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Educação Financeira

Juros altos encarecem sonho da casa e carro próprio. Há alternativas?

Especialistas alertam que o ideal é esperar alívio no cenário, mas juros podem otimizar o planejamento até lá

Por Luíza Lanza

25/05/2022 | 10:10 Atualização: 25/05/2022 | 10:10

O momento pode não ser o melhor para dar entrada em um financiamento, dizem especialistas. (Foto: Envato)
O momento pode não ser o melhor para dar entrada em um financiamento, dizem especialistas. (Foto: Envato)

Quem sonha em ter uma casa ou carro próprio, e não tem todo o montante para concretizar a compra à vista, pode estar vendo a realização do objetivo cada vez mais distante neste momento de inflação e juros em alta.

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A Taxa Selic em 12,75% encarece o custo do crédito oferecido aos brasileiros por meio de linhas de financiamento. E com um cenário macroeconômico incerto, que pode fazer o Banco Central continuar a trajetória de alta nos juros, o período não é dos mais otimistas para os consumidores.

O IPCA-15 de maio, divulgado nesta terça-feira (24), fechou em 0,59% no mês – resultado que leva o Índice de Preços ao Consumidor Amplo a 12,20% no acumulado em 12 meses. Com a inflação na casa dos dois dígitos, o brasileiro está dando preferência para os gastos essenciais e se afastando daquelas aquisições mais caras como um imóvel ou um carro, explica André Rolha, diretor de produtos da Venice Investimentos.

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“Não é só a taxa de juros que está afastando o brasileiro do sonho da casa própria. A inflação acima de 12% consome boa parte do caixa da população. Nesse momento, aquele dinheiro que poderia ir para uma entrada no imóvel ou no carro acaba sendo utilizado para comprar alimentos ou botijão de gás”, diz.

Com a pressão inflacionária bem acima das expectativas do mercado, a tendência é que as taxas de juros sigam em alta por mais tempo; o que reflete diretamente no custo do crédito. “Na métrica, ao aumentar a taxa Selic, os produtos ficam mais caros, impactando mais nos segmentos de consumo e imobiliário. Os financiamentos entram na mesma linha já que essa é a taxa base e isso é realmente muito impactante no valor final do financiamento”, diz Jessyca Rodrigues, assessora de investimentos da SVN.

Atualmente, é possível encontrar taxas de financiamento imobiliário variando entre 9,80% e 18,27% ao ano, enquanto as de aquisição de veículos vão de 15% até mais de 50% ao ano. Com as taxas elevadas, quem entra em um financiamento de longo prazo pode acabar pagando quase o dobro do valor por um mesmo bem.

“Os financiamentos imobiliários, por exemplo, em que se considera um prazo de 30 anos para conseguir uma parcela que cabe no bolso, o consumidor chega a pagar quase R$ 300 mil ou R$ 400 mil a mais em uma casa de R$ 500 mil. Não é um impacto leve”, alerta Rodrigues.

Há alternativas?

Embora os financiamentos não estejam muito atrativos, para os especialistas, não existem no mercado muitas opções para ajudar o consumidor a escapar da alta nos juros. “Quem não tem o valor para comprar à vista, não há muitas alternativas fora do financiamento que sejam mais baratas. Um empréstimo em banco, por exemplo, é bem maior em termos de juros”, afirma Daniela Mir Gelamo, planejadora financeira CFP pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar).

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Muitos consumidores costumam apostar nos consórcios, modalidade de aquisição de bens em que um grupo de pessoas forma uma poupança para a compra de determinado bem. Nesse sistema, o valor é diluído em um prazo predeterminado, em que todos os integrantes do grupo têm que contribuir com parcelas mensais. Durante esse período, a administradora do consórcio realiza sorteios de cartas de crédito, no valor do bem ou do serviço contratado, até que todos contribuintes sejam atendidos.

Mas, para a planejadora, é preciso tomar cuidado com a modalidade. Além das taxas cobradas pela seguradora, o consumidor fica à mercê do pagamento de outras pessoas para que as cartas de créditos sejam entregues – o que, dado o nível de inadimplência, pode ser arriscado.

Para Jessyca Rodrigues, da SVN, a modalidade pode ser interessante desde que a pessoa tenha a disposição de fazer o pagamento primeiro e só na sequência poder adquirir a casa ou o carro. Ainda assim, no cenário em que estamos, a melhor opção é ter paciência e adiar os planos para o futuro. “Esse é um momento de mais cautela. Vale segurar um pouco a ideia do financiamento e esperar o próximo ciclo da economia, quando teremos uma queda na Selic e a taxa dos imóveis deve acompanhar”, diz.

Use os juros a seu favor

Esperar por uma melhora no cenário econômico não significa deixar o dinheiro parado; pelo contrário. Com a inflação em alta e o risco de desvalorização das reservas financeiras, uma alternativa pode ser investir parte do valor, aquele que seria usado na entrada do financiamento, para se programar melhor. Assim, o consumidor consegue se preparar com mais tempo e concretizar o sonho da casa ou do carro próprio em uma janela mais favorável.

E, para isso, é possível usar os juros altos a seu favor e otimizar a rentabilidade com ativos de renda fixa. “Com a Selic em 12,75% ao ano, os investimentos em renda fixa acabam mais atrativos. É o momento ideal de aprender a trabalhar com o dinheiro e fazer esse planejamento, já que hoje não é preciso correr tanto risco para ter rentabilidades mais otimistas”, afirma André Rolha, da Venice Investimentos.

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O melhor cenário, para os especialistas, é operar em um perfil mais conservador de investimentos, escolhendo ativos com maior liquidez até que os juros comecem a cair. “Uma aplicação bem feita, ainda no perfil conservador como 103% ou 104% no CDI, vai dar uma rentabilidade boa, com prazo tranquilo e a segurança de que seu dinheiro vai estar bem guardado. É bom esperar passar o cenário das eleições, entender melhor qual será o plano econômico do País e só depois entrar em uma operação de crédito mais interessante” orienta Rodrigues, da SVN.

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