A Caixa lançou o seu Caixa Ícone em outubro do ano passado, voltado para clientes convidados, com limite mínimo de crédito de R$ 100 mil. Até outubro de 2026, o cartão oferecerá uma vantagem promocional: o acúmulo de 5 pontos por dólar gasto em compras nacionais. Depois desse período, passará a entregar 4 pontos por dólar nas compras nacionais.
Em novembro, o Banco do Brasil apresentou ao mercado o Altus Liv, uma categoria inédita de exclusividade da instituição para clientes com investimentos acima de R$ 1 milhão, gastos médios superiores a R$ 20 mil nos últimos seis meses ou renda mínima de R$ 30 mil.
Antes, em junho do ano passado, a XP Investimentos já havia introduzido o XP Legacy, também voltado a clientes com investimentos acima de R$ 1 milhão. O produto promete entregar experiências, como reservas em restaurantes premiados, estadias em hotéis de luxo, descontos em fretamento de aeronaves e aluguel de embarcações.
As cooperativas de crédito não ficaram de fora dessa disputa. O Sicoob lançou em agosto o Sicoob Zenith, pensado para atender um público que valoriza exclusividade, performance e relacionamento com a instituição. Com o produto, os cooperados de alta renda podem alcançar 4 pontos por dólar gasto em compras.
Segundo Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, o avanço de cartões premium está ligado à busca das instituições por clientes mais rentáveis, fiéis e com maior potencial de relacionamento.
“Clientes de alta renda concentram investimentos, consomem mais produtos financeiros e tendem a gerar receitas recorrentes”, diz. “Além disso, esses cartões funcionam como porta de entrada para outros serviços”, acrescenta.
Os benefícios e os custos dos cartões premium
Os cartões de alta renda combinam experiências facilitadas em viagens com vantagens financeiras. Produtos dessa linha oferecem acesso às salas VIP, tanto para o titular quanto para acompanhantes, serviço de concierge (profissional que auxilia em reservas e atendimentos) e benefícios em hotéis e restaurantes.
O Inter Win, por exemplo, conta com o programa Duo Gourmet, um serviço de assinatura em que o cliente paga por um prato nos estabelecimentos parceiros e ganha o outro de graça. O cartão também oferece descontos no trem Brightline, no trajeto entre Miami e Orlando, e no Inter Café de Miami.
Em relação aos benefícios financeiros, os cartões trabalham com pontuações atrativas ou com opções de cashback. O XP Legacy chega a oferecer 5,3% de investback (caschbak em investimentos) ou 9,5 pontos por dólar em compras internacionais e até 1,7% de investback ou até 3,5 pontos por dólar em compras nacionais.
Além dos pontos, os cartões garantem vantagens em gastos no exterior. O Karta Visa Infinite, da fintech Karta, um cartão americano voltado para brasileiros, não cobra Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e tem spread (taxa cobrada em operações de câmbio) de 0,69%, que pode ser zerado caso o cliente utilize uma conta bancária nos Estados Unidos.
Em entrevista ao E-Investidor, Camila Velzi, gerente da Karta no Brasil, avaliou que a pontuação não deve ser o único fator decisivo na escolha de um cartão. “Se a instituição cobra um spread elevado para oferecer uma grande quantidade de pontos, o cliente precisa entender qual uso real poderá fazer deles. O valor não está apenas na pontuação, mas no benefício concreto entregue”.
Com vantagens tentadoras, também vêm altos custos. A anuidade dos cartões de alta renda costuma ser elevada, principalmente nos bancos tradicionais. O BTG Ultrablue, por exemplo, tem um custo anual de R$ 4,8 mil. O produto é destinado a clientes com investimentos acima de R$ 1 milhão.
A tabela abaixo reúne os principais cartões premium do mercado e detalha seus benefícios, pontos e anuidade:
As dicas e cuidados para usar um cartão de alta renda
Primeiro, antes de escolher o cartão, a recomendação é analisar diferentes critérios, como o custo envolvido – incluindo anuidade e exigências de gasto mínimo para isenção –, além dos programas de pontos, dos benefícios e do limite de crédito disponibilizado, que deve ser compatível com a renda do cliente.
O relacionamento com o banco também influencia, já que a adesão ao cartão, muitas vezes, depende do volume de investimentos ou dos gastos do consumidor na instituição. “O melhor cartão de alta renda não é o que oferece mais benefícios, mas o que entrega mais valor para o padrão real de consumo do cliente”, diz Piellusch, da FIA Business School.
Com o cartão em mãos, um dos perigos está na sensação de poder de compra infinito. Isso porque os bancos costumam oferecer limites elevados na modalidade. “Lembre-se de que o limite representa um empréstimo pré-aprovado, não dinheiro em caixa”, afirma Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos.
Ele destaca que o cartão deve ser visto como um meio de pagamento, não uma forma de renda extra. O usuário precisa ter cuidado para não cair nos juros do rotativo, que têm custos elevados e entram em ação quando o cliente não paga a fatura integralmente.
A utilização dos pontos e benefícios demanda cuidados extras. Beatriz França, especialista em investimentos e sócia da AVG Capital, orienta o cliente a pesquisar o programa e entender os critérios de conversão, a validade dos pontos, os parceiros disponíveis e a facilidade do resgate. “Para aproveitar ao máximo os benefícios, é essencial definir um orçamento mensal e encarar os pontos e recompensas como consequência de um consumo planejado, e não como incentivo para gastar mais”, alerta.
Nessa hora, planejar os resgates com antecedência ajuda a extrair maior valor das recompensas. O uso de alertas para acompanhar despesas no cartão de alta renda também contribui para manter o controle financeiro, evitar surpresas na fatura e garantir que os benefícios sejam realmente vantajosos.