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Investimentos

Vale (VALE3) amplia zona de autossalvamento e deixa mercado em alerta

Mercado olha com cautela para medida de segurança nas barragens de Forquilhas, em Minas Gerais

Por Jenne Andrade

01/07/2020 | 20:17 Atualização: 09/07/2020 | 11:47

Foto: Ricardo Moraes/Reuters
Foto: Ricardo Moraes/Reuters

O mercado acordou na quarta-feira (1º) com notícias de que a Vale (VALE3) iniciou o processo de retirada de moradores das zonas rurais de Ouro Preto e Itabirito, em Minas Gerais, por conta de ampliação de área de risco em caso de rompimento das barragens Forquilhas I, II, III e IV – próximas aos municípios.

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A mineradora deu início ao processo de aumento da zona de autossalvamento (ZAS) “com base em estudos mais conservadores, que passaram a considerar um cenário extremo e hipotético de rompimento da barragem Grupo e simultâneo das barragens Forquilhas”, diz a Vale em comunicado.

“Essas barragens têm uma quantidade muito grande de resíduos de minério de ferro, em comparação com Brumadinho e Mariana”, explica Igor Mundstock, economista do grupo Laatus. “É preocupante porque o potencial de estrago é alto caso haja algum problema”, diz. Juntas, as barragens I, II e III, acumulariam cerca de 55 milhões de metros cúbicos de minério, segundo o especialista.

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A medida de segurança acendeu um sinal de alerta entre investidores e o preço das ações – que já era penalizado pela baixa nos preços do minério de ferro – teve o viés de queda intensificado. Até às 17h11 de ontem, os papéis da companhia estavam em queda de 2,47%, aos R$ 54,54.

De acordo com Mundstock, além do forte impacto ambiental e humano, um terceiro rompimento abalaria ainda mais a imagem da empresa junto ao investidor estrangeiro. “A Vale teria mais uma vez um problema para fazer provisionamento de capital, já que teria que pagar bilhões em indenizações”, afirma. “Se isso acontece a cada dois ou três anos, deixa de ser algo pontual e torna-se recorrente. O investidor estrangeiro teria uma péssima visão da companhia.”

O impacto sobre as ações em caso de outro rompimento de barragens pode ser gigante, pelo menos no curto prazo. “Isso é o pior que pode acontecer em termos de valuation (avaliação do valor de uma empresa) para a Vale”, aponta Ilan Arbetman, analista de equity research de Ativa Investimentos. “Como você precifica uma vida perdida? Como você precifica a confiança no conselho de uma empresa que passe por isso?”, afirma.

Por outro lado, é consenso entre os especialistas que mesmo se o pior acontecesse novamente, a Vale teria condições de se reerguer. “É importante lembrar que isso  já aconteceu em 2015, com o caso de Mariana, e em 2019, em Brumadinho”, afirma Mundstock.

Vale cresceu mesmo depois do caso Mariana

Atualmente, a Vale é considerada uma das empresas mais sólidas e importantes da Bolsa de valores brasileira.  Ainda assim, a queda no preço das ações da mineradora tirou pelo menos 290 pontos do Ibovespa na quarta-feira.

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“A verdade é que a mineradora é uma das companhias mais bem estruturadas do mercado”, disse Henrique Estéter, analista da Guide Investimentos. “Sem dúvidas essa retomada de credibilidade que a Vale busca ficaria muito mais longe em um novo acidente.”

Em 5 de novembro de 2015, a barragem de rejeitos da Samarco, empresa da Vale e da australiana BHP Billiton, em Mariana (MG), se rompeu. Os rejeitos de minério de ferro inundaram inundaram distritos e deixaram 19 mortos.

Considerada um dos acidentes com mais alto impacto ambiental no País, o episódio rendeu uma queda de 30% nas ações de Vale. Segundo dados da plataforma de investimentos Economatica, antes do rompimento em Mariana os papéis estavam cotados em R$15. Após o acidente, entraram em tendência de queda e chegaram à mínima do ano em 8 de dezembro, aos R$10,38.

No fim, a empresa fechou 2015 valendo R$61 bilhões, uma perda de R$20 bilhões em valor de mercado em menos de dois meses. Contudo, a trajetória de queda não durou muito e em 2016 a Vale voltou a crescer. Entre Mariana e Brumadinho o valor de mercado da Vale saltou 254%, passando de R$81 bilhões para R$287 bilhões.

Brumadinho foi uma tragédia ainda maior

Cerca de três anos depois de Mariana, em 25 de janeiro de 2019, a barragem de rejeitos da mina Córrego de Feijão da Vale em Brumadinho (MG), também se rompeu e provocou uma tragédia ainda maior do que a primeira. Cerca de 255 pessoas morreram – até mesmo funcionários da própria mineradora.

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Os papéis da empresa chegaram cair 24,5% no pregão seguinte (28 de janeiro) ao acidente, para R$42,38. A queda no preço das ações representou uma perda de cerca R$70 bilhões em valor de mercado em um único dia, de R$ 287 bilhões para R$ 217 bilhões.

Para a Vale, no entanto, o fundo do poço pós-Brumadinho chegou no dia 07 de fevereiro, quando as ações alcançaram à cotação mínima de 2019, aos R$ 40,51. Ainda no final daquele ano, a companhia retomou parte do valor de mercado. No dia 31 de dezembro de 2019, a mineradora valia R$273 bilhões e as ações estavam cotadas em R$53. Atualmente, o valor da empresa – que está sendo uma das mais resilientes na crise do coronavírus – está cotado em R$286 bilhões.

“Apesar de não pararem completamente o crescimento de empresa, houve uma diminuição no ritmo, que vinha bacana”, diz Arbetman.

Ações de proteção refletem melhora na governança da empresa

Segundo os especialistas consultados pelo E-Investidor, apesar de provocarem algum susto no mercado, as medidas de proteção como as feitas pela Vale nesta quarta-feira não são necessariamente uma novidade. “Nem sempre isso representa um risco iminente. Parece mais uma medida cautelar”, explica Estéter.

Para Arbetman, esse tipo de precaução é um ponto positivo para a mineradora e mostra compromisso. “Isso deixa claro que os objetivos em relação à segurança apresentados pela Vale estão sendo cumpridos e que a Governança está mais organizada”, diz.

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Essa também é a opinião de Mundstock. “São medidas de segurança que a Vale não conseguiu fazer em Brumadinho.”

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