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Colunista

A Equidade Racial e o ESG Brasileiro

Protocolo ESG Racial visa promover a equidade racial no mercado de trabalho

Por Fernanda Camargo

06/08/2021 | 15:28 Atualização: 06/08/2021 | 20:54

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(Foto: Evanto Elements)
(Foto: Evanto Elements)

(Fernanda Camargo e Camilla Reichmann) – Em seu último livro, “A Tirania do Mérito”, o professor de filosofia política da Universidade de Harvard Michael Sandel debate porque a crença de que o esforço individual é o grande motor do sucesso somente amplia o abismo social, estimula a polarização e impede que as sociedades sejam mais solidárias. No preenchimento de vagas de emprego, mérito conta por dois motivos: eficiência e justiça. Seria errado discriminar o mais qualificado com base em preconceito de raça, religião ou sexo. Um sistema econômico que recompensa o esforço e o talento tem a probabilidade de ser mais produtivo. A ideia de que nosso destino está nas nossas mãos, que nosso sucesso depende só de nós, afirma certa ideia de liberdade.

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Segundo Sandel, apesar de inspirador, o princípio do mérito pode tomar caminhos tiranos. O lado negativo do ideal meritocrático está embutido em sua promessa mais sedutora, a de domínio e a de vencer pelo próprio esforço. Uma coisa é responsabilizar as pessoas por agirem de acordo com a moral, outra coisa é pressupor que somos, cada um de nós, totalmente responsáveis por nossa sina. Na visão contemporânea, riqueza significa talento e trabalho árduo e pobreza significa apatia. Aqueles que defendem a desigualdade com base na meritocracia ignoram que certos talentos – decisivos para o sucesso em diversas áreas – e o fato de eles serem valorizados em uma certa sociedade não são mérito de quem os possui, e sendo assim, pensar no mérito como um critério de justiça seria algo falho.

Há 15 anos, estava no escritório tarde da noite estudando e ouvi alguém cantando. Era a Severina Gomes. Ela trabalhava como faxineira e chegava no final do dia e trabalhava até quase meia noite. Severina tinha mais de 40 anos e trabalhava para ajudar o marido e manter os 3 filhos. Na infância, sua família trabalhava num engenho na zona rural em Pernambuco. Como muitos, veio para São Paulo em busca de trabalho. Quando a conheci, ela tinha conseguido uma bolsa para estudar Ciências Contábeis. A primeira coisa que ela fez quando nos conhecemos, foi tentar me ajudar com contabilidade e pediu para seu professor me ligar. Meses depois, quando me disse que podia perder a bolsa, me virei com os colegas do escritório e a ajudamos a continuar seus estudos. Sempre mantivemos contato. Anos depois, recebi uma ligação sua, muito feliz por ter montado uma empresa de transportes e conseguido comprar sua casa própria.

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Conheci a Selma Moreira em 2017. Cheia de ideias, de curiosidade e com uma simpatia sem fim, me contou sobre o Fundo Baobá e os projetos de inclusão. Selma começou como vendedora de catálogos e junto com a mãe fazia vendas porta a porta em sua comunidade. Seu primeiro emprego formal foi em uma loja do Walmart em Osasco. Cresceu lá dentro e se tornou responsável administrativa pelo Instituto Walmart. Saiu para tocar a Fundação Alphaville, depois foi para a incubadora da FGV e hoje é a diretora executiva do Fundo Baobá de Equidade Racial.

Criado em 2011, o Fundo Baobá para Equidade Racial é uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo mobilizar recursos, apoiando projetos que promovam a equidade racial no Brasil e no exterior. A ideia do fundo surgiu de conversas entre a Fundação Kellogg e o movimento negro brasileiro como um modelo filantrópico inovador para apoiar organizações negras.

Recentemente, meu amigo Gilvan Bueno, veio tomar um café aqui em casa e contar sobre seus projetos. Gilvan é uma dessas pessoas que aprenderam que não existe o impossível e que se pode sonhar alto. Começou como garçom, mas decidiu que iria atrás de seu sonho. Foi estudar, trabalhou em grandes bancos, foi atrás de certificações e de cursos. Hoje é membro da comissão de finanças do Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro, é membro do comitê de investimentos do fundo Baobá de Igualdade Racial. Sócio fundador da Financier Educação S/A. é atualmente é gerente de estratégia corporativa na Órama. Eu vivo repetindo que ele não pode parar. O que ele está fazendo é exemplo para milhões de outros.

