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Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Research e colunista do E-Investidor

Tudo sobre Renda Fixa

Marilia Fontes é sócia-fundadora da Nord Research e possui 12 anos de experiência de mercado financeiro. Trabalhou como gestora de renda fixa e câmbio em gestoras como Itaú, Mauá e Kondor, em fundos de até R$ 2 bilhões, com operações nacionais e internacionais. Na Empiricus, ela foi a analista fundadora e responsável pelos relatórios: Tesouro Empiricus e Empiricus Renda Fixa. Marilia é mestre em Economia pelo Insper e autora do livro “Renda Fixa NÃO é fixa!”
Twitter: @mariliadf2

Escreve na terceira sexta-feira de cada mês

Marilia Fontes

O fim dos juros baixos no mundo. A sua carteira está preparada?

Ritmo acelerado de vacinação nos EUA alerta para um risco real de sobreaquecimento da economia e inflação

Curva de juros ascendente (Foto: Evanto Elements)
Curva de juros ascendente (Foto: Evanto Elements)
  • O risco de alta nos preços irá obrigar o Fed a retirar os estímulos monetários e reverter a compra de títulos
  • Após 40 anos de tendência cadente da taxa de juros considerada "livre de risco" no mercado mundial, podemos finalmente estar diante de uma reversão

Em 2008, estourou nos Estados Unidos uma crise financeira brutal, que contaminou a economia do mundo todo. O juro americano foi reduzido a zero e mesmo assim a economia rumava para uma grande depressão.

Como reação à crise, o Federal Reserve inventou um programa de estímulos monetários jamais visto: o Quantitative Easyning, ou QE para os íntimos.

O QE era basicamente um programa de recompra de títulos do governo americano e títulos de crédito securitizados. Essa recompra comprimia as taxas da curva de juros de prazos mais longos, assim como provia liquidez ao mercado de crédito público e privado.

O resultado dessa política de compressão generalizada de taxas foi a valorização nos preços dos ativos, aumento de confiança, liquidez brutal no sistema financeiro e busca por investimentos mais arriscados.

A melhora também transbordou para a economia real, mas em forma de uma recuperação lenta, desigual e frágil. Ao contrário do que muitos economistas alertaram, a impressão monetária e aquecimento da atividade não gerou nenhuma inflação. E o início da retirada dos estímulos jogou a economia de volta para baixo.

Esta era a realidade do mundo até o ano passado: estímulos, crescimento baixo, liquidez global, queda de juros e alta nos preços dos ativos.

Mas em 2020 algo mudou! Chega no mundo a maior e mais cruel pandemia da história. Países inteiros foram obrigados a fecharem suas economias para proteger a população. Cadeias produtivas foram quebradas, empregos foram exterminados, saúde se tornou uma barreira.

O mercado rapidamente entrou em modo “pânico”, se livrando de todos os ativos de risco, frente a incerteza de não saber no que aquilo tudo iria dar. Ações viraram pó, circuit breakers entraram no jogo, moedas emergentes se desvalorizaram e o crédito secou.

Diante de um novo cenário desafiador, e novamente sem espaço algum para política monetária estimulativa, o governo americano decidiu atacar a crise de uma forma diferente: através de uma expansão fiscal sem precedentes.

Dois trilhões foram injetados na economia e, dentre outras formas, tivemos vouchers diretamente transferidos aos mais necessitados. Isso mudou tudo!

Essa foi a primeira vez que vimos um pacote fiscal tão amplo e relevante. Até então, os recursos dos QEs iam para os detentores de títulos públicos e privados, ou seja, para os poupadores. Valorizar o patrimônio dos poupadores não gerou mais consumo de forma consistente, afinal, quem já tem recursos não vai aumentar tanto seu nível de gasto.

Já o estímulo fiscal teve um efeito diferente. O dinheiro foi transferido diretamente para a mão da população de baixa renda. População essa que tem um consumo proporcionalmente maior em relação à renda.

Aí estava a grande diferença! O estímulo monetário beneficiou os mais ricos, enquanto o fiscal beneficiou os mais necessitados.

O resultado dessa política também se mostrou bem diferente. Observamos, nos dados, a mais rápida recuperação econômica já vista na história. Enquanto em 2008 o desemprego demorou 10 anos para retornar a níveis pré-crise, as estimativas para o retorno dos EUA ao nível de desemprego anterior giram em torno de apenas 2 anos. Dados de produção industrial, vendas no varejo e PIB mostram níveis impressionantes de atividade.

Além disso, o novo governo de Joe Biden pressionou o Congresso a aprovar um novo pacote de 1,9 trilhão de dólares. Novos vouchers serão distribuídos em cima de uma economia já em recuperação. Somado a isso teremos nos próximos meses a finalização da vacinação em massa com o retorno da população à normalidade.

Temos um risco real de sobreaquecimento da economia e inflação!

Não diria que o cenário esperado é de hiperinflação. Mas o risco de alta nos preços irá obrigar o Fed a retirar os estímulos monetários e reverter a compra de títulos. Ou seja, exatamente o que mantinha as taxas de juros longos em patamares artificialmente baixos.

O próprio risco inflacionário já seria o suficiente para levar o mercado a pedir mais prêmio nessas curvas de juros, fato esse que já está acontecendo. Desde a vitória de Biden, e de seu programa agressivo de estímulos, estamos vendo os juros americanos de 10 anos subirem.

Após 40 anos de tendência cadente da taxa de juros considerada “livre de risco” no mercado mundial, podemos finalmente estar diante de uma reversão. Vale lembrar que a queda dos juros trouxe diversos efeitos colaterais para a economia e os mercados: busca por ativos de risco, aumento de investidores no mercado, empreendedorismo de fé, múltiplos esticados, liquidez, e o mais importante de todos: alavancagem!

É preciso estar muito atento à possibilidade de reversão deste cenário. Podemos entrar em um mercado que é diferente do que todos os gestores recentes já vivenciaram. E você, como investidor, deve se perguntar: será que a minha carteira está preparada para isso?

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