

Desde o anúncio da venda do Banco Master por R$ 2 bilhões para o Banco de Brasília (BRB), na última sexta-feira (28), até o fechamento de terça-feira (1), as ações do BRB (BSLI4) saltaram 81,84%, chamando a atenção do mercado. Agora, com a notícia mais recente sobre a entrada do BTG Pactual (BPAC11) na disputa pela compra da instituição financeira, segundo apurou o Estadão, a visão dos analistas é que o desenrolar do negócio será árduo e complexo.
Para George Sales, coordenador de mestrado da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), o BRB busca ampliar sua presença no mercado nacional ao incorporar o Banco Master, que possui experiência em segmentos como cartão de crédito consignado, câmbio e mercado de capitais. No entanto, ele traz um ponto de atenção sobre a governança corporativa, visto que o BRB não seria o controlador do Master. “A possível transação levanta questões sobre governança corporativa, especialmente devido à estrutura que permite a Daniel Vorcaro (presidente do Banco Master) manter o controle do banco (o BRB ficaria com uma participação mista entre ações ordinárias e preferenciais)”, afirma Sales.
Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, explica que o Banco Central ainda pode barrar a compra do Master pelo BRB por ela apresentar um risco sistêmico. Isso porque o Banco Master adotava uma política agressiva de captação, oferecendo rendimentos elevados em Certificado de Depósito Bancário (CDB), com juros de 140% do CDI. Essa estratégia já era monitorada pelo BC devido ao potencial impacto no sistema financeiro.
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Já Charles Nasrallah, sócio do NCSS Advogados, faz um contraponto que, se o BRB conseguir a aprovação do Banco Central para a compra apenas da parte “saudável” do Master,
o mercado tende a considerar que a transação foi um bom negócio ao BRB. Segundo o advogado, a parte saudável do Master são ativos da Credcesta, empresa que fornece cartão de crédito consignado.
“No entanto, o risco ao comprador é grande, pois não há certeza de aprovação da compra fracionada, sendo que, ao que tudo indica, a compra está sendo realizada para evitar um colapso do banco Master”, diz Nasrallah. O advogado comenta que o banco está nessa situação devido ao seu alto endividamento. A dívida do Master com CDBs encerrou o quarto trimestre de 2024 no patamar de R$ 30,8 bilhões. Só nos próximos 12 meses, o banco tem que pagar R$ 5,3 bilhões em dívidas feitas em CDBs.
O valor total da dívida do Master, com captações em Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e os demais passivos financeiros emitidos pela empresa, somam R$ 58,2 bilhões no quarto trimestre de 2024. Caso o BRB assuma essa dividida, Nasrallah diz que o banco está assumindo um risco de contaminação, podendo, no futuro, ser demandado por eventuais credores.
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BRB ou BTG: qual potencial comprador de fatias do Master o investidor deve ter na carteira?
Os três analistas consultados possuem uma forte preferência para apenas uma das ações. Artur Horta, especialista em investimentos da GTF Capital, prefere as ações do BTG Pactual. Embora as ações do BRB tenham disparado nos últimos dias, o ativo tem baixa liquidez, ou seja, o investidor que comprar a ação pode ter dificuldades para vender o papel e resgatar o dinheiro. Esse tem sido não só o argumento de Horta, mas de todos os analistas ouvidos pela reportagem.
Para Angelo Belitardo, gestor da Hike Capital, além da baixa liquidez, a companhia ganhou a incerteza da compra do Master. Segundo ele, o investidor que entra nesse momento paga caro por uma tese ainda não comprovada, exposta a riscos operacionais e políticos. “Há bancos listados com maior previsibilidade e perfil mais sólido para o investidor de médio prazo”, diz Belitardo.
Já a preferência pelo BTG também é o grande ponto levantado pelos analistas ouvidos pelo E-Investidor. “O BTG possui um modelo de negócios diversificado, com exposição a diferentes segmentos financeiros”, ressalta Sales. Esse modelo de negócio diversificado do BTG tem feito os ativos da companhia subirem 26,17% no acumulado de 2025 até a última terça-feira (1).
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Horta, da GTF Capital, comenta que os papéis estão atrativos, mesmo após a alta do ano. Essa perspectiva é embasada no fato de o banco trazer resultados “impecáveis a cada trimestre”. Ele diz que a companhia é uma boa oportunidade no momento, por poder decolar no longo prazo quando os juros recuarem e o mercado de ações começar a se reaquecer, visto que a companhia atua fortemente no mercado de capitais.
Jeff Patzlaff lembra que a potencial aquisição da carteira de precatórios do Banco Master pelo BTG pode reforçar sua posição em segmentos específicos. “Os investidores interessados devem considerar o histórico de desempenho do BTG, que a cada ano tem aumentado seu lucro. Em 2024, o crescimento do lucro foi de 18% para R$ 12,3 bilhões. Além disso, o ideal é olhar as perspectivas futuras e os riscos associados à companhia antes de fazer a compra do papel”, explica.