• Logo Estadão
  • Últimas notícias
  • opinião
  • política
  • economia
  • Estadão Verifica
Assine estadão Cavalo
entrar Avatar
Logo Estadão
Assine
  • Últimas notícias
  • opinião
  • política
  • economia
  • Estadão Verifica
Logo E-Investidor
  • Últimas Notícias
  • Direto da Faria Lima
  • Mercado
  • Investimentos
  • Educação Financeira
  • Criptomoedas
  • Comportamento
  • Análises Ágora
Logo E-Investidor
  • Últimas Notícias
  • Mercado
  • Investimentos
  • Direto da Faria Lima
  • Negócios
  • Educação Financeira
  • Criptomoedas
  • Comportamento
  • Análises Ágora
  • Newsletter
  • Guias Gratuitos
  • Colunistas
  • Vídeos
  • Áudios
  • Estadão

Publicidade

Colunista

Lula precisa entender que política externa é coisa séria

O Brasil não precisa se envolver nos grandes problemas globais para ganhar respeito internacional

Por Thiago de Aragão

12/04/2023 | 13:30 Atualização: 12/04/2023 | 13:35

Receba esta Coluna no seu e-mail
Presidente Lula | Foto: Amanda Perobelli/Reuters
Presidente Lula | Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Dada a natureza dinâmica das relações entre países, em um ambiente geopolítico altamente imprevisível, falar sobre neutralidade nas relações internacionais torna-se ainda mais complexo — e com impactos de curto, médio e longo prazos.

Leia mais:
  • Conheça o título de renda fixa que rendeu 10% em 1 mês
  • Prefixados ou IPCA+? Onde investir com o arcabouço fiscal
  • Poupança ganha da inflação. Quais aplicações têm rendimento real?
Cotações
20/05/2026 20h41 (delay 15min)
Câmbio
20/05/2026 20h41 (delay 15min)

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Há alguns anos, eu estava em Viena, em conversa com um diplomata europeu que trabalhava nas negociações entre o P5+1 (os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha) e o Irã. As negociações eram voltadas para paralisar a produção iraniana de urânio enriquecido, afim de liberar reservas iranianas congeladas em bancos ocidentais.

Estávamos em um bar, falando sobre as dificuldades das negociações e sua percepção de todo o processo de negociação. “O volume de informações que precisamos ter em mente, conhecimento cultural do outro lado, análise histórica de tudo que já foi tentado, conhecimento profundo sobre o que o outro lado deseja, faz dessa negociação algo lento e extremamente difícil”. No dia seguinte, eu iria tomar um chá com um diplomata iraniano, também baseado em Viena, afim de compreender o lado dele.

Publicidade

Os dois (o europeu e o iraniano) eram amigos e almoçavam juntos sempre que possível. No entanto, estavam em lados opostos, trabalhando incessantemente para buscar uma solução que fosse vista como justa pelos dois lados. Na conversa, o iraniano foi categórico: “o maior problema, Thiago, é a barreira cultural e o peso da história nas decisões tomadas de cada lado. Mesmo as visões equivocadas do P5+1, eu respeito, pois os aspectos históricos do lado deles contaminam o processo de tomada de decisões, assim como devem contaminar o nosso também”.

No fim, um acordo foi feito. Durou até o ex-presidente Trump, unilateralmente, abandoná-lo (alegando que era injusto), e jogar o Irã para os braços de Pequim — garantindo assim não só o aumento no enriquecimento de urânio iraniano, mas também ampliando a zona de influência chinesa no Médio Oriente.

A construção do acordo foi difícil e envolveu um enorme volume de conhecimento (dos dois lados). Só quem viu de perto tem noção dos calhamaços de documentos e análises lidas e relidas diariamente por anos. Bastou um ato de Trump, com profundo desconhecimento das relações internacionais, para que o Irã (e logo depois a Arábia Saudita, em outro erro crasso do ex-presidente americano) caísse nos braços da China.

Assim como no ambiente de trabalho e na vida em geral, meter-se de cabeça naquilo que não se compreende tende a gerar resultados desastrosos. O movimento do governo brasileiro para mediar a guerra na Ucrânia é um desses momentos.

