O Master teve a liquidação extrajudicial em novembro de 2025. Desde então, os mais de R$ 40 bi estiveram “parados”, aguardando que o liquidante do banco repassasse ao FGC a relação completa de credores. Depois de dois meses, o pagamento de investidores foi iniciado no último sábado (17).
O BRB não é o único. A janela de liquidez fez bancos e corretoras se movimentarem. O E-Investidor apurou que ao menos seis bancos e corretoras estão fazendo o mesmo movimento, oferecendo CDBs promocionais e até campanhas de pontos para clientes que receberem o ressarcimento do FGC e reinvestirem os valores em cada uma delas.
Mas a situação do banco estatal é diferente. O risco do emissor, nesse caso, preocupa mais o mercado.
Basta observar as taxas oferecidas. A LCI do BRB paga 105% do CDI, sendo isenta de Imposto de Renda (IR). A Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) promocional do Safra, também lançada para atrair recursos que vem do FGC, paga 96% do CDI.
O CDB que o BTG está oferecendo a clientes nesta semana, prefixado e de curto prazo, tem 15% de rentabilidade ao ano, em linha com o atual patamar da taxa Selic. O CDB do BRB, 120% do CDI.
Qual é o risco do BRB?
O Banco de Brasília, controlado pelo governo do Distrito Federal, era visto como uma instituição sólida e de baixo risco para os investidores. A percepção, entretanto, começou a mudar com o avanço das investigações em torno das suspeitas de crimes financeiros durante a tentativa de compra do Banco Master, em março de 2025.
A percepção de risco piorou recentemente, após a liquidação do Master e de outras instituições ligadas aos negócios de Daniel Vorcaro, com a cobrança do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de prazos para o governo do Distrito Federal (GDF) realizar um aporte de R$ 4 bilhões no Banco de Brasília. Caso contrário, a estatal estará sujeita a sofrer intervenções do BC.
A medida prevê a nomeação de um interventor que assume a gestão direta da instituição, ação que costuma ser adotada quando o BC enxerga possibilidade de recuperação. Ainda assim, uma intervenção pode caminhar para uma liquidação futura, caso o processo não tenha sucesso.
O desfecho, porém, seria diferente se o BRB fosse um banco federal. Adilson Bolico, sócio do escritório Mortari Bolico Advogados, explica que, nesses casos, a liquidação só poderia ser decretada por lei e o Tesouro Nacional seria acionado para socorrer a instituição financeira. “Como o BRB é uma instituição pública de nível estadual, haverá uma série de implicações ou tentativas de solução menos danosa para o banco”, diz Bolico.
Procurado, o Banco de Brasília afirma que possui liquidez suficiente para honrar com seus compromissos.
Os cuidados com os títulos do BRB
Quem optar por reinvestir os recursos recebidos pelo FGC nos títulos do BRB precisa estar ciente desse risco. Afinal, no pior dos cenários, voltaria à “fila” do segurador.
No caso de uma intervenção no banco, há a possibilidade do FGC ser acionado para o pagamento de garantias. Neste caso, os CDBs, LCIs e LCAs contam com essa cobertura que assegura o ressarcimento de até R$ 250 mil por CPF em aplicações caso a instituição financeira sofra alguma intervenção, liquidação ou falência. A cobertura inclui tanto o valor nominal quanto os rendimentos alcançados com o investimento. Mas há o risco de ficar com o dinheiro “travado” até que o pagamento seja feito.
No melhor dos cenários, o BRB garante a liquidez e paga os investimentos no prazo determinado na contratação do ativo. E com a vantagem da alta taxa oferecida – em termos de comparação, por causa da isenção de Imposto de Renda (IR), as LCIs têm sido ofertadas no mercado a taxas abaixo de 95% do CDI.