Com um custo de produção estimado em US$ 58 por tonelada, a Vale mantém uma confortável margem de segurança, mesmo com o minério de ferro nos níveis atuais, na faixa de US$ 90 a US$ 100. A eficiência operacional da companhia garante sua capacidade de distribuir dividendos elevados.
“À medida que o papel fica mais descontado, o dividend yield aumenta, já que o valor pago em dividendos permanece inalterado enquanto o preço da ação cai”, observa Igor Guedes, analista de mineração da Genial Investimentos.
Pelo último balanço processado em setembro, a Vale havia entregado um rendimento em dividendos de 10.3% em 12 meses.
Dividendo de dois dígitos em 2025?
Em relatório do dia 3 de janeiro, o Itaú BBA estimou um yield de 8% para a companhia em 2025, num preço-alvo de US$ 12, ou R$ 74 no câmbio daquele dia. Usando a estimativa como referência, caso o preço da Vale se mantivesse a preços de hoje, na casa dos R$ 52, essa rentabilidade em proventos subiria para mais de 11%.
Um percentual que casa com a estimativa de Frederico Nobre, gestor de investimentos da Warren. “A Vale segue bem posicionada para manter uma distribuição robusta de dividendos, provavelmente em patamares de 10% a 12%”, diz o gestor. “Nossa expectativa é que o preço médio do minério fique entre US$ 90 a US$ 100 USD por tonelada em 2025. Nesse intervalo, a Vale mantém margens saudáveis e capacidade de distribuir dividendos robustos”, considera.
Investidor se mantém pessimista com a Vale
Mesmo mantendo uma operação saudável, o mercado não tem confiança com o futuro da Vale. “Os clientes com quem converso, especialmente gestores institucionais, permanecem extremamente pessimistas”, diz Guedes, da Genial.
“Vejo como algo difícil que o interesse pela Vale volte de forma significativa. Há sempre rumores, vindos da China, como possíveis pacotes de estímulo, que até geram pequenas altas, mas nenhuma medida conseguiu realmente abordar o problema central”, diz o analista. Ele destaca que o país asiático passa por um problema estrutural relacionado à demografia, que afeta diretamente a construção civil, grande consumidor de minério de ferro.
Na análise gráfica, o analista Gilberto Coelho Jr., da XP, soltou relatório nesta terça (7) que estima novas quedas do papel da Vale (VALE3) no curto prazo. Prevê preços de R$ 48,68 e R$ 44,88, agora que o papel está abaixo de R$ 52,48. Nesta avaliação, para voltar a subir, a ação da Vale precisaria superar os níveis de resistência, que são R$ 53,79 e, mais acima, R$ 61,38. Além disso, o indicador IFR (Índice de Força Relativa) mostra que a ação está muito vendida, o que pode indicar uma recuperação, caso ultrapasse os R$ 53,79.