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Educação Financeira

Tesouro Direto: como funciona?

Aprenda tudo sobre os títulos públicos, que podem trazer mais segurança e rentabilidade para os investimentos

Por Camilly Rosaboni

17/07/2024 | 12:04 Atualização: 17/07/2024 | 12:04

Tesouro Direto. (Foto: Adobe Stock)
Tesouro Direto. (Foto: Adobe Stock)

O Tesouro Direto contempla títulos públicos do programa do Tesouro Nacional, desenvolvido em parceria com a B3. O governo retira dinheiro desses papéis para financiar gastos e investimentos e, em troca, devolve o valor acrescido de juros.

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Por estarem associados à União, os títulos públicos podem trazer maior segurança e rentabilidade. “Emprestar para o governo é bem mais seguro que financiar uma empresa ou um banco na nossa economia”, afirma Christopher Galvão, analista de Fundos de Investimentos da Nord, nesta entrevista para o E-Investidor.

Dentro do Tesouro, há possibilidade de investir em tesouro prefixado (ou seja, com rentabilidade definida previamente), tesouro IPCA (ligado à variação da inflação) e Tesouro Selic (vinculado à taxa básica de juros, a Selic).

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Além desses títulos, o governo disponibilizou o Tesouro Renda+, em janeiro de 2023, para funcionar como um complemento à aposentadoria. Meses depois, foi criado o Tesouro Educa+, que representa uma forma de investimento para o pagamento das mensalidades de uma universidade privada. O Tesouro Direto permite aplicações a partir de R$ 30,00.

Como investir no Tesouro Direto

A escolha do investimento pode variar com o perfil do investidor. Pensando nisso, o Tesouro disponibilizou um simulador em seu site para testar qual título funciona melhor para o objetivo e o perfil de cada pessoa.

Com um título em mente, é preciso definir se prefere iniciar a aplicação pelo cadastro simplificado ou pelo fluxo tradicional. Na primeira alternativa, implementada em dezembro de 2022 com o nome de Cad&Pag, o usuário deve entrar no sistema do Tesouro a partir do login Gov.br. Depois, precisa selecionar o título para investir, enviar as informações pessoais e escolher uma das instituições parceiras – Banco Inter, Órama e a Terra Investimentos. Por fim, basta realizar o pagamento do produto, que pode ser feito via Pix, desde que a pessoa seja a titular da chave.

Se a opção do investidor for pelo fluxo tradicional, o usuário deve ter uma conta em uma corretora ou banco habilitado, que será o agente de custódia. As alternativas disponíveis podem ser verificadas nesta página. Com a conta criada, a pessoa precisa entrar em contato diretamente com a instituição financeira para solicitar o cadastro e a senha de acesso ao Tesouro Direto.

O investidor então vai receber por e-mail uma senha provisória enviada pela B3, que deve ser posteriormente alterada, contendo entre 8 e 16 dígitos, com letras, números e caracteres especiais. Com o acesso à plataforma liberado, o cliente poderá escolher o valor da aplicação e efetuar o pagamento do produto, a partir do dinheiro transferido para o agente de custódia.

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Dependendo da política do banco ou da corretora, os investimentos só poderão ser feitos pelo site da própria instituição financeira, mas o acesso à área exclusiva da plataforma do Tesouro Direto sempre ficará disponível para consultas complementares.

Qual é o melhor título do Tesouro para investir

O E-Investidor conversou com analistas do mercado financeiro para saber quais títulos do Tesouro Direto estão em destaque no mercado.

Para Alexandre Marques, gerente de produtos de renda fixa da Ágora Investimentos, o Tesouro Selic é o título mais conservador. Como o seu rendimento é atrelado à taxa básica de juros, essa é a opção mais indicada para a construção da reserva de emergência. Isso significa que se a Selic aumentar, o retorno do título também cresce.

“Caso o investidor tenha a necessidade de utilizar o recurso antes da data de vencimento do título, essa é a modalidade mais indicada”, diz Marques. Como o título acompanha a variação da Selic, não há impacto da marcação a mercado, o valor que o investidor receberia no dia de hoje se vendesse o título ou cota.

O Tesouro Prefixado 2027 é outra opção dentro do Tesouro Direto e oferta, nesta quarta-feira (17), a rentabilidade está em 11,44% ao ano. Ou seja, até 1 de janeiro de 2027, esse título ficará travado com esse rendimento. “Ele dá previsibilidade e permite, no momento da aplicação, conhecer exatamente qual será a rentabilidade no período”, diz Marques.

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“Os títulos prefixados e os atrelados ao IPCA, como Tesouro IPCA, Renda+ e Educa+, não são indicados caso o investidor tenha a necessidade de utilizar o recurso antes da data de vencimento. Caso seja esse o cenário, o Tesouro Selic seria a opção mais recomendada”, aponta Marques.

Ainda assim, independentemente da escolha, ele reforça que o melhor momento para investir é “hoje”. “Os juros compostos farão seu trabalho ao longo do tempo e quanto antes começar, melhor”, diz.

Impostos e taxas sob o rendimento

Apesar de garantir rentabilidade diária, o investidor que opta pelos títulos do Tesouro Direto não recebe como remuneração exatamente 100% do valor investido. Isso porque pode haver custos incidentes sobre a operação, como impostos ou taxas.

A cobrança sob os rendimentos é automática, sendo realizada pela instituição financeira do investidor, na hora do vencimento ou resgate, apenas sobre os rendimentos obtidos no período em que o dinheiro esteve aplicado, não sobre o montante total investido.

O Imposto de Renda (IR) é descontado no momento do resgate. A alíquota é regressiva, ou seja, quanto mais tempo você carregar o título, menos imposto irá pagar. Confira abaixo os prazos com as respectivas taxas.

  • 22,5%, em investimentos com prazo de até 180 dias;
  • 20%, em investimentos com prazo de 181 dias até 360 dias;
  • 17,5%, em investimentos com prazo de 361 dias até 720 dias;
  • 15%, em investimentos com prazo acima de 720 dias.

Também é possível pagar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que apresenta uma tributação regressiva para aplicações de até 30 dias. Caso o investidor mantenha seu título por mais de 30 dias, o IOF é zero.

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Existe ainda a taxa de custódia da B3, cobrada em janeiro e julho – ou na venda antecipada e encerramento de posição -, sendo 0,20% do saldo total de suas aplicações. As aplicações de valor inferior a R$ 10 mil no Tesouro Selic estão isentas.

Por fim, há a taxa de administração, uma cobrança feita por parte da instituição financeira (corretora, banco ou distribuidoras de valores) para custear suas atividades. Seu valor é opcional e varia dependendo da empresa. O investidor pode encontrar a relação das instituições financeiras no site do Tesouro Direto, clicando aqui.

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