Esse ambiente permite uma formação de preços mais eficiente e dá mais segurança para investidores. “A recente alta dos prêmios de risco em meio à volatilidade, aliás, é um sinal positivo de que o mercado está operando de forma saudável, ajustando preços conforme o cenário”, disse, durante painel do evento MKBR, organizado pela Anbima em parceria com a B3 em São Paulo.
Segundo André, nos últimos anos houve evolução relevante em praticamente todos os aspectos do segmento de crédito privado, com avanço na diversidade de emissores, alongamento de prazos e melhora na dinâmica do mercado secundário, inclusive em momentos de estresse, quando o sistema demonstrou resiliência diante de crises corporativas recentes.
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O crescimento expressivo das emissões ao longo do tempo reforça essa trajetória. Se no início da década passada o mercado praticamente não existia, hoje já movimenta volumes bilionários e se consolida como uma alternativa de financiamento. Na visão do executivo, a tendência é que a renda fixa siga com peso predominante na alocação dos investidores brasileiros nos próximos anos, sustentando o avanço da indústria de crédito privado.
O vice-presidente da B3, Luiz Masagão, que participou de outro painel do mesmo evento, aponta que atualmente o mercado secundário de títulos de crédito negocia R$ 7 bilhões por dia e as emissões de títulos de crédito somaram R$ 650 bilhões no ano passado. “Chama atenção que a quantidade de emissões vem subindo e o tíquete médio está caindo. O mercado vem se ajustando ao cenário”.
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Para Guilherme Maranhão, diretor de renda fixa do Itaú BBA, os juros elevados tende a contribuir para maiores ganhos no crédito privado. Mas esse benefício tem limite. Caso o ciclo de taxas altas se estenda ainda mais, devido aos efeitos de uma potencial guerra prolongada na inflação brasileira, é esperado que o risco da classe de ativos aumente e o investidor passe a preferir CDBs e outros títulos de menor risco, garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC).