Vale tudo para captar clientes de investimentos no mercado? Valem prejuízos anunciados e caos declarados para impor medo ao mesmo tempo em que se vende assessoria?
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Vale tudo para captar clientes de investimentos no mercado? Valem prejuízos anunciados e caos declarados para impor medo ao mesmo tempo em que se vende assessoria?
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Será que vender a segurança do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é “mérito” de assessores e consultores ou uma ferramenta à disposição apenas do investidor, e tal alocação deveria ser considerada pelo viés do cliente e não como argumento para melhores ou piores produtos?
E aqueles que convenceram clientes a venderem o CDB com deságio, no prejuízo, e agora estão vendo o FGC honrar todos os pagamentos?
O caso do Master reacendeu alguns debates acalorados sobre conflitos de interesses na assessoria (vou utilizar apenas esse termo daqui pra frente, mas entenda por assessoria + consultoria + gestão) principalmente na venda de produtos com comissão versus o (não tão novo) modelo de fee based.
Será que podemos também culpar as plataformas que disponibilizavam esses títulos no mercado?
Diferente esse artigo, né? Basicamente, até agora, apenas perguntas que eu fiz para que você pudesse exercer e refletir sobre quantas frentes podemos entrar em discussão nesse assunto.
É óbvio que eu tenho minha opinião, isenta porque não atuo diretamente no mercado, e vou passar pra você. Muitos vão reclamar, outros vão virar haters, mas acho que é hora de alguém falar a verdade sobre a relação cliente x assessorias e de quem é cada responsabilidade.
Segundo levantamento do E-Investidor, as plataformas da XP e BTG foram responsáveis por quase R$ 33 bilhões em CDBs do Banco Master sendo que o “rombo” total anunciado pelo FGC foi de R$ 40 bi, ou seja, quase 83% do valor em apenas duas plataformas.
Não é de se estranhar, dado que são as maiores plataformas do mercado e com maior variedade. Há culpa em venderem o que está disponível no mercado? Não!
Elas não forçam ninguém a comprar, além de emitirem inúmeros avisos sobre garantia do FGC, risco do emissor e outros. As plataformas são, de fato, “shoppings financeiros”, como era a expressão usada pela XP lá em meados de 2010 ou seja, colocam o que têm pra vender e a escolha final é de cada um.
Eu, como investidor com perfil moderado para agressivo, resolvi comprar, pois as taxas estavam atrativas e, se não houvesse o título nessas plataformas, eu iria procurar em outras.
Uma comparação esdrúxula, mas real: o Pão de Açúcar tem culpa em vender produtos com altos níveis de gordura e açúcar? Ele é responsável pela sua saúde ou a escolha é sua?
Nesse caso, vejo o mesmo cenário, já que a sua saúde financeira e escolha dependem 100% de você, e por isso é muito importante você aceitar que a responsabilidade é sua!
Uma assessora conhecida no mercado disse, em entrevista, que “a culpa é de quem recomendou a compra do ativo no caso, os agentes autônomos de investimentos”.
Será mesmo?
O assessor só pode recomendar, e o cliente só consegue aceitar um investimento se estiver de acordo com o Perfil do Cliente, preenchido diretamente com a corretora.
Há alguns que podem acusar o assessor de altas remunerações para vender esses CDBs aos clientes, mas a verdade é que um CDB de prazo de 3 anos gera menos que 0,2% de receita anual para esse assessor isso ainda sem descontar imposto, repasse da plataforma e outros.
Então, será que a motivação é mesmo comissão?
O fim da história foi como era esperado: o FGC está honrando o que o presidente afirmou inúmeras vezes e pagando todos os investidores até o limite de R$ 250 mil por CPF.
Diante desse cenário, a venda do produto para a maioria esmagadora dos clientes foi vantajosa, dado o retorno alto dos títulos e a garantia mais uma vez reafirmada e comprovada pelo FGC.
Voltando mais uma vez com o advogado do diabo, mesmo o assessor recomendando um produto, o aceite final é dado pelo cliente com inúmeros avisos sobre valor, vencimento, taxa e também limite do FGC.
E, no fim, mais uma vez, o FGC cumpriu seu papel.
A questão agora deveria ser outra… deveria estar sobre quem vendeu o terror e recomendou a saída desses CDBs com deságios de 30% a 40%.
Recebi inúmeros relatos, nos últimos dias, de investidores que venderam seus títulos, perdendo dinheiro, porque a “recomendação” dizia que o FGC poderia não pagar e, até pior, poderia quebrar em um problema maior com o Master.
Deveríamos também responsabilizar quem recomendou vender os CDBs? Até onde vai a responsabilidade do intermediário (assessores e plataforma) e até onde é responsabilidade do investidor?
Se você compra uma ação que cai na Bolsa de Valores, você culparia a própria Bolsa de Valores (B3)? Não.
Aqui, a discussão parece maior porque há comissões envolvidas na venda de produtos financeiros, e isso gera desconforto, desconfiança e conflitos.
Será que, no modelo mais usado nos EUA e agora engatinhando no Brasil, o “fee based”, haveria a venda massiva de CDBs do Master nas plataformas?
A minha resposta: Sim!
Eram CDBs de um banco em crescimento, com números até então “ok” nos resultados apresentados ao Banco Central, com taxas altíssimas e a cereja do bolo: a garantia do FGC.
Eu acho que o modelo de cobrança de assessoria não mudaria nada nesse caso e acredito que não será o último que veremos.
Lembre-se: paga mais que a Taxa Selic? Então tem risco! Simples assim.
Fiz uma enquete no meu Instagram, @vmiziara, perguntando em que produtos os investidores que tinham CDBs do Master vão alocar seu capital, e 70% respondeu que em outros CDBs.
Isso mostra e comprova que a confiança no FGC aumentou, além de seguir o mesmo comportamento de antes, sem culpar ou apontar o dedo para quem vendeu o produto se tem FGC, é seguro, dentro das regras e até que elas mudem.
Um abraço.
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