

Com R$ 400 mil disponíveis para investir, não existe uma fórmula única ou um ativo mais recomendado para compor a carteira ideal. Especialistas aconselham sempre a diversificação, independente do valor a ser aplicado, considerando o perfil de risco e os objetivos de cada pessoa.
“Com uma alocação eficiente, ele pode atravessar diversos ciclos econômicos, desde que monte um portfólio focado tanto na acumulação quanto na preservação do seu patrimônio”, diz Ellen Steter, especialista da Ágora Investimentos.
Os perfis de investimento variam conforme os níveis de risco que a pessoa está disposta a tomar. Um perfil conservador, por exemplo, prefere evitar grandes oscilações, enquanto um moderado pode correr um risco balanceado. O perfil arrojado, por outro lado, tem possibilidade de se arriscar mais em troca de um maior retorno potencial.
Publicidade
Eduardo Reis, especialista de investimentos na Ágora e educador financeiro, comenta que não só o perfil do investidor precisa ser levado em consideração, como também o seu momento de vida. “É preciso escolher ativos que estejam em sintonia com seus prazos planejados para resgate”, aconselha.
Outro fator que deve ser considerado pelo investidor antes de montar a carteira é o cenário econômico. Vale sempre acompanhar indicadores como a taxa de juros e a inflação, além de monitorar as perspectivas de crescimento global.
“O Brasil está com uma taxa de juros elevada, o que torna a renda fixa atraente, mas o dólar alto também pode tornar os ativos internacionais interessantes”, explica Lucas Santos, sócio e assessor da Blue3 Investimentos.
Como balancear a carteira com R$ 400 mil
João Daronco, analista da Suno Research, afirma que a classe com maior potencial de retorno é a de ações. Entretanto, para operar com os papéis, o investidor precisa estar disposto a lidar com a alta oscilação, além de compreender o funcionamento do mercado.
“Já a renda fixa acaba por ser a classe mais tranquila na questão de volatilidade, enquanto os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) são quase o meio do caminho”, afirma.
Publicidade
Para um perfil conservador, a maior parte do capital deve estar alocada em renda fixa, em uma porcentagem que varia de 70% a 90% do portfólio, segundo os especialistas consultados pelo E-Investidor.
Uma opção, nesse caso, são os títulos públicos do Tesouro Direto, como o Tesouro Selic e o Tesouro IPCA+. Steter, da Ágora, pontua que o investidor deve buscar o equilíbrio olhando para instrumentos que estejam atrelados com o prazo esperado, pois assim consegue garantir a liquidez necessária e um maior benefício tributário.
Vale lembrar que os títulos públicos seguem a tabela regressiva do Imposto de Renda (IR), que aplica alíquotas menores conforme o tempo de investimento aumenta. Ou seja, quanto mais longo for o período que o investidor carregar o título, menos imposto ele irá pagar.
Para compor a fatia restante da carteira do perfil conservador, Santos, da Blue3 Investimentos, aconselha o investimento em fundos de ações ou fundos internacionais. “Dessa forma, a pessoa garante uma exposição razoável à renda variável, que ainda busca rentabilidade superior no longo prazo”, diz.
Publicidade
Quando se trata do perfil moderado, o assessor de investimentos comenta que a alocação entre as classes de ativos pode ser feita de forma mais balanceada. “A estratégia aqui busca um equilíbrio entre segurança e maior potencial de valorização. O investidor pode se expor mais a ações brasileiras que estão a preços atrativos ou a ações internacionais, especialmente em mercados mais desenvolvidos.”
De acordo com Reis, da Ágora, uma carteira moderada pode ser estruturada com 58% em ativos de renda fixa atrelados ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), 5% em títulos pré-fixados e 16,5% em papéis indexados à inflação.
O restante da carteira pode ser formado com 11,5% em fundos multimercado, 4% em ações, 2% em ativos alternativos – que não se enquadram nas categorias de investimentos convencionais – e 3% em opções internacionais.
Para os perfis mais arrojados, a carteira da Ágora segue com uma parcela voltada à renda fixa, mas em porcentagem menor do que nos outros portfólios. Nesse caso, 24,5% dos recursos são destinados a ativos atrelados ao CDI, enquanto 9,5% vão para títulos pré-fixados e 22,5% para papéis indexados à inflação.
Publicidade
Uma parcela de 20% é alocada em fundos multimercado, 8,5% em ações, 7,5% em ativos alternativos e os 7,5% restantes em investimentos internacionais.
Os principais erros na hora de investir
Na visão de Daronco, da Suno, muitos investidores entram no mercado financeiro com uma mentalidade de especulador. “Se o caso for esse, a pessoa não entende o motivo por trás da compra de um determinado ativo. Quando não se sabe por que está investindo, é provável que a venda também seja feita sem critério, o que resulta em perda de dinheiro”, alerta.
Outro problema é a falta de planejamento ao investir, que pode gerar como consequência uma combinação de ativos inadequada para o objetivo e o perfil de risco de cada pessoa.
A falta de diversificação também representa uma falha. “Investir em uma única classe de ativos ou em poucos ativos pode aumentar o risco. A diversificação entre diferentes tipos de investimentos e geografias é crucial para aumentar a segurança do investidor”, avalia Santos, da Blue3 Investimentos.
O assessor enxerga ainda que outro erro frequente dos investidores é não procurar o auxílio de profissionais. “Ignorar a ajuda de um especialista em investimentos é como tentar fazer uma cirurgia sem um médico – os riscos podem ser irreversíveis e o atraso no alcance dos objetivos financeiros pode ser significativo.”
Publicidade