

O Banco Master anunciou nesta quarta-feira (2) que iniciou um movimento de redução nas taxas dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidas pela instituição após a compra pelo Banco de Brasília (BRB). Segundo a instituição, a captação cresceu desde que o negócio com o BRB foi anunciado na sexta-feira (28).
A redução foi de pelo menos 0,3 ponto percentual em todos os prazos de vencimento. Agora, um CDB do Master prefixado com vencimento em 30 dias oferece um retorno de 13,9% ao ano. Antes, a taxa era de 14,2%. O mesmo título com prazo de 60 dias caiu de 14,4% para 14,1%, enquanto o de 90 dias teve redução de 14,5% para 14,2% ao ano.
Já os títulos pós fixados tiveram redução de até 3 p.p. O retorno do ativo com vencimento em um ano foi reduzido de 110% para 107% do CDI, enquanto o título de dois anos caiu de 114% para 111% do CDI. O Master chegou a emitir CDBs de 140% do CDI – um nível de retorno que o BRB prometeu honrar aos investidores após a compra da instituição.
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Mais cedo, o E-Investidor checou e essa taxa, que chegou a ser a maior oferecida no mercado, ainda estava disponível em algumas plataformas. O Banco Master se tornou um dos emissores preferidos de investidores pessoa física ao oferecer Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas bem acima da média do mercado. Veja a cobertura completa:
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- “O BRB vai ter que arcar com as taxas dos CDBs do Banco Master”, diz Abradin
A polêmica da compra do Master
O mercado brasileiro foi surpreendido pela notícia de compra de 58% do capital total do Banco Master pelo BRB. Desde então, vem tentando entender os detalhes da operação. Em comunicado, o BRB explicou que as empresas manterão as estruturas das companhias apartadas, com compartilhamento de governança, expertise, sinergias e coordenação estratégica e operacional. A marca será apenas a do BRB.
A operação precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pelo Banco Central; e o presidente do BC, Gabriel Galípolo, já começou a ter as primeiras reuniões sobre o tema. Na segunda-feira (31), o executivo recebeu em Brasília o presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, e também se reuniu com André Esteves, chairman do BTG Pactual. Como mostrou o Estadão, o BC analisa uma saída alternativa para a negociação e uma das possibilidades na mesa seria incluir o BTG Pactual na operação.
A atuação agressiva do Master já vinha chamando a atenção há tempos, mas ganhou foco especial no final de 2024, quando uma reportagem da revista piauí se debruçou sobre a estratégia de expansão dos negócios do banco comandado por Daniel Vorcaro. Como mostramos aqui, na época, o crescimento rápido da carteira de crédito arriscado da instituição levantou um burburinho no mercado. Tudo isso enquanto se tornava o emissor queridinho do investidor pessoa física ao oferecer CDBs de até 140% do CDI.
Não há nenhum problema aparente no Master, mas a preocupação de especialistas é de que, no caso de uma eventualidade, os títulos emitidos pelo banco comprometeriam cerca de 42% da liquidez total do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) – quem assume o pagamento de investimentos até R$ 250 mil para a pessoa física se uma instituição financeira quebrar ou não conseguir honrar as obrigações.
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A proteção do FGC foi utilizada como “muleta” por muitas corretoras para vender CDBs de bancos pequenos e médios aos clientes. E isso vinha preocupando até o Banco Central, como mostrou esta reportagem do Estadão.
O temor principal é de que um problema em um banco pequeno ou médio gere um risco sistêmico; ou seja, ao comprometer a liquidez do FGC, crie uma reação em cadeia que afete outras instituições. É por isso que para pessoas do mercado, o Master ficou “grande demais para quebrar”. Também por isso há quem veja a compra pelo BRB como um “socorro” por parte do banco estadual, uma medida de contenção de danos dado que uma crise de bancos custaria mais caro ao País.