Petrobras, a principal petroleira brasileira. (Foto: Adobe Stock)
As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) encerraram a sessão desta segunda-feira (5) sob pressão, em meio às especulações do mercado sobre a possibilidade da Venezuela voltar a ocupar posição relevante na produção global de petróleo após a prisão de Nicolás Maduro, em operação militar conduzida pelos Estados Unidos no fim de semana.
A Venezuela tem uma das maiores reservas petrolíferas do mundo e, por esse motivo, entrou no radar dos investidores pelo seu potencial de alterar a dinâmica estrutural de preço da commodity caso a intervenção do governo norte-americano resulte em uma reestruturação do setor no país. O risco refletiu sobre os papéis da estatal. No fechamento da sessão de ontem, as ações ordinários e preferenciaisda Petrobras caíram 1,67% e 1,66%, respectivamente.
Segundo a Genial Investimentos, a Venezuela tem 303,8 bilhões de barris em reservas comprovadas de petróleo, mas a sua produção permanece abaixo da sua capacidade. Em 2020, o país produziu cerca de 600 mil barris por dia, contra 3,3 milhões de barris em 2005. A diferença reflete os efeitos da crise econômica e humanitária que o país enfrentou ao longo dos últimos 20 anos.
O declínio da produção venezuelana, contudo, foi compensado pelos demais membros pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que mantêm estável desde 2005 a produção de petróleo em torno de 35 milhões de barris por dia.
“A Venezuela carrega um potencial singular de reintroduzir, ao longo dos próximos anos, um volume relevante de oferta estrutural no mercado internacional, alterando o equilíbrio hoje sustentado pela OPEP e, por extensão, os mecanismos tradicionais de controle de preços”, disse a corretora em relatório.
Ainda assim, o impacto de uma eventual dinâmica do mercado de óleo e gás tende a ser limitado para a Petrobras. Os analistas avaliam que a estatal possui um custo de extração competitivo, o que viabiliza a geração de caixa mesmo em cenários de preços baixos do petróleo. Além disso, segundo Ricardo França, analista da Ágora Investimentos, a retomada de produção da Venezuela para os mesmos níveis de 2005 depende tanto da habilidade política da região quanto de volumes expressivos de investimento estrangeiro.
“Não será algo que vai acontecer da noite para o dia”, afirma França. “Por isso, o investidor não deve tomar qualquer decisão de investimentos sobre as ações da Petrobras apenas com base na situação da Venezuela”, acrescenta.
Prisão de Maduro
Nicolás Maduro foi preso no último sábado (3), após os EUA realizarem bombardeios em Caracas, que também resultaram na captura da sua esposa, Cilia Flores. O líder venezuelano compareceu nesta segunda-feira (5) a um tribunal americano para responder às acusações de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para venda de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos contra os Estados Unidos.
Segundo o presidente Donald Trump, os Estados Unidos irão governar a Venezuela temporariamente até que ocorra uma “transição segura”. Trump disse ainda que a ação marca o retorno da Doutrina Monroe, rebatizada por ele de “Doutrina Don-Roe” e destacou o petróleo como eixo central da estratégia: empresas americanas investiriam bilhões para “consertar” a infraestrutura petrolífera venezuelana e explorar as reservas, com presença militar para garantir o controle.