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OPINIÃO. Isenção no Imposto de Renda não é almoço grátis

Se não for devidamente analisada, a proposta de isenção do IR pode trazer graves consequências para economia

Por Fabrizio Gueratto

20/03/2025 | 15:34 Atualização: 21/03/2025 | 9:51

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Proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais é uma medida populista. (Foto: Adobe Stock)
Proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais é uma medida populista. (Foto: Adobe Stock)

Quando o governo apresenta uma medida que promete isentar milhões de brasileiros do Imposto de Renda 2025, é difícil não se empolgar. Afinal, quem não gostaria de ver um alívio no bolso, especialmente para as classes média e baixa, que muitas vezes se sentem sobrecarregadas por tributos?

Leia mais:
  • Como vai funcionar a taxação de dividendos para bancar isenção de IR até R$ 5 mil?
  • Quando vai passar a valer a Isenção do IR até 5 mil?
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Porém, a proposta de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais, apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é uma medida populista que esconde custos elevados para os cofres públicos, para a credibilidade fiscal do país e para as contas públicas. Afinal, se não for devidamente analisada, pode resultar em graves consequências para a economia.

O que muda com a isenção do Imposto de Renda?

A proposta é simples, mas impactante: para aqueles que ganham entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, haverá descontos progressivos, reduzindo o valor a ser pago. Em contrapartida, o governo pretende aumentar a tributação para quem ganha acima de R$ 50 mil mensais, com alíquotas progressivas que podem chegar a 10% para aqueles com rendimentos anuais acima de R$ 1,2 milhão.

A medida promete impactar principalmente os mais ricos, que, em muitos casos, pagam menos impostos devido a rendimentos provenientes de fontes isentas, como dividendos. Mas é importante lembrar aqui que essa medida em outros países levou apenas a uma fuga de capital.

  • Veja também: IR 2025 – Super-ricos se preparam para primeira declaração com nova taxação de lucros em paraíso fiscal

A primeira coisa que precisamos entender é que a medida de isenção do IR, se aprovada, beneficiará cerca de 10 milhões de pessoas, mas custará aos cofres públicos uma perda de arrecadação estimada em R$ 27 bilhões só em 2026. O governo, ao abrir mão dessa arrecadação, enfrenta um desafio: como compensar essa perda em um momento em que já enfrenta um déficit fiscal crescente? Afinal, a perda de arrecadação da classe média e baixa ainda precisa ser compensada.

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Para mim, a resposta é clara: ao priorizar medidas populistas em ano eleitoral, o governo coloca em risco a recuperação fiscal e a estabilidade econômica do país. A economia brasileira já enfrenta desafios como inflação alta, baixo crescimento e juros elevados. A isenção do Imposto de Renda, sem um controle adequado dos gastos públicos, é uma estratégia arriscada. O aumento das despesas, com previsão de mais gastos para o ano seguinte, agrava ainda mais o cenário fiscal.

Impacto da isenção nos cofres públicos

Embora a medida populista possa agradar a alguns, ela gera um custo elevado para as contas públicas, colocando em risco a saúde financeira do país. Entretanto, o maior erro não está só na perda de receita, mas na falta de uma estratégia clara para lidar com o déficit crescente. Quando se perde uma quantia tão grande de dinheiro, a resposta deveria ser a contenção de gastos. Mas, em vez disso, o governo segue ampliando suas despesas, sem a preocupação de garantir que a conta seja fechada no final do mês. E isso, meus amigos, é uma bomba fiscal prestes a estourar.

Não podemos negar que a isenção do Imposto de Renda 2025 tem um apelo imediato. Mas, ao mesmo tempo, sabemos que o “almoço grátis” que ela promete não é sustentável a longo prazo. Essa “generosidade” tem um preço. Ao não cortar gastos e ao abrir mão de uma receita bilionária, o governo coloca em risco a estabilidade das contas públicas, a confiança dos investidores e das agências de classificação de risco, tornando o Brasil mais vulnerável a crises econômicas, o que pode resultar em um aumento do prêmio de risco-país, desvalorização da moeda e pressões inflacionárias adicionais.

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