O cenário macroeconômico adverso tem sido o principal fator para a depreciação acentuada do bitcoin nas últimas semanas. Em janeiro, o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) interrompeu o ciclo de queda de juros e decidiu manter as taxas inalteradas entre 3,50% e 3,75%. A autoridade monetária ainda descartou a possibilidade de uma retomada dos cortes no curto prazo.
Com a perspectiva de juros elevados por um período ainda indeterminado, os títulos do governo continuam a oferecer retornos mais atrativos, enquanto ativos mais voláteis, como o bitcoin, tendem a perder espaço nos portfólios. Além do aperto monetário, o aumento das tensões geopolíticas também tem pesado sobre o desempenho da criptomoeda.
Esse ambiente ficou ainda mais desafiador com a crescente preocupação dos investidores com as ações ligadas à Inteligência Artificial (IA). O mercado tem acompanhado de perto se os elevados gastos das big techs para o desenvolvimento de tecnologias IA estão, de fato, gerando retorno. “Isso reflete o fato de que o BTC foi incorporado como um ativo dentro do universo de investimentos institucionais, afastando-se da percepção de bolha especulativa de anos anteriores”, diz Guilherme Prado, country manager da Bitget.
Diante das ausências de catalisadores capazes de reverter o atual quadro de aversão ao risco, analistas não descartam novas quedas no curto prazo. Para André Franco, CEO da Boost Research, o bitcoin pode recuar até a faixa dos US$ 50 mil caso esse pessimismo persista. Já para o fim de 2026, a expectativa é de recuperação parcial dos preços. “Para o fim do ano, vejo o bitcoin acima dos US$ 70 mil”, diz Franco.
Na tarde desta sexta-feira (6), o bitcoin ganhou fôlego e recuperou parte das perdas acumuladas da semana. Por volta das 15h (de Brasília), o ativo digital subiu 5%, sendo negociado a US$ 69,7 mil.