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Investimentos

O que são as finanças descentralizadas (DeFi)?

Atualmente, esse segmento de criptoativos está avaliado em cerca de US$ 85 bilhões

Por Luiz Felipe Simões

07/06/2021 | 15:12 Atualização: 14/10/2022 | 9:40

O segmento de criptoativos pode ser uma boa saída para quem procura finanças descentralizadas - ou DeFI, na sigla em inglês.(Foto: Envato Elements)
O segmento de criptoativos pode ser uma boa saída para quem procura finanças descentralizadas - ou DeFI, na sigla em inglês.(Foto: Envato Elements)

Muito tem se ouvido falar do DeFi, abreviação para decentralized finance, ou, no bom português, finanças descentralizadas, o segmento de criptoativos que pode revolucionar o mercado financeiro como conhecemos hoje.

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Segundo informações da Coingecko, companhia de análise fundamental do setor de criptos, o mercado de DeFi está avaliado em cerca de US$ 85 bilhões e representa uma fatia de 5,3% do segmento como um todo, que atualmente está na faixa dos US$ 1,6 trilhão.

O surgimento das DeFI

Segundo Rodrigo Borges, especialista em cripto, blockchain e tokenização de ativos da Ohmresearch, as finanças descentralizadas surgiram em meados de 2016 e 2017. Tudo isso por meio da aplicação dos contratos inteligentes da rede Ethereum.

De maneira simples, é possível comparar o ecossistema da rede Ethereum com uma grande loja de aplicativos, na qual é possível criar diversas aplicações por meio dos contratos inteligentes.

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Em poucas palavras, o DeFi é a aplicação dos contratos inteligentes da rede Ethereum. Apesar de ter a palavra “contrato” no nome, ninguém assina nada em lugar nenhum. Os smart contracts, como também são conhecidos, são contratos eletrônicos cuja execução é autônoma, ou seja, independente de qualquer parte.

Na prática, os contratos inteligentes possibilitam a criação de sistemas que reproduzem serviços do mercado financeiro de forma descentralizada, como empréstimos, seguros e até bolsas de valores, tudo sem a interferência de terceiros.

“Em 2020 começamos a escutar bastante sobre DeFi e, no segundo trimestre, houve uma verdadeira explosão, com várias moedas e protocolos relevantes que endereçam problemas variados”, diz Bruno Milanello, executivo de Investimentos do Mercado Bitcoin, corretora especializada em criptomoedas.

Principais projetos DeFi

De acordo com Milanello, atualmente existem 129 ativos digitais DeFi, e novos projetos são criados todos os dias. O maior deles, segundo a Coingecko, é a Uniswap, que funciona como uma exchange de criptomoedas onde os usuários podem trocar seus tokens entre si. “A plataforma já negociou mais de US$ 100 bilhões”, diz o executivo.

Na opinião de Borges, há uma incrível vantagem da exchange descentralizada, além de ser democrática e universal. “A Uniswap não exige nada de você para que seja cliente dela, só uma conta de e-mail e uma carteira de criptomoedas da rede Ethereum, como a MetaMask, por exemplo”, diz.

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Conheça os principais projetos na opinião dos entrevistados:

Unisawp (UNI)

Com uma capitalização de mercado de US$ 15,2 bilhões, a corretora descentralizada é a maior do mundo. Contudo, só é possível trocar ativos digitais entre si, ou seja, não há circulação de moedas fiduciárias, como dólar e real.

Maker (MKR)

O protocolo de empréstimos possui uma capitalização de mercado de US$ 3,2 bilhões e é uma das principais plataformas deste serviço. O protocolo possui sua própria moeda estável, conhecida como DAI, pareada com o dólar.

Yearn.fiance (YFI)

Lançada em 2020, a Yearn.finance conta com um valor de mercado de US$ 1,5 bilhões e é a maior plataforma de rendimento automatizado da rede Ethereum. Basicamente, é um “robô” que busca rentabilidade para quem deposita por meio de empréstimos, ou enviando as criptomoedas para outros aplicativos de DeFi.

Vantagens e desvantagens da descentralização

De maneira geral, quando o intermediário sai do processo, os custos ficam mais baixos, tornando os empréstimos baratos para os tomadores, trazendo também mais rendimentos para os credores.

Nadia Alvarez, head de growth da MakerDAO, acredita que a maior vantagem das finanças descentralizadas é a transparência. “Para você ter um ecossistema descentralizado que possa existir, é necessário compartilhar a informação com todo mundo e, para isso, é preciso que o seu protocolo seja totalmente transparente”, diz.

Além disso, grande parte dos projetos são open source, softwares de código aberto que permitem que tudo que é construído seja visível para todos. Na opinião de Alvarez, isso facilita a inovação.

Outro ponto bastante positivo é que o DeFi é aberto para todos, não exige documento e não se preocupa se você é investidor qualificado ou não. “O sistema financeiro como existe hoje demanda que as pessoas que geram valor tenham uma confiança extrema nas instituições. Muitas delas são comandadas por pessoas que possuem seus próprios interesses e nem sempre estão ao seu lado”, diz Borges.

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Do lado negativo, Borges acredita que, como o DeFi ainda não é regulado, o governo e os órgãos de controle ainda estão tentando entender como lidar com isso.

Outro ponto negativo é que não há para quem ligar caso aconteça algum problema, ou seja, não há um grande suporte, ao contrário de um banco, com SAC disponível 24 horas por dia.

Como e onde investir?

Para os investidores que desejam adentrar no mundo das finanças descentralizadas e começar a investir nos projetos, Milanello faz alguns avisos. “Se o mundo de cripto é muito recente, o de DeFi é mais novo ainda. Por isso, tenha certeza que você não está investindo um protocolo fantasma, que você vai depositar em uma carteira de alguém que vai sumir com os seus tokens”, diz.

Atualmente, os investidores podem escolher entre duas opções. A primeira é realizar o investimento diretamente por meio das corretoras especializadas de criptomoedas, como Mercado Bitcoin, Nova Dax e Foxbit. As três são associadas à ABCripto (Associação Brasileira de Criptoeconomia) e disponibilizam ativos digitais do DeFi em suas plataformas.

O outro jeito é por meio dos fundos de investimentos. Nessa categoria, os investidores têm à disposição dois fundos, um voltado para o investidor qualificado e outro para o público em geral. Ambos são da Vitreo.

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O Bitcoin DeFi é voltado para todos os tipos de investidores, possui investimento mínimo de R$ 1 mil e custo de administração de 0,05% ao ano, mais taxa dos fundos investidos.

Já o Cripto DeFi tem como alvo os investidores qualificados, ou seja, com mais de R$ 1 milhão em aplicações. O fundo conta com uma aplicação mínima de R$ 5 mil, custo de administração de 1,5% ao ano e taxa de performance de 20% sobre o que exceder 100% do ICE US Treasury Short Bond Index TR +2% (em reais).

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