Diego Kashiwakura, diretor de ratings da Moody´s Local, analisa ao E-Investidor que, no mundo ideal, as medidas de ratings seriam tomadas de modo linear. Mas nem sempre é possível fazer isso. “Passamos a incluir em nossa análise, por exemplo, monitorar o alinhamento entre acionistas. Estamos aprendendo, e o mercado também, a incorporar governança em nossa análise“. No caso da Raízen, não houve consenso pleno entre os dois controladores, Cosan. e Shell, sobre novos aportes no negócio. Evitando depender apenas do capital dos sócios, a empresa decidiu renegociar com credores.
Após realizar rebaixamentos em quatro grandes empresas desde o final do ano passado (Cosan (CSAN3) em fevereiro; CSN (CSNA3) em fevereiro; Raízen e Viveo em março), o executivo aponta que a agência analisa mais dois. Em geral, os casos não eram óbvios: são empresas de escala considerável, com capital aberto na Bolsa. De todos eles, a Moody´s diz ter tirado lições de que deve se debruçar mais sobre governança. “Muitas empresas tomaram decisões de negócios agressivas, mas talvez viram que não precisavam ter feito isso. O risco do cenário se elevou e fragilizou rapidamente o seu perfil de crédito”.
Para o executivo, não dá para dizer ainda que o cenário é de contágio, pois teria de abranger diversos setores da economia, e não é o que está acontecendo. “Raízen e CSN são empresas cíclicas. Em uma deterioração rápida, se instala a dúvida sobre a capacidade das empresas rolarem suas dívidas”. Kashiwakura também não vê uma deterioração importante no desempenho do crédito privado. “Não acho que estamos em uma euforia no segmento“.
Contudo, o executivo afirma que o contexto atual não deixa de ser preocupante. “A quantidade de ações negativas aumentou, bem como o nível da ação está mais intenso também. Isso aconteceu porque muitas empresas estavam alavancadas e queriam expandir, mas com a mudança no ambiente econômico não conseguiram levar esse objetivo a cabo”.
Mas o risco, assinala, está concentrado em empresas não-financeiras. “Não temos nenhuma preocupação com os bancos brasileiros nem com produtos estruturados. Espero que o pior já tenha passado”.