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Os riscos da dependência comercial entre Brasil e China

A relação entre os dois países possui um termômetro específico: a exportação de soja

Por Thiago de Aragão

16/08/2023 | 13:20 Atualização: 16/08/2023 | 13:20

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Foto: CNA Triluz/ Wenderson Araujo
Foto: CNA Triluz/ Wenderson Araujo

A China é o maior importador de soja do mundo, enquanto o Brasil é o maior exportador global da oleaginosa. Em 2023, os chineses importaram 101,6 milhões de toneladas da commodity, representando 76,2% das exportações brasileiras do produto. O setor sojeiro ajuda a manter a balança comercial brasileira superavitária.

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A relação entre Brasil e China possui várias facetas e vários ângulos diferentes. Enquanto a relação política varia de intensidade de acordo com o governo do momento no Brasil, a relação econômica e comercial segue crescente em diversas áreas que vão desde o agronegócio à energia, à mineração e a bens manufaturados. No entanto, toda a relação entre Brasil e China possui um termômetro específico que demonstra a solidez do momento que ela vive: a exportação de soja.

A soja brasileira não representa somente o nosso principal produto de exportação, um elemento crítico para a nossa balança comercial, como tornou-se também o termômetro necessário para se medir a condição e o crescimento econômico chinês. Explicando: o farelo de soja alimenta animais que se tornam alimentos para centenas e centenas de milhões de chineses; a variação do crescimento econômico local é refletido na oferta e no preço dos alimentos, e na demanda, consequente, de mais ou menos soja brasileira.

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Em 2023, a balança comercial brasileira experimentou um superávit de US$ 88,8 bilhões de dólares, e a exportação do grão foi um dos principais fatores que contribuíram para esse resultado. A soja importada é geralmente processada em farelo para ração animal.

A China importou 62,3 milhões de toneladas de soja nos primeiros sete meses deste ano. Isso representa um aumento de 15% em relação ao ano passado, segundo dados oficiais. Somente em julho, as importações do grão atingiram 9,73 milhões de toneladas. O número está abaixo das 10,27 milhões de toneladas importadas em junho.

Entretanto, o volume é maior do que as 7,88 milhões importadas no mesmo mês de 2022, segundo dados da Administração Geral da Alfândega da China. O valor por tonelada das importações aumentou 1,3% — em relação ao ano anterior, nos primeiros sete meses –, para 4.334,6 yuans (605,39 dólares).

Importante lembrar que a importação de soja brasileira, ao mesmo tempo em que é celebrada, gera preocupações para áreas específicas do Partido Comunista Chinês. Por mais que entendam que o Brasil possui um fluxo de exportação confiável, compreendem também que depender excessivamente de um país pode ser um risco.

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Vários estudos promovidos pelo Partido Comunista Chinês ao longo dos últimos cinco anos demonstraram a necessidade de diluir a dependência brasileira por meio de alguma produção local (baixíssima) e uma ampliação na produção no leste africano (complexa por diversos fatores). Por enquanto, a dependência mútua favorece o Brasil — apesar de que em termos gerais, o Brasil é que é excessivamente dependente da China.

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