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Colunista

Aos traumatizados do Master, há alternativa – e não é outro CDB

Caso do Banco Master expõe riscos ignorados em CDBs e reforça a importância de entender crédito privado antes de investir

Por Luciana Seabra

10/02/2026 | 14:43 Atualização: 10/02/2026 | 14:52

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Luciana Seabra diz como investir melhor no mercado financeiro sem levar em conta dos CDBs. (Imagem: Werther Santana/Estadão)
Luciana Seabra diz como investir melhor no mercado financeiro sem levar em conta dos CDBs. (Imagem: Werther Santana/Estadão)

A liquidação do Banco Master fez muita gente olhar para o que nunca devia ter deixado de ver: o risco de um ativo de crédito privado. Recebi perguntas nos últimos meses na linha “o que exatamente é isso em que investi?”, “e agora? Será que vão pagar?”.

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Chegaram ao meu Instagram mensagens desesperadas de pessoas que tinham investido a reserva de emergência – o dinheiro que precisa estar disponível a qualquer momento – em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Master. E que, precisando dos recursos, perderam o sono com a falta de previsibilidade sobre o pagamento.

É inegável que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) fez bem seu trabalho de trazer conforto para investidores. Muitas pessoas se fiavam cegamente nessa garantia. Várias delas, entretanto, ficou claro para mim, não entendiam exatamente como uma liquidação funciona. E especialmente não tinham compreendido que poderiam ficar sem acesso aos recursos por um período em caso de problema com o crédito.

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Ao menos o episódio deixou um ensinamento claro: investir em CDB significa emprestar dinheiro para alguém. E, assim como quando emprestamos recursos a um familiar ou a um amigo, vale levar em conta o risco de não pagamento. Ou o atraso. Ainda mais se os juros prometidos forem altos demais. Como bem ensinou a nossa avó, quando a esmola é grande, o santo desconfia.

No mínimo para a reserva de emergência – reforço, o dinheiro que pode ser necessário a qualquer momento – não faz sentido correr tal risco, de ficar um tempo sem acesso aos recursos.

Para esse dinheiro, prefiro o bom e velho título público Tesouro Selic, no qual invisto por meio de fundos taxa zero, disponíveis em várias corretoras. Para o dinheiro de curto prazo, a antecipação de imposto do come-cotas que acontece no fundo pesa menos do que a taxa de custódia da B3, de 0,2% ao ano, incidente no Tesouro Direto.

Prefiro o título público inclusive ao CDB de banco grande, que tende a pagar muito próximo à Selic. E aí fica a dúvida: para que correr risco de crédito? Agora, o CDB que paga retornos exorbitantes esse definitivamente não carrega risco compatível com uma reserva de emergência.

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E para o dinheiro com um horizonte um pouco maior, de pelo menos seis meses? Para esse, já considero o risco de crédito privado um bom ingrediente na construção de carteira. Se houver um problema de pagamento, você consegue esperar que ele seja resolvido, sem perder o sono.

Aqui, entretanto, aparecem outros problemas. As mensagens de desespero que recebi de pessoas que tinham investido em CDBs do Banco Master sinalizam que elas haviam concentrado uma parte relevante de seus recursos no ativo. E que também não tinham ideia do que fazer diante das notícias ruins. Pânico e investimento, sabemos, não combinam.

Crédito privado é muito mais complicado do que faz parecer quem costuma oferecer um CDB

A verdade é que crédito privado é muito mais complicado do que faz parecer quem costuma oferecer um CDB, uma debênture, um Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA) ou um Certificado de Recebível Imobiliário (CRI). Os três últimos ainda mais, dado que esses ativos sequer têm o respaldo do FGC.

Para entender o risco incorrido, é preciso analisar a capacidade de pagamento do emissor. Além disso, cabe ser humilde e entender que você pode errar. E, por isso, avaliar também as garantias e diversificar em vários ativos, de diferentes instituições e setores, a fim de reduzir o impacto dos erros. Por fim, é preciso conhecer os seus direitos e ter capacidade de agir no pior cenário.

Parece ambicioso demais acreditar que uma pessoa física que sequer trabalha no mercado financeiro, quanto mais é especialista em crédito privado, é capaz de fazer essa análise tão complexa.

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É por isso que minha forma favorita de investir nesse segmento é por meio de bons fundos de crédito privado – e é o que recomendo aos meus clientes.

Não que gestores profissionais estejam isentos de comprar um crédito que dê errado. Alguns até compram depois que o problema aconteceu, ao considerar que o pânico de investidores levou a uma fuga exagerada do ativo e ele ficou barato demais dada a perspectiva de solvência. Mas esse é outro assunto, de um nicho que tem se desenvolvido no Brasil e também traz oportunidades.

O fato é que bons fundos de crédito chegam a ter mais de 100 ativos, de diferentes emissores, setores e prazos de vencimento. Se cada um desses títulos concentra 1 ou 3% do patrimônio investido, por exemplo, é evidente que o risco de ruína é menor.

Além disso, gestores relevantes conseguem negociar melhor os prêmios das emissões e também as garantias para o caso de algo dar errado. E também têm mais conhecimento, acesso e poder para negociar com o emissor em caso de inadimplência. Alguns têm advogados em suas equipes ou contratam escritórios qualificados para conduzir processos judiciais e tentar reverter o dano.

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Sim, o fundo tem taxa de administração. O serviço do gestor profissional precisa ser pago, assim como o de um bom médico e advogado. E, não, nem todos os gestores são bons, como em qualquer profissão. É preciso escolher corretamente.

Um bom fundo de crédito é aquele gerido por uma equipe experiente e em que o retorno, mesmo depois de taxa de administração e impostos, compensa em janelas de pelo menos seis meses. Nele, você não perde o sono. Um porque sabe que os recursos estão diversificados. E dois porque está ciente de que, se algum problema acontecer, uma equipe profissional vai representar você em busca da solução.

Essa é minha forma favorita de investir no segmento, por meio de uma composição de bons fundos de crédito. A sua pode ser diferente. O mais importante é entender e respeitar o risco de crédito privado.

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