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O S&P 500 está caro e o dólar, barato. O que vale mais a pena para o investidor brasileiro?

Nos últimos 20 anos, o índice teve um retorno médio superior a 10% ao ano, independentemente da variação cambial

Por Vitor Miziara

10/06/2025 | 15:21 Atualização: 10/06/2025 | 15:21

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Dólar e real (Foto: Adobe Stock)
Dólar e real (Foto: Adobe Stock)

Ao analisarmos o índice das 500 maiores empresas dos Estados Unidos sob quase todas as métricas disponíveis, a conclusão é a mesma: o S&P 500 está caro.

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Isso pode ser observado pelos múltiplos de valor, da expectativa de resultados futuros ou mesmo pelo famoso indicador Warren Buffett, que mede o valor de mercado em relação ao PIB americano — e vale destacar que esse indicador está em níveis jamais vistos.

Por outro lado, o dólar tem se enfraquecido frente às principais moedas globais. Isso ocorre muito por conta das incertezas em relação à economia dos EUA, após o início das tarifas comerciais e diante da expectativa (ainda sem data definida) de uma desaceleração da atividade econômica – reflexo dos juros elevados que devem permanecer altos até, pelo menos, o fim do ano.

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O DXY — índice que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas estrangeiras ponderadas — vem caindo nos últimos meses e hoje se aproxima das mínimas registradas em 2022, evidenciando a perda de valor da moeda americana.

Voltando ao S&P 500, a média das estimativas de mercado projeta o índice em 6.300 pontos — um potencial de valorização (upside) de apenas 5% em relação ao nível atual, próximo dos 6.050 pontos.

Para o investidor americano, a decisão é mais direta: manter recursos em renda fixa (com juros elevados) ou investir em ações. O dinheiro dele permanece em dólar.

Mas e para o investidor brasileiro?

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Nos últimos 20 anos, o S&P 500 teve um retorno médio superior a 10% ao ano, independentemente da variação cambial. Esse dado pode ajudar a esclarecer o dilema atual: vale a pena comprar dólar (hoje em patamares semelhantes aos de 2022 frente ao mundo) e investir em ações americanas mesmo com o índice caro? Ou talvez comprar dólar e aplicar em títulos públicos dos EUA rendendo 5% ao ano — enquanto aqui no Brasil há papéis pagando 15%?

Ou ainda pior: e se você comprar dólar a R$ 5,60, investir no S&P 500 e nos próximos meses ou anos o índice cair e o dólar também desvalorizar com uma possível recessão global ou correção de preços?

A resposta pode ser mais simples do que parece: continue comprando.

O dólar, em relação ao real, segue a trajetória da dívida pública brasileira sobre o PIB — e sabemos qual é essa direção para os próximos anos: de alta, sem perspectiva de queda (ou, na melhor das hipóteses, de estagnação).

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Historicamente, o S&P 500 entrega retornos médios de 10% ao ano, mesmo tendo enfrentado crises como guerras, pandemias, bolhas imobiliárias, crises financeiras e recessões na Europa nos últimos 20 anos.

A decisão de dolarizar parte do patrimônio não deve se basear apenas na cotação Dólar/Real. O objetivo da dolarização é diversificar e proteger o capital no longo prazo. Ainda assim, se olharmos o histórico, o dólar tende a se valorizar frente ao real, principalmente devido à deterioração fiscal do Brasil.

Se você acredita que a dívida/PIB brasileira continuará subindo — compre dólar. Se você teme uma recessão global — compre dólar. Afinal, os Estados Unidos costumam ser os primeiros a se recuperar.

Levou ou investiu no exterior? Esqueça a comparação com o real — se o dólar cair, aproveite para comprar mais.

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Vou postar um gráfico super interessante no meu Instagram sobre a trajetória do dólar/real em relação à dívida/PIB. Fique à vontade para me seguir no @vmiziara.

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