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Educação Financeira

Como se preparar financeiramente para pagar um ‘cuidador’

Há um aumento expressivo de empresas especializadas no setor para suprir uma alta na demanda.

Por Iuri Gonçalves

15/05/2023 | 19:06 Atualização: 15/05/2023 | 19:08

Especialistas dão dicas de planejamento para situações em que gastos com saúde são necessários. (Foto: Envato Elements)
Especialistas dão dicas de planejamento para situações em que gastos com saúde são necessários. (Foto: Envato Elements)

O profissional conhecido com ‘cuidador‘ ou home care (atenção domiciliar, em português), é responsável por ações de prevenção, tratamento e reabilitação de saúde feitos em domicílio. Por mais que existam possibilidades gratuitas dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) para quem apresenta dificuldades em sair de casa para receber tratamentos, há um aumento expressivo de empresas especializadas no setor para suprir uma alta na demanda.

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De acordo com o Censo Nead-Fipe 2021/2022, realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com o Núcleo Nacional das Empresas de Serviço de Atenção Domiciliar (Nead), existem 1.167 estabelecimentos de atenção domiciliar no Brasil. As estatísticas apontam para “uma tendência contínua e quase ininterrupta de crescimento do setor”, mostra o Censo.

Como problemas de saúde muitas vezes tomam as pessoas de surpresa, as finanças podem ser impactadas com a necessidade de contratação de um home care. Como os custos são elevados, dependendo da complexidade do caso e do número de profissionais contratados, um bom planejamento financeiro é essencial. Nos cenários ideais, uma reserva para gastos com saúde já deve ser feita desde cedo, mesmo para aqueles que não possuam qualquer risco evidente.

Como se planejar para pagar um ‘cuidador’

Comece cedo

Antes mesmo de começar a guardar dinheiro, um planejamento envolve um bom diagnóstico das finanças pessoais. Não é simples guardar todo o dinheiro necessário para a saúde quando os problemas já ocorreram. A maneira ideal de fazer isso é aos poucos, considerando sempre as particularidades de renda e gastos.

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“Faça uma análise do seu fluxo financeiro atual, entendendo quais são as suas despesas obrigatórias e não-obrigatórias para aumentar a sua vazão de acumulação mensal já priorizando a inclusão do custo do home care”, recomenda Marlon Glaciano, especialista em finanças e planejador financeiro, para aqueles que desejem garantir uma eventual necessidade de gastos com esse tipo de atendimento.

Crie uma reserva financeira

Um fundo pessoal de emergência é recomendado para todas as pessoas, permitindo maior segurança para lidar com eventuais imprevistos — como os problemas de saúde.

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Especialistas apontam que a reserva seja aplicada em um investimento de baixo risco e com alta liquidez — ou seja, possa ser mais facilmente transformado em dinheiro — devido ao próprio objetivo de lidar com situação imprevistas.

Alguns ativos de renda fixa, como Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e Tesouro Selic, atendem esses critérios, além de garantirem a rentabilidade do investimento no momento da contratação.

“Reserva para acidentes, problemas de saúde, é sempre com liquidez e renda fixa. Não se deve optar por investimentos de renda variável ou arriscados, porque nunca se sabe quando vai precisar desse dinheiro, então há o risco de acabar necessitando dele justamente em um momento de queda”, aponta Lucas Muraguchi, diretor de administração fiduciária da Ouro Preto Investimentos.

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Para o caso particular do home care, Glaciano indica que a pessoa crie uma conta de reserva financeira projetando a quitação do primeiro ano de despesas. “Divida o valor necessário anualmente por 12 e armazene em um produto que remunere ao menos 100% do CDI. O objetivo é que o próximo ano já esteja quitado sempre ao iniciá-lo”, aponta.

Considere toda a família

Quando se pensa em saúde, imprevistos podem ocorrer não apenas consigo mesmo, mas também com pessoas próximas. Por isso, uma boa ideia é considerar essas pessoas ao fazer reservas financeiras destinadas a problemas de saúde. Esse pode ser um próximo passo após a criação de uma reserva de emergência individual, mantendo a frequência de depósitos pensando naqueles mais próximos.

“Com o aumento da longevidade, a rede de responsabilidade fica cada vez mais ampla”, diz Muraguchi. No Brasil a expectativa de vida tem aumentado, chegando a 77 anos em 2021 (desconsiderando aumento de mortes provocado pela pandemia).

Seguros de saúde e de vida

“É importante priorizar ter um seguro de vida e um seguro saúde adequados, pois em muitas situações haverá a indenização do mesmo para cobrir os custo de uma doença, invalidez e até mesmo um afastamento de saúde temporário”, diz Glaciano.

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Já alguns planos de cobertura de saúde privados garantem segurança de cobertura para home care, quando recomendado por um médico responsável. “Essas despesas incluem o custeio da equipe multidisciplinar, como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutrólogos. Exames, medicamentos, fraldas, gases medicinais, remoção do paciente, nutrição (no caso de dietas administradas via gastrostomia ou parenteral), oxigênio, cama hospitalar, cadeira de rodas e outros itens que seriam igualmente cobertos se o paciente estivesse em um ambiente hospitalar”, afirma Leo Rosenbaum, advogado especialista em planos de saúde, são incluídas obrigatoriamente as despesas com custeio profissional e de material.

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Pagar por um plano de saúde pode, portanto, servir para lidar com gastos relevantes que surgiriam com o home care em uma emergência. Vale destacar que mesmo aqueles que fizeram contratos antes da inclusão do artigo 12 da Lei 9.656, que garante as premissas mencionadas anteriormente, também tem direito ao custeio.

Poupe a saúde

Além da saúde financeira, é importante ficar de olho na saúde do corpo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a atividade física regular é um fator chave de proteção para prevenção e o controle das doenças não transmissíveis, como as doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e vários tipos de cânceres. O mesmo vale para a alimentação saudável, de acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

E a relação financeira não está tão distante assim. O estudo “Implicações socioeconômicas da Inatividade Física: Panorama nacional e implicações para políticas públicas”, da Universidade Federal Fluminense (UFF) estima que, apenas em 2019, os custos com internações por doenças crônicas não transmissíveis de indivíduos que não praticam atividade física o suficiente no tempo livre foi de R$ 290 milhões para o SUS.

Apesar das finanças pessoais não serem um espelho dos gastos públicos, a projeção dá ideia do impacto financeiro de hábitos sedentários. “Da mesma forma como os juros compostos pagam ao longo do tempo, os cuidados com o seu corpo também pagam dividendos ao longo do tempo”, aponta Muraguchi.

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