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Investimentos

O que o investidor pode esperar do Fed em 2023

Expectativa é de que o banco central dos EUA ainda precise subir juros em ao menos 75 bps em 2023

Por Luíza Lanza

14/12/2022 | 17:58 Atualização: 14/12/2022 | 18:26

REUTERS/Kevin Lamarque
REUTERS/Kevin Lamarque

O ano dos mercados globais foi marcado, entre muitos fatores, pelo aumento das taxas básicas de juros nas economias desenvolvidas. E nem a maior economia do mundo escapou: foram sete ajustes consecutivos na taxa dos Estados Unidos, saltando do intervalo entre 0% a 0,25% com que começou o ano para encerrar 2022 entre 4,25% e 4,5%, o maior patamar em 15 anos. Nesta reportagem, traçamos a retrospectiva do período.

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A última alta do ano foi anunciada nesta quarta-feira (14) pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O comunicado após a reunião do Federal Open Market Committee (FOMC, o Copom dos EUA) veio em um tom mais duro do que o esperado, fazendo as bolsas de Nova York virarem para o negativo. Às 16h05, o Dow Jones caía 0,10%, enquanto o S&P 500 tinha queda de 0,25% e a Nasdaq, de 0,54%.

As sinalizações dadas pelo Fed corroboram com uma expectativa que já paira sobre o mercado: a pior parte do aperto monetário ficou para trás, mas ainda há trabalho para ser feito. A alta desta quarta-feira é a primeira de 50 pontos-base desde maio – de lá para cá, foram quatro ajustes de 75 bps, um patamar de elevação na taxa que não se via nos EUA desde 1994.

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O que permitiu a desaceleração no ritmo foram os sinais positivos no Índice de Preço ao Consumidor (CPI), o principal indicativo de inflação no país. Divulgado na quinta-feira (13), o CPI subiu apenas 0,1% em novembro na comparação com outubro, atingindo um acumulado de 7,1% em 12 meses. Uma boa surpresa dado que a expectativa do mercado era de uma alta de 0,3% em novembro ante outubro, e de um acumulado de 7,3% em 12 meses.

“A inflação abaixo das expectativas mostra que não somente o pico de inflação passou, mas que está desacelerando mais rápido do que o mercado esperava”, diz Andrey Nousi, CFA e fundador da Nousi Finance. Ainda assim, o especialista destaca que o trabalho contra a inflação “não será fácil”, dado que alguns núcleos seguem acelerados.

Agora, o mercado começa a desenhar uma nova fase do ciclo monetário nos EUA para 2023.

Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, explica que a primeira batalha do Fed foi elevar os juros até que fosse possível diminuir a magnitude dos ajustes, coisa que já foi feita. A segunda, discutir até onde os juros vão precisar ser elevados para conter a inflação, uma discussão de taxa terminal que atualmente vivemos no Brasil, com a Selic estacionada nos 13,75% ao ano.

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A terceira e última fase, essa ainda distante, é decidir quanto tempo a taxa precisará se manter no patamar terminal até que o Fed possa iniciar os primeiros cortes.

“Estamos no meio da segunda fase, que é definir até onde o Fed vai”, destaca o economista. “O Fed tem sido bastante claro que hoje eles têm uma expectativa maior para a taxa terminal do que tinham em setembro, quando esperava-se algo entre 4,5% e 4,75%. A nossa expectativa é que termine entre 5% e 5,25%”.

Ao final da reunião, o Fed comunicou que novas altas de juros serão necessárias para levar a política a um nível restritivo. Apenas dois dirigentes da instituição veem o juro na faixa entre 4,75% a 5% ao final de 2023 – outros 17 esperam 5% ou mais para o próximo ano.

Para ultrapassar a casa dos 5%, ainda seria necessário mais 75 bps em 2023. Um ajuste que, segundo Olivares, pode ocorrer em duas reuniões, com altas de 50 bps e 25 bps respectivamente, ou em três, com altas de 25 bps. “Se o Fed quiser deixar um sinal mais claro de que, mesmo com a inflação corrente surpreendendo positivamente, ainda quer baixar mais; o caminho é fazer 50 bps já na primeira reunião de fevereiro”, diz.

Recessão x fim das altas

Mesmo no caso de três ajustes de 25 bps pela frente, o Fed encerraria o ciclo de altas ainda antes do fim do primeiro semestre do ano, na terceira reunião do FOMC marcada para maio. Depois disso, há a possibilidade de iniciar os primeiros cortes na taxa de juros ainda em 2023. Uma discussão que passa inevitavelmente pela tão falada recessão.

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A expectativa geral é de que os primeiros efeitos da política monetária comecem a ser sentidos na economia americana em 2023, um processo que, se ocorrer com muita força, pode levar a maior economia do mundo a uma desaceleração brusca na atividade econômica. Um receio que veio sendo ventilado no mercado desde o início do aperto monetário em 2022.

“A resiliência do mercado de trabalho americano pode levar o Fed a manter o ciclo de aperto monetário acima do previsto, levando os EUA a um período de desaceleração econômica”, ressalta Carlos Vaz, CEO e fundador da Conti Capital. Na visão do especialista, o risco de recessão ainda é pequeno, mas, se acontecer, “será uma fase atravessada sem grandes prejuízos”.

Na outra ponta, o cenário mais positivo passaria por uma redução da pressão inflacionária a nível global sem que a economia dos EUA entre em recessão; o que permitiria que o Fed fizesse o primeiro corte na taxa de juros ainda no próximo ano.

Impacto no Brasil?

Até que seja possível ter mais clareza sobre os futuros passos do Fed, os especialistas apontam um bom prognóstico para 2023: um período mais tranquilo nos mercados de renda variável, que neste ano sofreram com a alta dos juros.

“O que incomoda o mercado é a incerteza, não saber até onde vai subir a taxa de juros. Tudo mais constante, a retirada desses cenários mais adversos levaria a uma reprecificação positiva nos preços dos ativos”, explica Gino Olivares. “Os mercados globais vão ter um 2023 melhor que o de 2022, mas é um otimismo moderado até porque foi um ano muito ruim”.

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Tasso Lago, fundador da Financial Move, concorda: “Com a estabilização dos juros, a gente tende a ter um 2023-2024 levemente mais positivo para os mercados. Uma nova onda de alta e de topos históricos pode vir em 2025-2026, apenas”.

Mas, caso esses cenários mais positivos não se concretizem, o mau humor pode se refletir também no Brasil. No segundo trimestre de 2022, as incertezas frente ao recém iniciado aperto monetário nos EUA jogaram um balde de aversão a risco nos mercado globais, com investidores fugindo para ativos mais seguros. Movimento que acabou respingando na bolsa brasileira, que passou alguns meses vendo o capital estrangeiro sair do País.

“Se o cenário mais pessimista do FED se concretiza, resulta em juros mais altos e maior probabilidade de recessão. Pro Brasil, impacta em cambio maior com desvalorização da nossa moeda, mais pressão sobre a nossa inflação e demanda externa menor de produtos brasileiros”, pontua Beto Saadia, economista e sócio da BRA BS.

Tudo isso enquanto o Brasil enfrenta a volatilidade de um novo governo. “Além da maior previsão de juros por aqui por ruídos vindos de Brasília, há impacto adicional nos juros daqui vindo dos EUA”, diz Saadia.

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