

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na tarde desta quarta-feira (2) as tão prometidas tarifas recíprocas sobre importações no país. A data vinha sendo chamada pelo republicado como “Dia da Libertação” – e, no discurso, Trump defendeu que as medidas faziam parte de um pacote que levará os EUA de volta aos “tempos de ouro”.
O tarifaço de Trump levou em consideração um cálculo de reciprocidade, que incorpora, além das taxas tradicionais, elementos de manipulação cambial e barreiras não tarifárias. O Brasil ficou no grupo dos países taxadas com o piso mínimo de 10%, junto ao Chile, Colômbia e Reino Unido. Mas há quem tenha sido mais afetado: as importações chinesas, por exemplo serão taxadas em 34% pelos EUA; as vindas do Vietnã, em 46%.
Enquanto especialistas tentam traçar os possíveis impactos do pacote na economia americana e global, as primeiras reações nos mercados começam a aparecer. As Bolsas de Valores em Nova York e no Brasil estão fechadas, mas o mercado de criptomoedas, que opera 24 horas, já mostra certo impacto.
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Quando Tump começou a discursar às 17h, o bitcoin era negociado no positivo, na casa de US$ 86,7 mil. Duas horas depois, às 19h30, a principal criptomoeda do mercado tinha queda de 2,4%, a US$ 83,1 mil.
No mesmo horário, o ethereum caía 4,70%, a US$ 1,8 mil. A memecoin Official Trump tinha queda de 11,45%, a US$ 9,2.
Beto Fernandes, analista da Foxbit, destaca que muitos índices tiveram um salto de euforia antes do discurso, mas que viraram o sinal após a coletiva do presidente americano. “O estresse está posto à mesa com intensidade considerável e não há como saber como isso vai impactar na inflação e se haverá retaliações fortes dos outros países diante dessa guerra comercial”, explica.
Ele pontua que, além das alíquotas de importação, Trumo aproveitou o discurso como “palanque político” – deixando de lado questões práticas que poderiam tranquilizar os mercados em relação aos impactos do tarifaço. “O que sobrou foi a promessa de realizar um corte de impostos agressivos à população e empresas, mas sem deixar claro como isso seria feito. Todo esse ambiente fez com que as apostas de um corte de juros em junho, que eram de pouco mais de 77%, caíssem para 70%; como consequência, a incerteza tende a manter o Bitcoin estagnado na faixa de preços“, afirma.
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Fabrício Tota, diretor de novos negócios do Mercado Bitcoin, lembra que o mercado cripto já vem vivendo um momento mais difícil desde que Trump tomou posse. Boa parte dos ativos teve um rali no final de 2024, impulsionado pela expectativa de que a gestão pró-criptomoedas do republicano e promessas de criação de uma reserva de bitcoin nos EUA ajudariam a destravar valor. Isso fez o BTC renovar recordes históricos, acima dos US$ 100 mil. Desde então, o valor vem caindo.
“As tarifas generalizadas anunciadas por Trump mostram que, junto com a agenda pró-cripto, vem também uma política econômica que pode reacender a instabilidade global — e, com isso, afetar diretamente os fluxos de capital nos mercados de risco“, diz Tota.