Dados do Bari, grupo financeiro focado em empréstimo com garantia de imóvel, mostram que esse movimento tem sido dominante no mercado brasileiro. Nos últimos dois anos, 60% dos consumidores que buscaram empréstimos tinham como principal objetivo a quitação de dívidas. O crédito foi acionado majoritariamente como ferramenta de ajuste do passivo, e não para expandir a capacidade financeira.
A concessão, porém, segue um ritmo próprio ao longo do calendário. Em 2025, os maiores níveis de aprovação se concentraram em abril, julho e outubro, comportamento que já havia sido observado em 2024. A repetição desses picos sugere uma combinação entre maior planejamento dos tomadores (pessoas que contratam empréstimos) e uma atuação mais tática das instituições financeiras em determinados momentos do ano.
Outras finalidades aparecem com peso menor. Investimentos responderam por 16% das contratações, enquanto construção e reforma representaram 7%. Embora exista espaço para o uso do crédito como instrumento de formação ou ampliação de patrimônio, os dados indicam a reorganização financeira como prioridade, sobretudo em períodos de maior restrição.
O perfil dos clientes aprovados reforça essa dinâmica. A geração X predomina entre os tomadores, grupo que tende a apresentar maior estabilidade de renda e histórico financeiro mais consolidado. No recorte geográfico, considerando o imóvel dado em garantia, São Paulo lidera o ranking, seguido por Paraná, Minas Gerais e Santa Catarina, o que mantém a concentração do crédito com garantia nas regiões Sudeste e Sul.
Quando o foco é a demanda, o segundo semestre assume protagonismo. Em 2024, setembro concentrou o maior volume de solicitações, com a procura ganhando tração a partir de julho e permanecendo elevada até o fim do ano. O avanço ocorre em paralelo à expansão do crédito com garantia de imóvel, segmento que superou R$ 10 bilhões em concessões em 2025, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), consolidando sua relevância dentro do sistema financeiro.