Criptomoedas são ativos considerados de risco (Foto: Adobe Stock)
O sentimento de aversão a riscos dos investidores tem custado caro para o bitcoin. Apenas nesta semana, a criptomoeda perdeu US$ 300 bilhões em valor de mercado, segundo dados da CoinMarketCap. Com esse nível de liquidação, o ativo digital, que há um ano atraia a atenção dos investidores, voltou a ser negociado a US$ 66 mil, menor nível de preço desde outubro de 2024.
Ainda assim, as corretoras e casas de análises ainda enxergam bons motivos para incluir o bitcoin e até outras criptomoedas no portfólio.
Apesar da liquidação recente, analistas argumentam que o bitcoin vem sendo incorporado pelas companhias, a exemplo da Méliuz e a Strategy, como uma estratégia de proteção e diversificação. Além disso, devido à sua capitalização que ultrapassa a cifra de US$ 1 trilhão, o BTC deve continuar ditando o ritmo do mercado nas próximas semanas.
“Mesmo em períodos de volatilidade, sua liquidez, função de reserva de valor digital e adoção por instituições continuam fortes”, diz Marcelo Person, Crypto Treasury & Markets Director da Foxbit.
Como mostramos nesta reportagem, o cenário macroeconômico adverso é o principal fator para a depreciação acentuada do bitcoin nas últimas semanas. Em janeiro, o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) interrompeu o ciclo de queda de juros e decidiu manter as taxas inalteradas entre 3,50% e 3,75%. A autoridade monetária ainda descartou a possibilidade de uma retomada dos cortes no curto prazo.
Com a perspectiva de juros elevados por um período ainda indeterminado, os títulos do governo continuam a oferecer retornos mais atrativos, enquanto ativos mais voláteis, como o bitcoin, tendem a perder espaço nos portfólios. “O custo de capital permanece alto e o apetite por risco tende a ser limitado”, afirma Rony Szuster, Head de Research do MB.
Além do aperto monetário, o aumento das tensões geopolíticas também tem pesado contra o desempenho do bitcoin. Em janeiro, episódios como a prisão de Nicolás Maduro durante uma operação militar dos Estados Unidos, desejo de Trump em anexar a Groenlândia ao território norte-americano elevaram a instabilidade global.
Esse ambiente ganhou um peso a mais com a crescente preocupação dos investidores com as ações ligadas à Inteligência Artificial (IA). O mercado tem acompanhado de perto se os elevados gastos das big techs para o desenvolvimento de tecnologias IA estão, de fato, gerando retorno. Na sessão de quinta-feira (5), o índice Nasdaq sofreu uma queda de 1,59%.
A combinação desses eventos resultou na realocação de capital dos investidores que estão mais avessos ao risco. O índice Fear & GreedCripto, por exemplo, caiu de 11 para 5 nesta sexta-feira (6), indicando medo extremo, alta volatilidade e crescente incerteza do mercado. O patamar é o menor desde julho de 2022, quando o bitcoin enfrentava um rigoroso inverno cripto – termo utilizado para definir períodos de baixa prolongada do mercado.
As altcoins recomendadas
No universo das altcoins (criptomoedas de menor capitalização), a liquidação recente também abriu janelas de oportunidades de investimento para o ethereum (ETH). Nas últimas 24h, o ativo acumula uma desvalorização de 28,76% nos últimos sete dias, segundo dados a CoinMarketCap. Contudo, assim como o BTC, a depreciação tem mais relação com o cenário macroeconômico do que com os fundamentos da criptomoeda.
Isso porque, segundo analistas, o token digital possui uma rede de contratos inteligentes já consolidada que serve de infraestrutura para o ecossistema cripto, além de ser a segunda maior criptomoeda em valor de mercado. “É uma cripto amplamente reconhecida por sua segurança, versatilidade e robustez, além de liderar com folga o volume de stablecoins em circulação, fator que tem chamado cada vez mais atenção dos players institucionais”, diz Valter Rebelo, head de ativos digitais da Empiricus Research.
A Solana (SOL)também entra como TOP3 do ranking das moedas digitais que não podem ser ignoradas pelos investidores. Assim como a ethereum, o token sofreu um tombo de quase 30% nesta semana, mas ainda se mantém como uma das principais blockchains do mercado em função da sua infraestrutura de alta velocidade e custos mais baixos, elementos chaves para o desenvolvimento de contratos inteligentes.
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“O interesse institucional em Solana (SOL) tem crescido significativamente após a aprovação da lei das stablecoins nos EUA, que reforça a percepção de blockchains como SOL e ETH como infraestruturas essenciais para pagamentos e serviços financeiros mais eficientes, acessíveis e seguros”, acrescenta Rebelo.
Veja a recomendação da Empiricus e Mercado Bitcoin para fevereiro
Empiricus
Mercado Bitcoin
Bitcoin (BTC)
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Ethereum (ETH)
Solana (SOL)
Solana (SOL)
Ethereum (ETH)
Hyperliquid (HYPE)
Hypeliquid (HYPE)
MetaDAO (META)
Jupiter (JUP)
Já as criptomoedas atreladas ao ouro não fazem parte da lista de recomendação, mas não devem ser ignoradas pelos investidores. Com a recente escalada das tensões geopolíticas, os investidores têm recorrido aos metais preciosos, como o ouro e a prata, como forma de se proteger do risco global. Dado esse contexto, Sarah Uska, analista do Bitybank, destaca o Pax Gold (PAXG) como ativo que pode ganhar protagonismo nas próximas semanas por oferecer exposição ao ouro de forma tokenizada.
“Em períodos de maior instabilidade nos mercados digitais, ativos lastreados em commodities tendem a atrair parte do fluxo defensivo, especialmente quando o ouro mantém uma trajetória estruturalmente favorável”, afirma Uska. A perspectiva já pode ser vista nos preços. Nas últimas 24h, o Pax Gold (PAXG) avança cerca de 2%, enquanto as principais criptomoedas, como o bitcoin e o ethereum, operam no vermelho.