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Investimentos

Proximidade de corte da Selic abre novas apostas entre gestoras; veja as estratégias

Instituições concentram posição em vencimentos de curto prazo na curva de juros e veem espaço para novo rali

Por Arícia Martins

20/02/2026 | 17:28 Atualização: 21/02/2026 | 18:15

Comunicado que abriu a porta para uma redução da Taxa Selic em março abriu espaço para instituições estrangeiras e grandes gestoras de recursos passarem a ampliar apostas na queda dos juros futuros. (Imagem: Adobe Stock)
Comunicado que abriu a porta para uma redução da Taxa Selic em março abriu espaço para instituições estrangeiras e grandes gestoras de recursos passarem a ampliar apostas na queda dos juros futuros. (Imagem: Adobe Stock)

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) relativa à reunião de janeiro reforçou as perspectivas de que o primeiro corte na Selic, provavelmente em março, será de 0,5 ponto porcentual. Instituições estrangeiras e grandes gestoras de recursos passaram, então, a ampliar suas apostas na queda dos juros futuros, mercado que captura as expectativas dos agentes financeiros não apenas quanto à Selic, mas também implicitamente sobre o risco-país.

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Em um primeiro momento, profissionais ouvidos pela Broadcast apontaram que os contratos com vencimentos de prazo curto e intermediário foram os escolhidos para abrir novas apostas sobre o patamar de juros do Brasil e/ou aumentar posições já aplicadas. O prazo mais longo dessa estratégia chega a janeiro de 2029.

Os vencimentos mais distantes, apesar de acumularem prêmios de risco relevantes, ainda não estão sendo considerados interessantes para posições vendidas (quando o investidor espera queda futura dos juros) devido às incertezas que ainda pairam sobre o cenário eleitoral e ao pressionado quadro fiscal brasileiro. Ou seja, os retornos para os gestores são atrativos, mas não a ponto de o risco dessa aposta compensar os vencimentos de curto prazo.

Na expectativa de que o aguardado ciclo de cortes da Selic leve a uma nova rodada de alívio de prêmios (retornos) na curva futura, o banco americano Citi e o francês BNP Paribas informaram, em relatório no fim de janeiro, que voltaram a ficar aplicados em juros no Brasil. Ambas as instituições iniciaram posições em contratos com vencimento em janeiro de 2029 – horizonte que, por aqui, diferente de outros países, é considerado intermediário.

Novo rali na renda fixa

Em relatório assinado pela economista-chefe do banco, Fernanda Guardado, e pelo estrategista de Renda Fixa e Câmbio para América Latina, Mario Castro, o BNP Paribas afirma que o ajuste da linguagem do Banco Central (BC) na ata divulgada no último dia 3, sugerindo que o ciclo de flexibilização do juro básico da economia está próximo, “aponta para um novo rali nas curvas locais”.

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A instituição manteve, por ora, a expectativa de redução de 25 pontos-base (0,25 ponto porcentual) da Selic em março, com taxa terminal em 12% ao ano ao final de 2026, mas pondera que a decisão do colegiado por um ajuste de 25 ou de 50 pontos-base na próxima reunião pode ser apertada.

“Embora o mercado já estivesse descontando março como o ponto de partida do ciclo [de corte da Selic], o BC validando as expectativas atua como um catalisador para que os participantes retomem posições de recebedores. A mudança de tom do BC coincide com uma tendência contínua de fraqueza do dólar, que continuará a exercer pressão descendente nas curvas locais”, observa o BNP.

O banco explica que a combinação levou seus gestores a aplicar no depósito interbancário (DI) – equivalente à taxa futura do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), principal parâmetro de rendimento da renda fixa – de janeiro de 2029.

Essa é a mesma estratégia adotada pelo Citi, que observa que as taxas de curto prazo costumam aumentar após o primeiro afrouxamento no juro básico, conforme o ocorrido nos ciclos de cortes da Selic de 2016 e 2023, por exemplo. O banco pontua que dois riscos para a operação são uma inflação mais alta do que o esperado no Brasil e uma postura mais ‘hawkish‘ (termo que define adoção de política com taxas de juros mais altas) da autoridade monetária.

O fator eleição na estratégia

Na sua carta mensal de fevereiro, a Kinea Investimentos informa que a estratégia segue a mesma do mês anterior, com posição ainda aplicada em juros. Mas o cenário eleitoral, que pode trazer volatilidade, reduz a visibilidade e comprime o espaço para apostas direcionais grandes.

Gestor de Renda Fixa da Kinea, Guilherme Rodrigues, diz que a gestora que faz parte do grupo Itaú (ITUB3; ITUB4) “encurtou” as posições de um mês para outro, com prazos de vencimento que, agora, vão até um ano, no máximo.

“Hoje estou bem aplicado, mas agora está tudo no ‘curtinho’. Já chegamos a ter posição aplicada nos [vencimentos] de dois a três anos; agora estou sendo mais tático”, afirmou Rodrigues.

A estratégia está alinhada à tendência de que a curva de juros fica mais inclinada em momentos que antecedem ciclos de corte, disse o gestor, para quem há espaço para, no mínimo, 300 pontos-base (3 pontos porcentuais) de ajuste para baixo da Selic atual de 15% ao ano. “Em um primeiro momento há uma inclinação da curva nominal, e isso está acontecendo. O pessoal tende a ‘se esconder’ nos [vencimentos] curtos e médios”.

A Bradesco Asset, por sua vez, afirma que identificou melhor relação risco retorno na parte intermediária da curva nominal, onde os prêmios ainda incorporam assimetria favorável em um ambiente de transição de política monetária. “Preservamos uma estratégia de inclinação, com posições aplicadas no segmento intermediário e tomadas na parte longa, visando capturar a tendência de normalização da estrutura a termo em um ciclo de relaxamento monetário”, explica a instituição na carta mensal deste mês.

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Em sua carta mensal de fevereiro, a Santander Asset aponta que, no primeiro mês do ano, manteve a visão otimista para a renda fixa local, aumentando o posicionamento aplicado em juros prefixados e vendido em inflação implícita (diferença entre a taxa de juros nominal e a inflação) e reduzindo a alocação em ativos atrelados à inflação, com resultado positivo.

“Apesar da evolução menos favorável dos ativos atrelados à inflação no período, a forte queda da curva de juros nominal contribuiu de forma positiva para o nosso resultado”, diz a gestora de recursos do Santander.

E para fevereiro, a asset do banco espanhol segue aplicada em juros nominais (sem desconto da inflação), destacando, além do iminente ciclo de redução da Selic, que a atividade e a inflação estão em rota de moderação. “Diante da precificação atual, enxergamos prêmios atrativos nas curvas de juros”, diz a instituição.

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