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Para muitos brasileiros, a Quarta-feira de Cinzas marca o início de outra etapa, a das despesas acumuladas com transporte, hospedagem, fantasias, alimentação e consumo. Gastos que parecem pequenos no momento, como duas latinhas por R$ 17 repetidas ao longo do dia, ganham outra dimensão quando somados na fatura. A chamada ressaca financeira se repete ano após ano, para a maioria, quase tão certa quanto a própria comemoração carnavalesca.
Segundo Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira, o impacto não está necessariamente nos quatro dias de folia, mas no desalinhamento entre desejo e realidade financeira.
“A educação financeira ensina que toda escolha feita no presente impacta diretamente o futuro. O Carnaval é um momento de alegria, mas não pode comprometer sonhos e projetos que exigem organização e constância”, afirma.
Para ele, o lazer deve estar previsto no planejamento anual. Quando isso não ocorre, o ajuste vem depois, muitas vezes acompanhado de juros.
Para quem exagerou nos gastos em 2026, o caminho passa por três etapas: diagnóstico, ajuste e mudança de comportamento.
“O primeiro passo é assumir a situação sem culpa, mas com responsabilidade. Depois disso, reorganizar o orçamento e definir prioridades. E, principalmente, mudar a forma como se relaciona com o dinheiro”, orienta Domingos.
A seguir, as 10 orientações para reorganizar o orçamento e evitar que a festa se estenda pelos próximos meses.
Liste absolutamente todos os gastos realizados durante o Carnaval, inclusive parcelas futuras no cartão de crédito. Inclua também compromissos já previstos para os próximos meses.
Sem diagnóstico não existe solução. É preciso olhar os números com clareza, ainda que eles não sejam confortáveis.
Se houver parcelamentos longos ou dívidas em atraso, procure o credor para renegociar condições e juros. Quanto mais cedo a conversa acontecer, menor tende a ser o custo.
Procrastinar, nesse caso, sai caro.
Reorganizar as finanças exige alinhamento. Compartilhe a situação, estabeleça objetivos de curto, médio e longo prazo e envolva todos nas decisões.
Quando há metas em comum, o comprometimento deixa de ser individual e passa a ser coletivo. A chance de desistir ou afrouxar os acordos cai drasticamente.
Após um período de gastos elevados, ajustes estratégicos são recomendáveis. Avalie categorias em que é possível reduzir valores sem comprometer a qualidade de vida.
“Todos nós temos excessos no orçamento. Identificá-los é fundamental para retomar o equilíbrio”, destaca Domingos.
Acompanhe extratos e faturas semanalmente nos próximos meses. O controle frequente evita surpresas e permite corrigir desvios rapidamente.
Cheque especial e cartão de crédito estão entre as linhas mais caras do mercado. Usá-los para cobrir gastos do Carnaval pode prolongar a ressaca ao longo do ano inteiro.
“Crédito não é extensão de renda. É um compromisso futuro que precisa caber no planejamento”, alerta o presidente da associação.
Compras motivadas por emoção ou euforia são comuns em períodos festivos. O pós-Carnaval é o momento ideal para rever esse comportamento e estabelecer critérios mais conscientes para consumir.
Disciplina não elimina o prazer. Só impede que ele vire problema.
A organização do orçamento precisa partir de prioridades claras. A lógica defendida por Reinaldo Domingos propõe que antes de distribuir a renda entre contas e consumo, é preciso definir quais sonhos e objetivos terão espaço naquele mês e ao longo do ano.
A partir da renda disponível, separa-se primeiro o valor destinado a metas como reserva de emergência, viagens ou projetos pessoais. Só depois disso as despesas devem ser ajustadas ao padrão de vida possível. Em outras palavras, os objetivos não entram se sobrar dinheiro, eles devem ser parte estruturante do orçamento, e os gastos, por sua vez, se moldam a essa decisão.
Carnaval, férias e festas de fim de ano não são surpresas no calendário. Criar reservas específicas para lazer ao longo do ano permite aproveitar esses momentos sem recorrer a parcelamentos.
“Quando o lazer é planejado, ele deixa de ser problema e passa a ser conquista”, afirma.
Separar um percentual fixo da renda para objetivos futuros fortalece a organização financeira. O valor inicial importa menos do que a constância.
“O Carnaval acaba, mas o próximo já está no calendário. Quem aprende a se planejar vive a festa com tranquilidade e sem culpa”, conclui Domingos.
Planejamento financeiro não começa depois da Quarta-feira de Cinzas, é um processo contínuo que antecede a festa e organiza o ano inteiro. Em se tratando de uma comemoração que estimula impulsos e gastos fora da rotina, o ideal é que o Carnaval dure exatamente o que foi previsto no orçamento.
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