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Investimentos

Entenda por que vale a pena ter IPCA+ na carteira com inflação alta

Risco fiscal ajudou a reforçar ainda mais a perspectiva de investimento na renda fixa

Por Luíza Lanza

17/11/2022 | 4:32 Atualização: 16/11/2022 | 19:47

 (Foto: Envato)
(Foto: Envato)

O boletim Focus divulgado na segunda-feira (14) trouxe pela terceira semana consecutiva uma piora nas expectativas do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Depois de dezenas de semanas em queda, a projeção de inflação para 2022 foi reajustada de 5,63% para 5,82% no acumulado de 12 meses.

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A revisão vem em linha com a alta mensal de 0,59% em outubro ante setembro, divulgada na última semana – a primeira depois de três meses de deflação.

Se por um lado os números reforçam a mensagem de que a batalha contra a inflação não está ganha, por outro mostram para os investidores de renda fixa que ainda faz sentido manter as posições em títulos atrelados ao IPCA.

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Embora a alta do IPCA em outubro não seja surpresa, dá alguns indicativos importantes sobre a pressão inflacionária no País, explica Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital. O primeiro deles é que, se não fossem os movimentos do governo para reduzir a alíquota do ICMS de combustíveis e energia, a inflação não teria dado trégua em nenhum mês de 2022. “Tirando esse movimento, que é única e exclusivamente gerado por medidas legislativas e não por fenômenos macroeconômicos, não teríamos visto deflação em nenhum mês no ano. Era esperado que a inflação voltasse a subir e foi o que aconteceu”, pontua.

A tendência é de que o mercado volte a revisar as expectativas de curtíssimo prazo para a inflação até o fim de 2022. Principalmente porque o fim de ano costuma ser uma época mais movimentada, com pagamento de 13º salário e gastos maiores em serviços, explica a economista. “A pressão inflacionária ainda existe e é natural que daqui para frente a gente veja novos ajustes na expectativa de inflação para 2022 e inclusive para 2023”, diz.

Ainda assim, a alta recente no IPCA não indica necessariamente uma virada de chave negativa. Dalton Gardimam, economista-chefe da Ágora Investimentos, destaca que a Selic elevada demora a causar efeitos na economia, mas que o atual patamar de juros de 13,75% ao ano deve ser suficiente para fazer a inflação baixar. “É praticamente impossível que um juro real de 8% não seja suficiente para conter a inflação. O problema hoje é dar tempo ao tempo”, afirma.

Até lá, porém, o curto prazo promete volatilidade. Principalmente dada a incerteza com a transição política e a expectativa de que o novo governo Lula aumente os gastos públicos para financiar novos programas sociais. O que poderia acelerar novamente a pressão inflacionária e manter os juros em alta por mais tempo.

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Leia também: Juros: taxas sobem com cautela sobre PEC de Transição

E é justamente por causa dessa incerteza que os especialistas defendem que os títulos atrelados à inflação são boas opções. “Tem uma incerteza inflacionária para 2023 e dúvidas ainda para 2024. Porque não garantir uma taxa real de 5,6% com a proteção de inflação?”, questiona Gardimam.

Os títulos atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+, são híbridos, remunerando uma parte pós-fixada em inflação e outra prefixada no momento da aplicação. Por isso, garantem sempre um juro real; isto é, rendimento sempre maior do que a inflação do período. “Se imaginarmos vários anos daqui para frente a situação de estresse fiscal, a melhor opção ainda é estar em um instrumento indexado à inflação”, diz o economista da Ágora.

Para Caio Canez de Castro, especialista em investimentos da GT Capital, os títulos IPCA+ já estavam bem atrativos, mas a elevação do risco fiscal na última semana ajudou a reforçar ainda mais a perspectiva de investimento na renda fixa. As incertezas vêm principalmente da discussão política em Brasília, onde a equipe de transição do novo governo discute com o Congresso um espaço fora do Teto de Gastos para financiar os programas sociais prometidos em campanha.

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“Essa atratividade era praticamente exclusiva aos títulos de longo prazo como vencimentos em 2026 em diante, por exemplo”, diz ele. Agora, com os atuais dados de inflação e indicações do mercado, esses ativos ficam atrativos também para prazos menores. “Destaco o Tesouro Direto IPCA+ (NTN-b) com vencimento em 2024, por ter em sua parte prefixada uma rentabilidade maior que os juros reais projetados pelo mercado no boletim Focus”, pontua Castro.

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