Antes, o formato de atendimento estava dividido em três linhas: a assessoria de investimentos, a consultoria e o braço de wealth (serviço para clientes com mais de R$ 3 milhões em patrimônio, com carteiras administradas).
Ao longo do tempo, a empresa entendeu que as necessidades dos investidores convergiram, independentemente do patrimônio. “Percebemos que fazia sentido consolidar esses negócios e escolhemos o modelo de consultoria, que avaliamos ser o melhor para o cliente”, afirma Gian Kojikovski, CEO da Suno.
Como mostramos nesta matéria, a transição dos formatos de assessoria para consultoria têm ganhado força no mercado. O segundo modelo é defendido como algo que pode reduzir o conflito de interesses e entregar ao investidor um atendimento mais completo sobre a sua vida financeira.
A Suno colocou fim à sua operação de assessoria vinculada à XP Investimentos. Segundo Kojikovski, a mudança não deve trazer sustos aos clientes, pois a maioria já era cobrada via fee based – configuração que será aplicada na consultoria. Nesse formato, há um percentual acordado sobre o patrimônio, sem comissões por distribuição de produtos.
“O cliente já estava nesse modelo dentro da nossa assessoria. Vai ser simplesmente uma troca de CNPJ. Entendo que esses investidores não vão se importar de estarem em um formato diferente”, afirma Kojikovski.
A nomenclatura “wealth” deixará de ser utilizada, mas a casa vai continuar oferecendo o serviço de carteiras administradas. O cliente com patrimônio a partir de R$ 3 milhões poderá escolher entre tomar as próprias decisões finais, a partir de um acompanhamento com um consultor, ou ter a carteira 100% operada pela Suno.
A empresa seguirá a lógica de “escada de valor”, oferecendo diferentes serviços de acordo com o patrimônio do cliente. A casa entende que cada faixa tem necessidades distintas: para um investidor com R$ 300 mil, por exemplo, o planejamento tributário tende a ser menos relevante do que para alguém com R$ 30 milhões.
Para se diferenciar num mercado que tem se tornado mais disputado, a Suno pretende entregar um suporte completo para a vida financeira do cliente, o que envolve pensar não apenas em investimentos, mas também em questões tributárias, sucessórias e de aposentadoria, por exemplo.
Ao todo, a consultoria conta com mais de 100 profissionais, entre consultores, analistas e equipe de suporte. A base de clientes chega a 3,5 mil, com perfil diverso: desde investidores em fase de acumulação, com patrimônio a partir de R$ 1 milhão, até famílias com mais de R$ 20 milhões que demandam estruturas mais sofisticadas de planejamento.
Com a mudança no modelo de negócios, a casa avalia que conseguirá alcançar investidores com patrimônio menor em relação à base atual, entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Até então, a consultoria cobrava uma taxa anual fixa de R$ 15 mil, independentemente do volume investido. Com a adoção do modelo fee based, a expectativa é de ampliar o acesso e atrair novos clientes.
A empresa adota um modelo multiplataforma, no qual o cliente escolhe a corretora ou o banco de sua preferência para operar. A casa tem arquitetura aberta, selecionando produtos de diferentes gestores com base na adequação ao perfil de cada família.
Hoje, a operação soma R$ 6 bilhões sob aconselhamento e tem como meta alcançar R$ 10 bilhões até o fim de 2026. “Muitos olham a empresa somente como uma casa de análise. O plano para o ano é trabalhar melhor a marca de consultoria”, destaca Kojikovski.
No médio e longo prazo, a Suno não descarta outras estratégias de crescimento, como adquirir consultorias menores ou ajudar a formar consultores com carteiras próprias.