• Logo Estadão
  • Últimas notícias
  • opinião
  • política
  • economia
  • Estadão Verifica
Assine estadão Cavalo
entrar Avatar
Logo Estadão
Assine
  • Últimas notícias
  • opinião
  • política
  • economia
  • Estadão Verifica
Logo E-Investidor
  • Últimas Notícias
  • Direto da Faria Lima
  • Mercado
  • Investimentos
  • Educação Financeira
  • Criptomoedas
  • Comportamento
  • Análises Ágora
Logo E-Investidor
  • Últimas Notícias
  • Mercado
  • Investimentos
  • Direto da Faria Lima
  • Negócios
  • Educação Financeira
  • Criptomoedas
  • Comportamento
  • Análises Ágora
  • Newsletter
  • Guias Gratuitos
  • Colunistas
  • Vídeos
  • Áudios
  • Estadão

Publicidade

Colunista

Lula precisa entender que política externa é coisa séria

O Brasil não precisa se envolver nos grandes problemas globais para ganhar respeito internacional

Por Thiago de Aragão

12/04/2023 | 13:30 Atualização: 12/04/2023 | 13:35

Receba esta Coluna no seu e-mail
Presidente Lula | Foto: Amanda Perobelli/Reuters
Presidente Lula | Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Dada a natureza dinâmica das relações entre países, em um ambiente geopolítico altamente imprevisível, falar sobre neutralidade nas relações internacionais torna-se ainda mais complexo — e com impactos de curto, médio e longo prazos.

Leia mais:
  • Conheça o título de renda fixa que rendeu 10% em 1 mês
  • Prefixados ou IPCA+? Onde investir com o arcabouço fiscal
  • Poupança ganha da inflação. Quais aplicações têm rendimento real?
Cotações
24/03/2026 21h03 (delay 15min)
Câmbio
24/03/2026 21h03 (delay 15min)

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Há alguns anos, eu estava em Viena, em conversa com um diplomata europeu que trabalhava nas negociações entre o P5+1 (os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha) e o Irã. As negociações eram voltadas para paralisar a produção iraniana de urânio enriquecido, afim de liberar reservas iranianas congeladas em bancos ocidentais.

Estávamos em um bar, falando sobre as dificuldades das negociações e sua percepção de todo o processo de negociação. “O volume de informações que precisamos ter em mente, conhecimento cultural do outro lado, análise histórica de tudo que já foi tentado, conhecimento profundo sobre o que o outro lado deseja, faz dessa negociação algo lento e extremamente difícil”. No dia seguinte, eu iria tomar um chá com um diplomata iraniano, também baseado em Viena, afim de compreender o lado dele.

Publicidade

Os dois (o europeu e o iraniano) eram amigos e almoçavam juntos sempre que possível. No entanto, estavam em lados opostos, trabalhando incessantemente para buscar uma solução que fosse vista como justa pelos dois lados. Na conversa, o iraniano foi categórico: “o maior problema, Thiago, é a barreira cultural e o peso da história nas decisões tomadas de cada lado. Mesmo as visões equivocadas do P5+1, eu respeito, pois os aspectos históricos do lado deles contaminam o processo de tomada de decisões, assim como devem contaminar o nosso também”.

No fim, um acordo foi feito. Durou até o ex-presidente Trump, unilateralmente, abandoná-lo (alegando que era injusto), e jogar o Irã para os braços de Pequim — garantindo assim não só o aumento no enriquecimento de urânio iraniano, mas também ampliando a zona de influência chinesa no Médio Oriente.

A construção do acordo foi difícil e envolveu um enorme volume de conhecimento (dos dois lados). Só quem viu de perto tem noção dos calhamaços de documentos e análises lidas e relidas diariamente por anos. Bastou um ato de Trump, com profundo desconhecimento das relações internacionais, para que o Irã (e logo depois a Arábia Saudita, em outro erro crasso do ex-presidente americano) caísse nos braços da China.

Assim como no ambiente de trabalho e na vida em geral, meter-se de cabeça naquilo que não se compreende tende a gerar resultados desastrosos. O movimento do governo brasileiro para mediar a guerra na Ucrânia é um desses momentos.

