores. E o governo? Não demonstra capacidade de articulação para resolver essa crise. O Congresso, que deveria ser um espaço de negociação estratégica, virou um campo minado para Lula e sua equipe. Sem habilidade política, a gestão petista acumula desgastes e perde cada vez mais força, impedindo avanços significativos no Congresso e gerando sucessivos desgastes com sua base aliada.

Outro ponto crítico é a comunicação desastrosa do governo. O episódio do PIX é a prova disso. Em vez de esclarecer e controlar a narrativa, o governo permitiu que a polêmica crescesse, reforçando a percepção de desorganização e despreparo. A impressão que fica é de um governo perdido, sem estratégia e sem controle sobre sua própria imagem.

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O Nordeste, região onde o PT sempre teve ampla vantagem eleitoral, agora apresenta sinais claros de insatisfação. A queda na aprovação nesse reduto histórico é um alerta gravíssimo para o futuro político do governo. Se nem mesmo os programas assistencialistas e os investimentos emergenciais são capazes de segurar o eleitorado nordestino, significa que o desgaste é profundo e irreversível.

E não adianta tentar mudar o jogo, jogando dinheiro na economia. O governo pode gastar horrores nos próximos meses – e provavelmente vai –, mas isso não será suficiente para recuperar a popularidade. O eleitorado parece cada vez mais distante da gestão petista, e o tempo para uma reviravolta se esgota rapidamente.

Além disso, a  baixa qualificação dos ministros compromete a eficiência da administração. Fernando Haddad, que poderia ser o sucessor natural de Lula, caso a economia fosse bem, enfrenta resistência dentro do próprio governo. Sua gestão na Fazenda tem sido duramente criticada, e mesmo que ele não possa sair do cargo sem agravar ainda mais a crise política e econômica, está sendo progressivamente enfraquecido.

Diante desse cenário, o Brasil se encaminha para uma mudança de rumo inevitável nas próximas eleições; a direita e o centro-direita se fortalecem para as próximas eleições. Nomes como o de Tarcísio de Freitas despontam como alternativas viáveis para a sucessão, e a tendência é de que, no eventual segundo turno, todos os candidatos desse espectro político se unam contra o PT e o presidente Lula. Isso aumenta consideravelmente as chances de um governo mais liberal assumir o poder, trazendo expectativas de recuperação econômica, redução dos juros e um ambiente mais favorável para a renda variável e os investimentos.

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