Publicidade

O Brasil não precisa buscar desesperadamente envolvimento nos grandes problemas globais para poder ganhar respeito internacional. Se por um lado, a política externa do governo Lula supera qualquer coisa feita durante o apagão diplomático dos anos Ernesto Araújo, a tentativa de mediar Ucrânia e Rússia mais parece um movimento “à la Ernesto” do que qualquer outra coisa. Por mais esdrúxula que seja a ideia do Brasil se colocar como um mediador confiável e efetivo entre Rússia e Ucrânia, os recentes atos e posicionamentos confirmam a tese de que não há conhecimento profundo sobre o que realmente está em jogo.

Primeiro, se o Brasil deseja tornar-se um ator confiável, uma visita surpresa de Celso Amorim, assessor internacional de Lula, à Moscou não é a melhor das ideias. O fato de ter sido uma viagem surpresa já indica que não havia conforto em anunciá-la com antecedência. Se a razão fosse apenas para garantir o fornecimento de fertilizantes, então a visita de Amorim não passa de uma repetição da mesma narrativa usada por Bolsonaro quando visitou Moscou há um ano. Será que uma visita surpresa à Kiev não seria melhor?

Segundo, se o Brasil quer demonstrar para a comunidade internacional que é um mediador confiável e técnico, não parece ser uma boa ideia buscar o apoio da Rússia e da China para o processo de mediação. Se um lado (a Rússia), que ao mesmo tempo é o agressor, adora a ideia de o Brasil mediar, algo de errado aconteceu. Já a China, aliada pragmática da Rússia, naturalmente apoiaria o Brasil nessa jornada.

Terceiro, se o Brasil quer ser visto como um mediador neutro e técnico, falar o menos possível publicamente seria o comportamento esperado de Celso Amorim e de Lula. Quando o Presidente diz publicamente que os territórios invadidos pela Rússia não deveriam ser devolvidos à Ucrânia num processo de pacificação, cria-se uma falsa equivalência entre os dois lados que colocam em risco a visão e o posicionamento brasileiro em relação à soberania territorial como um todo. Não há equivalência entre um agressor e o agredido.

Publicidade

Lula tem a faca e o queijo na mão para executar uma excelente política externa. No entanto, Lula, Celso Amorim, e outros membros do governo devem saber que existem áreas nas quais o Brasil é relevante e outras em que não. Diplomacia Ambiental deveria ser o carro-chefe de Lula na política externa. Falar sobre a Amazônia, sobre direitos das minorias, isso sim são áreas que Lula pode abordar com autoridade e seu carisma certamente ajudará.

Por outro lado, “mediar” uma guerra sobre a qual nada se sabe, escolhendo um lado para defender, argumentando publicamente que o país que foi invadido deve permanecer assim, mostra um amadorismo que, de tão chocante, confunde. Não duvido que Lula logo mais voltará sua atenção para uma “mediação” entre China e Taiwan. Isso não é demonstrar preocupação com os temas quentes do mundo, mais parece uma busca incessante por palco.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Compartilhe:
  • Link copiado
Tudo Sobre
  • Brasil
  • China
  • Conteúdo E-Investidor
  • Donald Trump
  • Luiz Inácio Lula da Silva

Publicidade

Mais lidas

  • 1

    46 fundos multimercados ignoram crise da categoria e rendem até 388% do CDI

  • 2

    Guia definitivo do Tesouro Direto: compare Tesouro Reserva, Selic, IPCA+ e Prefixado para escolher o melhor título

  • 3

    Fundos multimercados de gestores “estrelas” perdem protagonismo nos últimos três anos

  • 4

    Itaúsa cansou de andar atrás do Itaú – e agora o mercado percebe uma vantagem

  • 5

    Treasuries no maior nível desde 2007 derrubam Bolsa brasileira junto com pesquisa eleitoral que mostra queda de Flávio Bolsonaro

Publicidade

Quer ler as Colunas de Thiago de Aragão em primeira mão? Cadastre-se e receba na sua caixa de entrada

Ao fornecer meu dados, declaro estar de acordo com a Política de Privacidade e os Termos de Uso do Estadão E-investidor.

Cadastre-se e receba Coluna por e-mail

Ao fornecer meu dados, declaro estar de acordo com a Política de Privacidade e os Termos de Uso do Estadão E-investidor.