Publicidade

O Brasil não precisa buscar desesperadamente envolvimento nos grandes problemas globais para poder ganhar respeito internacional. Se por um lado, a política externa do governo Lula supera qualquer coisa feita durante o apagão diplomático dos anos Ernesto Araújo, a tentativa de mediar Ucrânia e Rússia mais parece um movimento “à la Ernesto” do que qualquer outra coisa. Por mais esdrúxula que seja a ideia do Brasil se colocar como um mediador confiável e efetivo entre Rússia e Ucrânia, os recentes atos e posicionamentos confirmam a tese de que não há conhecimento profundo sobre o que realmente está em jogo.

Primeiro, se o Brasil deseja tornar-se um ator confiável, uma visita surpresa de Celso Amorim, assessor internacional de Lula, à Moscou não é a melhor das ideias. O fato de ter sido uma viagem surpresa já indica que não havia conforto em anunciá-la com antecedência. Se a razão fosse apenas para garantir o fornecimento de fertilizantes, então a visita de Amorim não passa de uma repetição da mesma narrativa usada por Bolsonaro quando visitou Moscou há um ano. Será que uma visita surpresa à Kiev não seria melhor?

Segundo, se o Brasil quer demonstrar para a comunidade internacional que é um mediador confiável e técnico, não parece ser uma boa ideia buscar o apoio da Rússia e da China para o processo de mediação. Se um lado (a Rússia), que ao mesmo tempo é o agressor, adora a ideia de o Brasil mediar, algo de errado aconteceu. Já a China, aliada pragmática da Rússia, naturalmente apoiaria o Brasil nessa jornada.

Terceiro, se o Brasil quer ser visto como um mediador neutro e técnico, falar o menos possível publicamente seria o comportamento esperado de Celso Amorim e de Lula. Quando o Presidente diz publicamente que os territórios invadidos pela Rússia não deveriam ser devolvidos à Ucrânia num processo de pacificação, cria-se uma falsa equivalência entre os dois lados que colocam em risco a visão e o posicionamento brasileiro em relação à soberania territorial como um todo. Não há equivalência entre um agressor e o agredido.

Publicidade

Lula tem a faca e o queijo na mão para executar uma excelente política externa. No entanto, Lula, Celso Amorim, e outros membros do governo devem saber que existem áreas nas quais o Brasil é relevante e outras em que não. Diplomacia Ambiental deveria ser o carro-chefe de Lula na política externa. Falar sobre a Amazônia, sobre direitos das minorias, isso sim são áreas que Lula pode abordar com autoridade e seu carisma certamente ajudará.

Por outro lado, “mediar” uma guerra sobre a qual nada se sabe, escolhendo um lado para defender, argumentando publicamente que o país que foi invadido deve permanecer assim, mostra um amadorismo que, de tão chocante, confunde. Não duvido que Lula logo mais voltará sua atenção para uma “mediação” entre China e Taiwan. Isso não é demonstrar preocupação com os temas quentes do mundo, mais parece uma busca incessante por palco.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Compartilhe:
  • Link copiado
Tudo Sobre
  • Brasil
  • China
  • Conteúdo E-Investidor
  • Donald Trump
  • Luiz Inácio Lula da Silva

Publicidade

Mais lidas

  • 1

    Ibovespa hoje sobe mais de 3% e salta quase 6 mil pontos após Trump pausar ataques ao Irã; dólar cai a R$ 5,24

  • 2

    Conflito de interesses impulsiona migração da assessoria para consultoria. O fee fixo é para todo mundo?

  • 3

    Imposto de Renda 2026: veja regras, prazos, tabela atualizada e quem deve declarar

  • 4

    Ibovespa hoje sobe com guerra e ata do Copom; petróleo Brent fecha acima de US$ 100

  • 5

    Nubank vai pagar até R$ 6 mil de cashback para clientes que transferirem investimentos para o banco

Publicidade

Quer ler as Colunas de Thiago de Aragão em primeira mão? Cadastre-se e receba na sua caixa de entrada

Ao fornecer meu dados, declaro estar de acordo com a Política de Privacidade e os Termos de Uso do Estadão E-investidor.

Cadastre-se e receba Coluna por e-mail

Ao fornecer meu dados, declaro estar de acordo com a Política de Privacidade e os Termos de Uso do Estadão E-investidor.