Meu lugar de fala não é o mesmo da Severina, da Selma ou do Gilvan. Sou branca e nasci em uma família privilegiada. Sendo assim, minha visão tem limitações. Trabalho todos os dias por uma sociedade mais justa, mais diversa e com menos desigualdades. Me inspiro e aprendo muito com essas pessoas. Gostaria de ter infinitas histórias como essas para contar. A verdade, porém, é que eles ainda são a exceção.

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Segundo dados do IBGE, atualmente os negros representam 56,1% da população brasileira. Porém, quando falamos de escolaridade e mercado de trabalho, eles seguem como minoria. Em 2018, negros representavam 64,2% da população desempregada do país. Daqueles que integravam o mercado de trabalho, 47,3% atuavam na informalidade. Dados apresentados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em 2017 mostram que apenas 9,3% dos negros com 25 anos ou mais tinham ensino superior completo, enquanto na população branca o percentual chegava a 22,9%.

Segundo o Instituto Ethos, quando falamos de cargos executivos, apenas 4,7% das posições dentre as 500 empresas brasileiras de maior faturamento são compostas por negros. Os altos índices de desigualdade e instabilidade social do Brasil se dão pela ausência de políticas de inclusão, racismo estrutural e a baixa qualidade da educação pública no País.

Um dos grandes obstáculos que se apresenta para a formação de profissionais negros é a baixa qualidade da educação pública, que figura entre as piores do mundo segundo dados da OCDE. A educação não é a resposta apenas para a luta contra o preconceito. Um ensino de qualidade é a porta de entrada no mercado de trabalho e uma oportunidade para a redução da desigualdade. “Quanto menos conhecimento intelectual e educacional você tem, menos renda você terá e, com isso, você perde a capacidade de competir por melhores oportunidades financeiras e alocação no mercado”, diz Gilvan Bueno.

Sempre se acreditou que as ações afirmativas eram de responsabilidade do Estado. A crescente exigência de critérios ESG (Enviromental, Social & Governance) por parte de investidores no mundo todo levará empresas brasileiras a investir na formação e qualificação de profissionais negros para que tenhamos diversidade racial em todos os níveis hierárquicos.

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Lançado em julho deste ano, o Pacto de Promoção da Equidade Racial, tem como objetivo incentivar a adoção de ações afirmativas e a realização de investimentos sociais voltados à melhoria da qualidade da educação pública e a formação de profissionais negros. A ação traz a questão racial para o centro do debate econômico brasileiro e atrai a atenção de grandes empresas para o tema.

O Pacto, que será gerido pela Associação de Promoção da Equidade Racial, foi desenvolvido durante um ano por um grupo de mais de 140 pessoas, incluindo representantes da comunidade negra, especialistas financeiros e em ESG (Environmental, Social and Governance), acadêmicos, professores, advogados, pesquisadores e profissionais do terceiro setor e propõe implementar um novo Protocolo ESG Racial no Brasil. Na medida em que levarão as empresas a revelarem a composição por raça e gênero de seus quadros, os critérios ESG podem contribuir para uma mudança estrutural no Brasil no que tange à equidade racial no mercado de trabalho, em cargos de gestão e de liderança.

O Pacto desenvolveu um roteiro claro do que fazer diante dessa nova demanda no Brasil. O processo de adesão das empresas é totalmente voluntário e gratuito e acontece por meio da assinatura de um Termo de Parceria com a Associação. Dessa forma, com base nas premissas do Pacto, o Índice ESG de Equidade Racial (IEER) será calculado com o apoio de uma empresa certificadora que mede o desequilíbrio racial em termos de renda destinada a profissionais negros dentro das organizações, quando comparado ao percentual de negros economicamente ativos na região em que a empresa atua.

Proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos visa proteger e amparar qualquer um, independente de raça, cor, sexo, religião, política e riqueza. O Artigo I da mesma, deixa claro que “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Para que essa afirmação possa de fato fazer sentido deveríamos ter as mesmas oportunidades.

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Em um mundo onde a meritocracia não é sinônimo de oportunidades iguais, especialmente para os negros no Brasil, a educação ainda é o ponto de partida e as empresas não devem se eximir da responsabilidade de preencher as lacunas deixadas pelos séculos de opressão e injustiça social.

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