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Investimentos

Cortes na Selic: XP, BTG e C6 abrem o jogo sobre os juros e o que vem pela frente

Ata do Copom reforça tom cauteloso do Banco Central em meio a incertezas externas e abre espaço para diferentes ritmos de cortes das taxas

Por Isabela Ortiz

25/03/2026 | 10:31 Atualização: 25/03/2026 | 10:31

Banco Central reforça cautela com Selic a 14,75% e condiciona ritmo de cortes ao cenário externo (Foto: Adobe Stock)
Banco Central reforça cautela com Selic a 14,75% e condiciona ritmo de cortes ao cenário externo (Foto: Adobe Stock)

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada na terça-feira (24) reforçou a leitura de que o ciclo de queda de juros começou cercado de incertezas, sobretudo vindas do cenário externo. Após o corte de 0,25 ponto porcentual, que levou a Selic a 14,75% ao ano, casas como XP Investimentos, BTG Pactual e C6 Bank concordam que o Banco Central (BC) deixou a porta aberta, mas evitou qualquer compromisso mais firme com o ritmo dos próximos passos.

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De modo geral, o documento divulgado ontem –  veja aqui – trouxe poucas novidades em relação ao comunicado da decisão, reforçando um tom considerado neutro a levemente dovish (postura favorável à redução dos juros). O próprio BC indicou que os eventos recentes, especialmente a guerra no Oriente Médio, aumentaram a incerteza global, o que justifica uma condução mais cautelosa da política monetária que levou a Selic a 14,75% ao ano, e não a uma taxa mais baixa.

Nesse contexto, o Copom afirmou que “julgou apropriado seguir com serenidade e reunir mais informações ao longo do tempo”, destacando que a combinação de conflitos geopolíticos e sinais mistos da atividade econômica dificulta a leitura mais clara sobre a trajetória da inflação.

Esse pano de fundo ajuda a explicar por que, embora o ciclo de cortes tenha sido iniciado, o Comitê optou por um passo mais contido. Segundo a ata, “nesse momento a redução de 0,25% é a mais adequada”, uma formulação que, como destacam os analistas, preserva flexibilidade para ajustes futuros.

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O BTG Pactual chama atenção justamente para esse ponto. Para o banco, o trecho central da ata deixa claro que “a magnitude e a duração do ciclo serão definidas ao longo do tempo”, o que indica que o Copom não quer cristalizar o ritmo de cortes neste estágio. Na prática, isso significa que a autoridade monetária deixa abertas tanto a possibilidade de acelerar quanto de seguir o ritmo atual, a depender da evolução do cenário.

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Essa leitura é reforçada pelo diagnóstico de que o ambiente externo “tornou-se mais incerto”, com impacto direto sobre ativos, commodities e condições financeiras globais. O choque geopolítico elevou a volatilidade, especialmente nos preços de energia, e trouxe novas dúvidas também sobre a política econômica dos Estados Unidos.

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Política monetária começa a surtir efeito

O BC destacou a desaceleração da atividade no fim de 2025, sobretudo nos componentes mais sensíveis ao ciclo econômico, evidenciando o impacto dos juros elevados no País. Ao mesmo tempo, reconheceu que indicadores iniciais de 2026 mostram alguma retomada, ainda que com sinais mistos.

No campo da inflação, o diagnóstico é igualmente equilibrado. O documento reconhece um “arrefecimento” nas leituras mais recentes, mas pondera que esse movimento foi parcialmente interrompido pelo choque externo. As expectativas, que vinham em queda, voltaram a subir após o início dos conflitos e seguem acima da meta em todos os horizontes relevantes.

A XP Investimentos destaca que, mesmo com esse cenário mais desafiador, o plano de voo do Copom não foi significativamente alterado.

“A pressão inflacionária, que provavelmente decorrerá de custos mais elevados de energia, não parece alterar de forma significativa o plano de voo do Copom, ao menos até o momento”, avalia a casa.

Ainda assim, o balanço de riscos ficou mais complexo. A ata aponta que tanto os riscos de alta quanto de baixa para a inflação se intensificaram, o que dificulta extrair uma direção clara. Isso justifica, mais uma vez, a postura cautelosa.

Do lado altista, pesam fatores como desancoragem das expectativas, resiliência da inflação de serviços e um câmbio mais depreciado. Já entre os riscos de baixa, aparecem uma desaceleração mais forte da economia doméstica ou global e uma eventual queda nos preços das commodities.

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Esse ambiente de incerteza também aparece nas projeções. O Banco Central manteve sua metodologia para o petróleo, considerando a curva futura por seis meses e uma alta de 2% ao ano depois disso, o que resultou em uma trajetória de inflação com pressão de curto prazo, mas desaceleração ao longo do horizonte relevante.

Casas divergem no ritmo dos cortes

O C6 Bank avalia que a comunicação do Copom é compatível com uma nova redução na próxima reunião, mas destaca que o ritmo dependerá essencialmente da evolução do conflito no Oriente Médio.

“Na ausência de um arrefecimento, o ritmo de 25 pontos-base (pb) deve ser mantido. Por outro lado, uma melhora do cenário pode abrir espaço para cortes de 50 ou até 75 pontos-base”, afirmam os economistas.

Por ora, o banco reforça a projeção de um corte de 0,50 ponto porcentual na próxima decisão e de uma Selic terminal em 12,50% ao ano. Ainda assim, ressalta que uma escalada do conflito pode levar o BC a ser mais conservador, mantendo os juros em patamar mais elevado por mais tempo.

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Já o BTG Pactual adota uma visão mais cautelosa no curto prazo. Para o banco, “mantido o cenário atual, o mais provável é a continuidade do ciclo com corte de 25 pb na próxima reunião”, embora reconheça que uma redução da incerteza, especialmente via queda nos preços de energia, poderia destravar uma aceleração para 50 pb.

A XP Investimentos, por sua vez, mantém um cenário mais otimista para o ritmo de cortes. A casa projeta quatro reduções consecutivas de 0,50 ponto porcentual, levando a Selic a 12,75%, sob a hipótese de arrefecimento das tensões geopolíticas, recuperação moderada da atividade e inflação dentro do intervalo da meta.

Ainda assim, a XP faz uma ressalva importante, “há chances de deterioração do cenário inflacionário”, o que pode exigir uma calibragem menos intensa da política monetária. Nesse sentido, o monitoramento do petróleo, do câmbio e das expectativas de inflação será determinante nas próximas semanas.

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