Como mostramos nesta reportagem, há ativos com um dividend yield de 12 meses superior a 17%.
Agora, com o mercado precificando o primeiro e tão esperado corte na taxa de juros para o segundo semestre, começa a surgir uma dúvida: até quando este patamar de remuneração ao investidor é sustentável?
Isso porque boa parte dos FIIs de papel têm suas carteiras atreladas ao CDI ou ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA); com os dois indicadores em queda, a tendência é que o dividend yield também caia.
Ainda assim, ao menos no curto prazo, analistas não veem este ponto com grande preocupação. Afinal, ainda que haja mesmo uma redução da Selic, a projeção do mercado para o fim de 2023 é de uma taxa perto de 12,5% ao ano.
“É plausível esperar que as distribuições continuem em dois dígitos”, destaca Carlos Junior, analista-chefe de Fundos Imobiliários da Simpla Club. “Os FIIs atrelados ao CDI investem em dívidas que pagam CDI mais 2%, até mais 4%. Os 12,5% de Selic mais esses juros, mesmo tirando os custos do fundo, ainda seriam yields entre 13% e 15%”, explica.
Rafael Ohmachi, gestor de portfólio da RB Asset, concorda: “Apesar de ser uma tendência de queda da rentabilidade, é uma queda gradual. Não vai ser de imediato.”
O gestor destaca que, ainda que haja a possibilidade de redução dos yields dos fundos de papel, a queda dos juros deve beneficiar a indústria de FIIs como um todo. E o momento é de oportunidade. “A grande maioria continua sendo negociada abaixo de seu valor patrimonial. E vimos o IFIX desempenhar muito positivamente nos últimos dois ciclos de queda da Selic”, diz Ohmachi.
Tijolos de volta ao radar
O bom momento para os FIIs não significa que os de papel devem seguir como os protagonistas. Os especialistas são unânimes em dizer que, com a possibilidade de queda da Selic, são os fundos de tijolo que devem apresentar desempenhos mais expressivos a partir de agora.
“Acreditamos que estamos no início de um ciclo de alta no mercado de fundos imobiliários e os fundos de tijolo tem o melhor potencial para aproveitar isso. A carteira diversificada é sempre a melhor solução, porque ganha os dividendos com os fundos de recebíveis e tem grande potencial de valorização com os fundos de tijolo”, explica Junior.
Na Ágora Investimentos, a carteira de FIIs vem há algum tempo reduzindo as posições em fundos de papel para dar espaço para os fundos de tijolo. Um movimento tático para tentar capturar a valorização que esses ativos devem ter, depois de praticamente dois anos apanhando com a alta de juros.
A preferência, no segmento de tijolos, são as lajes corporativas. Renato Chanes, analista da Ágora, explica que é importante observar a taxa de vacância (o que não está ocupado) dos imóveis. Algumas classes de FIIs, como galpões logísticos, já estão com bons níveis de ocupação, o que significaria um menor potencial de valorização.
“Nesse momento, entendemos que deve-se procurar aqueles que ainda estão descontados”, diz Chanes. “Quem continua muito descontado e na nossa opinião é uma oportunidade são os fundos de lajes corporativas. Mas não é qualquer laje, mas aquelas de qualidade, especialmente na região de São Paulo, nas avenidas Faria Lima e Paulista.”