Inscrição feita com sucesso

Webstories

Veja mais
Imagem principal sobre o Desenrola 2.0: quem ganha até R$ 8.105 pode renegociar dívidas atrasadas?
Logo E-Investidor
Desenrola 2.0: quem ganha até R$ 8.105 pode renegociar dívidas atrasadas?
Imagem principal sobre o Desenrola Fies 2026: veja como débitos vencidos há mais de 90 dias podem ser renegociados
Logo E-Investidor
Desenrola Fies 2026: veja como débitos vencidos há mais de 90 dias podem ser renegociados
Imagem principal sobre o Desenrola 2.0: participantes devem respeitar o limite para o novo crédito disponibilizado
Logo E-Investidor
Desenrola 2.0: participantes devem respeitar o limite para o novo crédito disponibilizado
Imagem principal sobre o Desenrola 2.0: nem todos os bancos oferecem o novo contrato; entenda o motivo
Logo E-Investidor
Desenrola 2.0: nem todos os bancos oferecem o novo contrato; entenda o motivo
Imagem principal sobre o Desenrola Fies 2026: entenda quais estudantes podem aderir ao programa
Logo E-Investidor
Desenrola Fies 2026: entenda quais estudantes podem aderir ao programa
Imagem principal sobre o Idosos têm prioridade na compra de imóveis, mas em uma situação específica
Logo E-Investidor
Idosos têm prioridade na compra de imóveis, mas em uma situação específica
Imagem principal sobre o Idosos precisam receber BPC para conseguir desconto na conta de água? Entenda como funciona
Logo E-Investidor
Idosos precisam receber BPC para conseguir desconto na conta de água? Entenda como funciona
Imagem principal sobre o 5 dicas de ouro para idosos não caírem em golpes financeiros e perder dinheiro
Logo E-Investidor
5 dicas de ouro para idosos não caírem em golpes financeiros e perder dinheiro
Últimas: Colunas
O recado de Pequim ao agro brasileiro: a festa pode estar acabando
Thiago de Aragão
O recado de Pequim ao agro brasileiro: a festa pode estar acabando

Reaproximação entre Donald Trump e Xi Jinping reacende compras agrícolas dos EUA e expõe fragilidade do protagonismo recente do Brasil no mercado chinês

20/05/2026 | 16h02 | Por Thiago de Aragão
Day trade muda de perfil no Brasil e atrai investidores mais experientes
Einar Rivero
Day trade muda de perfil no Brasil e atrai investidores mais experientes

B3 quer atrair quem opera em plataformas irregulares para o ambiente legal, podendo dobrar o número de traders ativos no mercado

20/05/2026 | 14h02 | Por Einar Rivero
Lucro das empresas da B3 cresce acima da inflação no 1T26, mas avanço dos juros limita expansão do resultado final
Einar Rivero
Lucro das empresas da B3 cresce acima da inflação no 1T26, mas avanço dos juros limita expansão do resultado final

Empresas listadas na Bolsa ampliam receitas, melhoram margens e entregam crescimento de lucro mesmo sob juros elevados e crédito restrito no início de 2026

19/05/2026 | 16h05 | Por Einar Rivero
O petróleo não é o único problema para a inflação e para o Copom
Marcelo Toledo
O petróleo não é o único problema para a inflação e para o Copom

Choque global da commodity pressiona preços, mas salários aquecidos, alimentos e demanda doméstica também dificultam cortes mais agressivos da Selic

19/05/2026 | 14h13 | Por Marcelo Toledo

X

Publicidade

Logo E-Investidor
Newsletters
  • Logo do facebook
  • Logo do instagram
  • Logo do youtube
  • Logo do linkedin
Notícias
  • Últimas Notícias
  • Mercado
  • Investimentos
  • Educação Financeira
  • Criptomoedas
  • Comportamento
  • Negócios
  • Materias gratuitos
E-Investidor
  • Expediente
  • Fale com a redação
  • Termos de uso
Institucional
  • Estadão
  • Ágora Investimentos
Newsletters Materias gratuitos
Estadão
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • Youtube

INSTITUCIONAL

  • Código de ética
  • Politica anticorrupção
  • Curso de jornalismo
  • Demonstrações Contábeis
  • Termo de uso

ATENDIMENTO

  • Correções
  • Portal do assinante
  • Fale conosco
  • Trabalhe conosco
Assine Estadão Newsletters
  • Paladar
  • Jornal do Carro
  • Recomenda
  • Imóveis
  • Mobilidade
  • Estradão
  • BlueStudio
  • Estadão R.I.

Copyright © 1995 - 2026 Grupo Estado

notification icon

Invista em informação

As notícias mais importantes sobre mercado, investimentos e finanças pessoais direto no seu navegador