Inscrição feita com sucesso

Webstories

Veja mais
Imagem principal sobre o Dupla de Páscoa 2026: qual é o prazo para resgatar o prêmio?
Logo E-Investidor
Dupla de Páscoa 2026: qual é o prazo para resgatar o prêmio?
Imagem principal sobre o Pé-de-Meia 2026: tem pagamento do benefício hoje (24)?
Logo E-Investidor
Pé-de-Meia 2026: tem pagamento do benefício hoje (24)?
Imagem principal sobre o Bolsa Família: qual NIS recebe hoje (24)?
Logo E-Investidor
Bolsa Família: qual NIS recebe hoje (24)?
Imagem principal sobre o Imposto de Renda 2026: incluiu um dependente? Evite este erro para não cair na malha fina
Logo E-Investidor
Imposto de Renda 2026: incluiu um dependente? Evite este erro para não cair na malha fina
Imagem principal sobre o Dupla de Páscoa 2026: onde sacar o prêmio?
Logo E-Investidor
Dupla de Páscoa 2026: onde sacar o prêmio?
Imagem principal sobre o Dupla de Páscoa 2026: qual o valor mínimo da cota do bolão?
Logo E-Investidor
Dupla de Páscoa 2026: qual o valor mínimo da cota do bolão?
Imagem principal sobre o Auxílio-reclusão: até quando filhos dependentes podem receber o benefício?
Logo E-Investidor
Auxílio-reclusão: até quando filhos dependentes podem receber o benefício?
Imagem principal sobre o Dupla de Páscoa 2026: onde fazer o bolão?
Logo E-Investidor
Dupla de Páscoa 2026: onde fazer o bolão?
Últimas: Colunas
O risco de crédito está em todo lugar — até onde você menos espera
Marilia Fontes
O risco de crédito está em todo lugar — até onde você menos espera

Mesmo títulos públicos, CDBs e papéis com garantia do FGC carregam risco de crédito — e ignorá-lo pode custar caro

24/03/2026 | 16h55 | Por Marilia Fontes
6 ações com dividendos crescentes há 5 anos e o padrão que só o investidor jacaré enxerga. O que elas têm em comum?
Katherine Rivas
6 ações com dividendos crescentes há 5 anos e o padrão que só o investidor jacaré enxerga. O que elas têm em comum?

Levantamento prova que dividendos crescentes não são fruto da sorte, mas resultado de um modelo de negócios bem estruturado, gestão de alta qualidade e uma cultura que trata o acionista como sócio

24/03/2026 | 14h01 | Por Katherine Rivas
O que brasileiros gastam a mais em Portugal por não conhecerem o sistema
Valéria Bretas
O que brasileiros gastam a mais em Portugal por não conhecerem o sistema

Do aluguel ao supermercado, pequenas diferenças no funcionamento de serviços em Portugal podem fazer o orçamento pesar nos primeiros meses de adaptação

22/03/2026 | 06h30 | Por Valéria Bretas
A Geração Z e o novo risco do mercado: confiança sem repertório
Ana Paula Hornos
A Geração Z e o novo risco do mercado: confiança sem repertório

Na era da IA, repertório é diferencial, informação não

21/03/2026 | 06h30 | Por Ana Paula Hornos

X

Publicidade

Logo E-Investidor
Newsletters
  • Logo do facebook
  • Logo do instagram
  • Logo do youtube
  • Logo do linkedin
Notícias
  • Últimas Notícias
  • Mercado
  • Investimentos
  • Educação Financeira
  • Criptomoedas
  • Comportamento
  • Negócios
  • Materias gratuitos
E-Investidor
  • Expediente
  • Fale com a redação
  • Termos de uso
Institucional
  • Estadão
  • Ágora Investimentos
Newsletters Materias gratuitos
Estadão
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • Youtube

INSTITUCIONAL

  • Código de ética
  • Politica anticorrupção
  • Curso de jornalismo
  • Demonstrações Contábeis
  • Termo de uso

ATENDIMENTO

  • Correções
  • Portal do assinante
  • Fale conosco
  • Trabalhe conosco
Assine Estadão Newsletters
  • Paladar
  • Jornal do Carro
  • Recomenda
  • Imóveis
  • Mobilidade
  • Estradão
  • BlueStudio
  • Estadão R.I.

Copyright © 1995 - 2026 Grupo Estado

notification icon

Invista em informação

As notícias mais importantes sobre mercado, investimentos e finanças pessoais direto no seu navegador