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Investimentos

Ouro e prata caem forte após rali histórico. O que explica a queda?

Correção ou mudança de ciclo? Alívio com o Fed e realização de lucros provocam tombo, mas fundamentos seguem no radar

Por Daniel Rocha

02/02/2026 | 13:48 Atualização: 02/02/2026 | 14:52

Os metais preciosos são classificados como ativos de proteção para períodos de estresse nos mercados (Foto: Adobe Stock)
Os metais preciosos são classificados como ativos de proteção para períodos de estresse nos mercados (Foto: Adobe Stock)

A escolha do presidente americano Donald Trump de indicar Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) aliviou as tensões dos investidores quanto a possíveis interferências na independência do órgão, algo bastante temido pelo mercado. O ouro, que vinha em uma sequência de recordes, caiu 11% na sexta-feira (30) – a maior queda percentual desde 2016. A prata também acompanhou esse movimento. Naquela sessão, as perdas chegaram a 31%.

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O desempenho refletiu o sentimento de mercado que, até então, buscava proteção nos metais preciosos em função da incerteza sobre o futuro do Fed e a trajetória dos juros americanos. O tombo também foi puxado pela realização de lucro dos investidores após o recente ciclo de ganhos. “Era esperada uma correção nos preços, mas não tinha como esperar uma queda nessa magnitude”, avalia Thiago Azevedo, sócio-fundador da Guardian Capital.

Nesta segunda-feira (2), o ouro e a prata ensaiam uma recuperação parcial de preços, mas ainda sob forte volatilidade. Pela manhã, o contrato do ouro para maio tinha alta de 1,36%, a US$ 4.809,60, após bater mínima de US$ 4.423,20 e máxima de US$ 4.905,60 no dia. Já a prata para março subia 3,26%, a US$ 81,02 por onça-troy.

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O movimento traz um alerta importante para o investidor. Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, os fatores que motivaram os ganhos extraordinários permanecem. A especialista explica que o cenário geopolítico nebuloso, a possível retomada do ciclo de cortes de juros e a forte demanda industrial pela prata ainda sustentam o apetite dos investidores por esses ativos.

No entanto, o último pregão sinalizou que há uma forte especulação por trás dos desempenhos dos ativos, o que traz mais volatilidade, especialmente no curto prazo. “Para quem não tem apetite para o risco de “pegar a faca caindo”, o momento é de cautela”, ressalta Zogbi.

Por que o ouro e a prata subiram tanto?

A combinação de diversos fatores econômicos e geopolíticos resultou na alta de 90% do ouro e 264% da prata nos últimos 12 meses. Desde o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, o mercado global acompanha inúmeras tensões geopolíticas que elevaram o risco global. Apenas em janeiro, o republicano invadiu a Venezuela e tirou o ditador Nicolás Maduro do poder. Na sequência, voltou a defender a anexação da Groenlândia, desencadeando uma nova crise dos Estados Unidos com a União Europeia.

A imprevisibilidade sobre as ofensivas Trump e os desfechos das suas disputas geopolíticas intensificaram o enfraquecimento do dólar no mundo, perdendo parte do status de “porto seguro” financeiro. Em um ano, o dólar caiu 10,02% frente ao real. A depreciação também é vista no mercado global. O índice DXY, que compara o desempenho do dólar contra outras seis divisas fortes, recua 10% no mesmo período.

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Essa flutuação cambial tende a favorecer os metais preciosos por elevar o poder de compra dos investidores. “Se o dólar americano enfraquece em relação a outras moedas, são necessários mais dólares para comprar uma onça de ouro ou uma tonelada de cobre. Isso torna o metal mais barato para investidores que possuem outras moedas (por exemplo, euros ou ienes), o que pode estimular a demanda e elevar o preço denominado em dólar”, diz Zogbi.

A prata conta ainda com outra particularidade. Além de ser refúgio para períodos de estresse do mercado, o metal se beneficia da alta demanda industrial impulsionada pela transição para uma economia verde. “A prata continua sendo usada no mundo todo para produção de baterias, espelhos e painéis fotovoltaicos. Essa demanda está cada vez maior”, acrescenta Azevedo.

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