Segundo Fernando Lamounier, educador financeiro e sócio-diretor da Multimarcas Consórcios, o principal erro de quem começa a investir direto das caixinhas é não compreender as diferenças entre os tipos de rentabilidade (prefixada, pós-fixada e atrelada ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA) e não avaliar o emissor do título. “O investidor precisa entender como cada indexador funciona e diversificar sua carteira. Um CDB com liquidez diária, por exemplo, é ideal para quem está construindo uma reserva de emergência. Já os de prazo mais longo tendem a oferecer rentabilidade maior, mas exigem que o dinheiro fique preso até o vencimento”, explica Lamounier.
Mas como a tecnologia entra nessa equação? A IA pode ajudar no processo de comparação de opções e simulações de rentabilidade. Marcelo Billi, head de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, destaca que hoje existem várias plataformas que oferecem calculadoras e comparadores de investimentos — muitas delas já integrando inteligência artificial. “É possível, por exemplo, pedir que a IA analise se um CDB específico rende mais do que a poupança ou se vale a pena optar por um título de prazo mais longo”, diz.
Nesse ponto, Fabio Santos, CEO da LP Digital e formado pelo MIT, reforça que a IA pode fazer mais do que apenas sugerir o CDB com a maior taxa: “Ela pode analisar o perfil da pessoa, quanto ela pode investir, seu nível de risco tolerável e se precisa de liquidez no curto prazo”, diz. “Com essas informações é possível cruzar com dados reais de mercado, como projeções de juros e risco da instituição emissora. Não é só sobre onde investir, mas por que aquele caminho faz sentido para o seu momento de vida.”
Contudo, Billi ressalta que a IA só é útil se for bem alimentada com os dados corretos. “Se a pessoa não souber orientar a IA com as variáveis certas — como taxa de juros, tipo de CDB, prazo de resgate, ou se existe desconto à vista no caso de uma compra, por exemplo — a resposta pode sair errada ou até confusa. A IA sabe fazer contas, mas ela precisa de contexto. É como uma calculadora inteligente: quem opera precisa saber o que está calculando.”
Santos concorda e completa: “Esse medo é comum. Muita gente acha que precisa entender de planilha ou finanças, mas a boa IA é aquela que te faz perguntas simples e vai aprendendo com você. Quanto mais você interage, mais ela entende seu perfil e consegue traçar simulações coerentes. E o melhor: com poucos dados já dá para obter recomendações úteis, desde que o sistema seja bem projetado.”
A tecnologia, portanto, pode reduzir a complexidade do investimento, mas não elimina a necessidade de aprendizado.
Decidi começar a investir em CDBs pelas caixinhas, posso usar IA?
Os CDBs são amplamente recomendados para quem quer sair da poupança e começar a investir com mais inteligência. E a IA pode ser uma grande aliada nessa jornada, desde que usada com critério, com boas perguntas e uma dose de educação financeira. Afinal, mesmo no mundo da tecnologia, o conhecimento continua sendo o melhor investimento.
A dica, segundo o especialista da Anbima, é começar com o básico: montar um fundo de emergência. “Isso é o feijão com arroz. Não adianta aplicar tudo em um CDB de longo prazo e depois precisar do dinheiro antes. Aí você corre o risco de resgatar com prejuízo ou de não conseguir acessar os recursos a tempo”, afirma.
Santos, da LP Digital, deixa um alerta: “A IA não é mágica. Ela é poderosa, mas precisa ser usada com consciência. Simulação não é garantia, e qualquer recomendação sem explicação deve ser vista com cautela. O investidor do futuro terá uma jornada acompanhada por uma IA que entende suas emoções, objetivos e decisões ao longo do tempo. Mas, até lá, é essencial manter senso crítico, entender o básico e lembrar que a IA é um copiloto. Quem segura o volante é você.”
Veja, na tabela abaixo, dicas dos especialistas sobre como começar pelas caixinhas de investimento, migrar para um CDB e ter a ajuda da IA em todo esse processo:
| Dica |
O que fazer |
Ferramentas recomendadas |
| 1. Comece pelo básico |
Use IA para montar sua reserva de emergência. |
Nubank Caixinhas, Inter, C6 Bank |
| 2. Dê contexto simples |
Informe valor, prazo, objetivo e perfil de risco. |
Qualquer IA bem projetada |
| 3. Compare com consciência |
Use IA como apoio, não como verdade absoluta. |
Simuladores da Anbima, BTG Pactual Invest |
| 4. Busque personalização |
Prefira ferramentas que evoluem com você. |
Warren, LP Digital (em desenvolvimento) |
| 5. Exija transparência |
Evite IA que só “empurra produto”. |
Warren, Anbima |
| 6. Rebalanceie sua carteira |
Use IA para simular e ajustar sua estratégia. |
Ferramentas avançadas (futuras: LP Digital) |
| 7. Aprenda o básico |
Entenda CDB, risco, liquidez e rentabilidade. |
Anbima Educação, conteúdos da XP |